PSD, Rui Rio, Fénix e Prometeu agrilhoado...

A candidatura de Rui Rio à liderança do PSD link  é o mais recente ‘instrumento’ político da Direita para corroer a chamada ‘geringonça’.
 
Mais do que um programa político a ‘posição conjunta comum’, subscrita pelo PS, BE, PCP e PEV, é a trincheira política onde se acantonam as forças partidárias que se opõem às políticas de austeridade, empobrecimento e submissão, protagonizadas pelo PSD, durante o iníquo período de ‘ajustamento’.
 
O advento dessas políticas austeritárias têm, no nosso País, um rosto – aliás tinha dois – que, com a retirada estratégica de Paulo Portas, deixou na ribalta e sob os holofotes Passos Coelho.
 
O facto da PàF (coligação eleitoral de Direita) ter obtido uma ainda expressiva votação nas últimas eleições legislativas, tendo colhido a 'complacência' de mais de 1/3 do eleitorado, que se exprimiu nas urnas, resultou num tremendo fracasso. A tentativa de transformar essa minoritária votação (embora mais expressiva do que seria estimável) numa maioria capaz de governar sustentada num bloco central liderado pelos bons alunos da Troika condenava o País a mais do mesmo (empobrecimento), com outras roupagens.
 
A solução que Passos Coelho se apressou a acenar à saída das eleições nunca o foi, nem teria a mínimas condições para ser viável e, pelo contrário, concitou a reacção agregadora das restantes forças políticas.
 
A fragilidade da convergência ideológica à Esquerda é bem evidente, e para isso basta conhecer os programas doutrinários das forças que a integram, mas o cimento programático dessa posição conjunta assenta na ‘obrigatoriedade’ de impedir a continuidade da Direita no Poder. É, também, esta circunstância que, ad latere, ‘acalma’ a militância destes partidos.
 
A persistência de Passos Coelho na liderança do PSD, mostrando uma interpretação lateral de condução política que se esvazia no imediato ao exibir publicamente a incapacidade de fazer qualquer aliança ao Centro (com base do 'não há alternativa'), acrescida dos erros políticos que tem protagonizado enquanto líder da Oposição (elogiando o 'escabroso'), começa a ser um empecilho para sossegar o aparelho partidário, impaciente por um rápido regresso à área da governação.
Não há maneira de olhar para qualquer proposta levantada por Passos Coelho, ou pela sua inefável ex-ministra das Finanças, sem recear um encapotado regresso aos velhos tempos da Troika, do ‘enorme’ aumento de impostos, dos cortes nos salários, das pensões, das prestações sociais, da desregulamentação das leis laborais e do desemprego galopante.
 
Este quadro que revela uma Oposição indigente e inoperante teria, mais tarde ou mais cedo, de provocar uma convulsão interna (neste momento em franca incubação). 
 
Tradicionalmente, o PSD incinera os seus desditosos dirigentes reduzindo-os a cinzas e daí nasce uma nova plêiade que muda de roupagens ('penas') e começa lançar-se para novos voos passando uma esponja sobre o passado. Rui Rio arrancou com a enésima repetição de velha cena mitológica da Fénix, atitude habitual no PSD onde as novas direcções renascem das cinzas enjeitando o passado recente conservando - no sótão - os residuais símbolos.
 
Esperemos que esta deriva não lá para além da rotatividade entre um desastrado e inconsequente neoliberalismo e a recolocação do partido no espaço político de Centro-Direita.
 
Porque, no horizonte – nos EUA e na Europa - pairam outras ameaças oriundas de um regresso a um populismo devastador cuja metodologia conduziu aos mais recentes períodos bélicos mundiais e define um percurso muito previsível de devastações tendo por denominador o autoritarismo e o cercear das liberdades. 
 
Quando olhamos para Kaczynnski (Polónia), Orban (Hungria), Le Pen (França), Hofer (Aústria), Salvini (Itália), Farage (Reino Unido), Petry (Alemanha), etc.  não deveríamos dormir descansados.

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