Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
A fractura que se divisa, a olho nu, no seio do PSF é um bom motivo para nos debruçarmos sobre a crise europeia do socialismo e, sentir a imperiosa necessidade de promover um alargado e aberto debate ideológico, equacionar novas bases programáticas de defesa da cidadania, novos programas de governo à margem do liberalismo reinante, alternativas de desenvolvimento equilibrado (atenuando as assimetrias regionais), promover a evolução tecnológica centrada no bem estar humano, incentivar a redistribuição da riqueza, estratégias sociais de combate à exclusão e à pobreza, conceitos para uma nova era ecológica, etc.
Um rol de questões que devem ser abordados com muita imaginação, sem os habituais dogmatismos, que ao longo de anos vêm inquinando a Esquerda.
Excluir da vida pública um dos cancros do socialismo actual: a atracção pelo pragmatismo, que não sendo política, é um conjunto insípido instrumentos de sobrevivência política, oco, vazio, adaptável a todas as situações – de Direita, do Centro da Esquerda – tanto faz.
A urgência deste debate é tanto mais pertinente quanto será óbvio que a actual crise financeira trará obrigatoriamente mudanças de paradigmas políticos, económicos e financeiros.