Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
Não vale a pena continuar a iludir a questão com frases bombásticas.
Todos os dias se fazem IVG's em condições precárias, com dramáticas consequências para as mulheres (desde a prisão... à morte).
Portanto, o que se passa quotidianamente deve, no seu entender, ser considerado como sacrifícios aos deuses.
Será isso?
Três ... inocentes perguntas: ela não se pratica já nos casos previstos na Legislação que vai ser referendadda por quem lá for pôr o voto? Quantas Interrupções já não se fazem hoje em portugal, todos os dias ? O (des) Governo Português tem ou não tem uma Maioria Absoluta ?.
É conforme a vontade (leia-se interesses) do freguês...
Quanto aos Médicos Pela Escolha só com informação se poderá escolher livremente e sem dicotomias SIM ou NÃO.
O aborto clandestino vai continuar a existir, para aqueles casos que ultrapassem as dez semanas.
O combate ao aborto clandestino passa por medidas de policia, por maior apoio às mães, e por uma verdadeira educação sexual. Claro que tudo isto exige um enorme esforço, que o sistema não está disposto a fazer.
10 semanas é tempo suficiente para uma mulher decidir sobre a prossecução (ou não) de uma gravidez ocasional ou indesejada. Na maior parte dos casos difícieis e melindrosos que enfrentamos, nós humanos, não temos tanto tempo para optar.
De maneira que ao afirmar "o aborto clandestino vai continuar a existir para além das 10 semanas" é, pura e simplesmente, não acreditar na mulher. E, sendo assim...
Outro assunto, recidivante:
Se olhar em volta verá que os fariseus de hoje proclamam (como no passado já o fizeram) a necessidade de promover a educação sexual, desenvolver as consultas de planeamento, etc. Já todos conhecemos essa estratégia.
Esses hipócritas (não me ocorre outra designação) só se lembram disso, ciclicamente - nas promessas eleitorais ou quando há referendos sobre a IVG. De resto, quando passam pelo governo, nada fazem. Ou, então, fazem acordos para que na sua governação não se realize novo referendo. Lembra-se?
Sabe bem que caso o sim vença, nova campanha vai ser posta em marcha a das doze semanas por ai fora até à legalização completa do aborto, até a possibilidade de deixar morrer recém nascidos só porque apresentam malformações como já está a ser discutido em Inglaterra e é possível em certos estados norte americanos.
Há uma coisa que deve ser ententida para não alimentarmos especulações.
Muitos dos que vão votar SIM no próximo referendo não defendem, nem enfatizam, o "aborto" (enquanto prática em si mesma).
Defendem outra coisa: a capacidade de uma mulher decidir, sem penalização, interromper uma gravidez indesejada ou ocasional.
Injunções políticas, religiosas, dogmáticas, moralistas, ou outras, nesta questão, só pretendem retirar a quota de Humanidade a uma decisão que será sempre dolorosa e traumatizante para a mulher.
É, portanto, uma pura manobra intimidatória o acenar com uma "espiral" de referendos sobre esta matéria.
Finalmente, entenda:
"Porque o medo não é outra coisa
senão o desamparo da reflexão."
(Livro da Sabedoria, 17,12)