Ponte Europa

A persistência de um provocador nas caixas de comentários, a repetir vinte, trinta e mais vezes a mesma parvoíce, pode levar o Ponte Europa a mediar os comentários. É uma situação que nunca quis, desejando que o Ponte Europa permaneça um espaço de debate vivo, livre e vigoroso.

Vários amigos perguntam como resisto a acusações infames, insultos reles e calúnias abjectas. É fácil, não ligo a quem atira pedras e esconde a mão, a quem não teria um pingo de coragem para dar a cara ou os neurónios suficientes para formular uma ideia.

Entendo que o insulto diminui quem o profere e não aquele a quem é dirigido.

Não me incomoda que a única pessoa a que alguns leitores não toleram as ideias, ou as exprima, seja eu próprio. Apesar de tudo, NUNCA censurei um comentário por mais boçal, injusto ou falso que fosse.

Não me faltam convites para escrever em páginas de jornais e blogues onde tenho a companhia de destacados cidadãos e honrados intelectuais. Tenho dedicado ao «Ponte Europa» um tempo que podia aproveitar de forma diferente.

Tenho espaço no «Diário Ateísta», «Sorumbático» e «Avenida da Liberdade». Se não puder continuar com as caixas do Ponte Europa abertas à participação dos leitores ponderarei se devo desistir ou limitar os comentários.

Não posso apelar para a consciência de quem a não tem. Temos de viver com quem temos. Apenas sentirei a falta de uma plêiade de leitores cuja preparação académica, cívica e intelectual fazem do Ponte Europa o blog que já é.

Comentários

Anónimo disse…
Vários amigos perguntam como resisto a acusações infames, insultos reles e calúnias abjectas. É fácil, não ligo a quem atira pedras e esconde a mão, a quem não teria um pingo de coragem para dar a cara ou os neurónios suficientes para formular uma ideia.


Caro, Carlos Esperança, considero a sua atitude verdadeiramente cristã, muito bem.
Alexandre de Castro disse…
Encerrar as páginas do Ponte Europa seria premiar os caluniadores anónimos que, com os seus insultos, mancham a nobreza de quem, esforçadamente, procura proporcionar um amplo espaço de ideias e de informação, e que não procura obter quaisquer dividendos, a não ser os que derivam da sua paixão pela escrita e o gosto de a comunicar.
Por isso, é um imperativo que os comentários insultuosos sejam banidos. Quanto mais não seja, por uma questão de higiene cívica.
jagudi disse…
Ceder a isto, CE?! À escumalha hipócrita e cobarde, mesmo se lava as mãos em água benta?!
Compreende-se... enfim... mas que é lá isso??
Anónimo disse…
faça como Jesus Cristo, dê a outra face.
e-pá! disse…
CE:

Vou citar-lhe uma frase do Prof. Boaventura Sousa Santos que, provavelmente, já conhece.

"(...)as pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a diferença os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza."

Na verdade, ao adoptar-mos o sufrágio universal - conquista inalienável da democracia - criou-se a ilusão que, à ilharga disso, nasceria o respeito pelo cidadão.
É uma das ilusões democráticas.
Devemos ter a noção de que as perdas de respeito pelos "outros", não se podem combater pela fuga aos inusitados desafios, pelo desvio de objectivos e, muito menos, por atitudes censórias.
O combate à "falta de respeito", aos comportamentos incivilizados, num quadro democrático, faz com a educação. E esse é, como sabe, um processo longo, cheio de precalços e que, por vezes, atravessa gerações.

A blogosfera deve ser um espaço aberto onde o debate, por mais inquinado que esteja, é, também, um instrumento educacional. Nem que seja pelos "exemplos pela negativa", algumas vezes, incómodos, quase intoleráveis, mas paradoxalmente, pedagógicos.
Será mais útil saber que essas pessoas, efectivamente, existem, do que, tentar, liminarmente, varrê-las ou excluí-las.
É, de algum modo, o que se tem vindo a passar no "ponteeuropa". Sei que a educação cívica é um assunto que lhe interessa.
Continue, portanto, a lutar.
A educação para a cidadania - já o dizia Paulo Freire - é fundamental na construção da sociedade democrática. E é complementar da liberdade de expressão.
ana disse…
Penso que a melhor resposta é ignorar. Sei que é difícil quando nos caluniam, mas ceder é o pior.Há aqui verdadeiros casos de psiquiatria, mas acabarão por se cansar.Certamente o CE já passou por coisas piores na vida.Estes caluniadores têm a mente toldada, não tiveram a sorte de receber educação, no trabalho vivem de joelhos e em casa levam da mulher.Isto para não mencionar outros problemas de que não quero falar aqui. Vêm descarregar as frustrações, paciência, não vão à consulta e nem sequer tomam os comprimidos.
A todos:

Agradeço as provas de solidariedade e reitero a minha determinação em não me deixar vencer.

À Ana:

Não me incomodam os insultos e cobardias. Mas é difícil lutar contra um energúmeno que coloca um texto idiota 30 ou 40 vezes na mesma caixa.

Deixei a tal «oração», repetida até à náusea, para que os leitores compreendessem o que se estava a passar.

A indigência intelectual é pior do que a maldade.
P Amorim disse…
Só manifesto a minha solidariedade, está tudo dito por comentadores anteriores.
Anónimo disse…
Receba Sr. Esperança o meu apoio e a minha compreensão pela sua decisão. Muitas vezes eu não suportaria os escritos indigentes e quantas vezes não comento os seus posts ao ver a ignomínia e baixeza a que esses seres "racionais" se sujeitam com os seus comentários, tornando um debate útil, numa espécie de diarreia verbal sem qualquer senso nem sentido, a não ser procurando os 2 ou 3 comentários realmente ligados ao post no meio das dezenas de calúnias.
Mano 69 disse…
«(...)em casa levam da mulher(...)?!

A ana passou-se de certeza (falta de alguma coisa?), quando se fala tanto da violência conjugal e familiar com casos dramáticos que são noticiados quase todos os dias vai daí e utiliza-se esta inferência infeliz e descontextualizada.

É a vida...



(não perca os próximos capítulos)
Mano 69 disse…
Quanto ao post de Carlos Esperança concordo com ele que há pessoas? que levam a coisa demasiado a peito...
maremoto disse…
Meu caro.
É preferivel a indiferença...embora reconheça que é *chato* ter de aturar atrasados mentais.
Continue. Um abraço
jrd disse…
Amigo Esperança,
Repito o que te disse em tempos: Existem outros espaços mais adequados para essa gente de módica, ou nem isso, dimensão intelectual, poder escrevinhar à vontade. Ele há para aí tanta folha…
Compete aos autores do Blogue, no caso vertente a ti, decidir o que melhor entenderem.
Por mim, cortava-lhes a logorreia insultuosa, sem experimentar qualquer hesitação do ponto de vista ético, nem considerar que cometeria um atropelo à liberdade.
Um abraço
Anónimo disse…
A Ana "abriu o jogo" pois pelos vistos conhece(pessoalmente?) os caluniadores todos, tal o pormenor com que os caracteriza. E esta hein?
Manuel Norberto Baptista Forte disse…
Há algo que considero fundamental, que é de não se desistir de ter opinião. Ora esta maravilha da comunicação, dá-nos mais essa forma de estar na Vida, mas não dá o direito (seja a quem for) de "entrar" por caminhos menos correctos.
Não ajuízo neste caso da razão de A ou B, mas mesmo com as nossas legítimas opiniões até partidárias de cada um de nós só há que respeitar e não se entrar por comentários menos próprio; haja bom senso, e menos anónimos.
Anónimo disse…
Tem bom remédio: arranje uma senha e só os boys entram no blog!!!

O senhor Esperança é um provocador mas esuqece-se que do lado oposto estão pessoas bem educadas e com infância que lidam bem com as opiniões alheia. E já agora, ridicularizam-nas...
olho de rua disse…
Carlos, estas suas palavras:

"Entendo que o insulto diminui quem o profere e não aquele a quem é dirigido"

São palavras sábias, vindas de um sábio e, de modo bem semelhantes, de um dramaturgo famoso também!

William Shakespeare foi seu nome e ele disse:

“Quem furta de mim o meu bom nome rouba-me aquilo que não o enriquece, mas que deveras me empobrece.”
"Mediar os comentários" é apenas uma 4ª possibilidade além de outras 3 que o Blogger permite:

Autorizar tudo (como no Sorumbático)
Não autorizar nada (como no Abrupto)
Impedir Anonimato (como na Grande Loja do Q. Limiano)

Pelo que tenho visto noutros blogues, a 3ª solução costuma resolver os problemas do género do que aqui é referido.
Paulo Alves disse…
Acompanho a ponte europa e o que me ocorre ocorre dizer é que quem não tem ideias nem argumentos recorre à técnica ancestral de pôr um rótulo.Mas quando o vazio de ideias e de rótulos é tão grande, recorre-se ao insulto baixo degradante que ilustra bem quem o utiliza.E resulta sempre quando há uma reacção do ofendido.
Acho apenas que a ponte europa só deve acabar quando acabar a ponte rainha santa isabel.
Eu concordo com qualquer solução, nomeadamente a de impedir o anonimato.
Quanto às críticas infundadas, é sempre melhor a indiferença, mas essa é também uma opção pessoal com a qual me identifico e que aplico sempre, inclusivé.

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