Já várias vezes afirmei o meu enfado quanto aos sindicatos judiciais, capazes de transformar um honesto magistrado num inimputável energúmeno, um honrado cidadão num arruaceiro e um impoluto administrador da justiça num conspirador contra a democracia.
Creio que a separação dos poderes devia exigir contenção aos magistrados, impedi-los de condenar as leis porque lhes compete aplicá-las, respeitar o poder executivo para que sejam respeitados por este e usar uma linguagem urbana, sóbria e rigorosa.
Quando o novo presidente do S.M.M.P. afirma que há pressões sobre os magistrados e que atingem níveis incomportáveis fico assustado com os crápulas capazes de fazerem pressões e com os cobardes incapazes de denunciarem, acusarem e fazerem condenar os autores.
Ouvi num canal televisivo as diatribes do indivíduo e registei o clima de suspeição e as ameaças que deixou. Não sei quem são os monstros capazes de cometer os crimes que o sindicalista referiu mas tive a certeza de quem é capaz de atirar pedras e esconder a mão.
Serei um adversário intransigente de qualquer Governo que não respeite a independência judicial mas não me peçam para respeitar quem, tendo conhecimento de crimes e o poder de os denunciar, seja suficientemente cobarde para ficar por insinuações.
Sempre que um magistrado, juiz ou procurador, queira fazer uma carreira política, deve abandonar as funções que o Estado lhe confere. O poder judicial é o único que não tem a legitimidade do voto e que, se perde a compostura, perde o respeito que lhe é devido.
Apostila - João Palma admitiu a hipótese de denunciar as pressões sobre os magistrados. Mas não é obrigado a fazê-lo? Sei que não é chantagem pois é sindicalista há pouco tempo e magistrado há muito.
Comentários
Anónimo disse…
Outro Cluny? Nã... É mais outro Octávio Machado, o tal que andava sempre a dizer: Ai se eu abro a boca... (Ainda hoje estamos à espera.) Talvez o senhor não se aperceba (o que me faz duvidar das suas capacidades enquanto magistrado) é que dizer que há pressões e não as revelar, é em si um acto de pressão.
Excelente post, ao qual só há a acrescentar uma coisa: é que neste caso a questão é mais grave que de costume: é que o Ministério Público (contrariamente aos juízes) é uma magistratura hierarquizada, e o seu mais alto representante institucional - o Procurador-Geral da República - já disse mais que uma vez que nunca houve pressões nenhumas. Como se admite que venha agora o "visconde" dizer o contrário? Além de violar o princípio da separação de poderes, o pseudo-proletário "sindicalista" desrespeita a hierarquia em que está integrado! E depois destas atitudes como querem estes indivíduos que o povo os respeite?
Antes das 11 horas da manhã, uma numerosa comitiva de polícias, militares da GNR, e alguns outros do Exército, tomaram posições em frente à Igreja de Santa Cruz. Bem ataviados esperavam a hora de deixarem a posição de pé e mergulharem de joelhos no interior do templo do mosteiro beneditino cuja reconstrução e redecoração por D. Manuel lhe deu uma incomparável beleza. Não era a beleza arquitetónica que os movia, era a organização preparada de um golpe de fé definido pelo calendário litúrgico da Igreja católica e decidido pelas hierarquias policiais e castrenses. Não foi uma homenagem a Marte que já foi o deus da guerra, foi um ato pio ao deus católico que também aprecia a exibição de uniformes e a devoção policial. No salazarismo, durante a guerra colonial, quando as pátrias dos outros eram também nossas, não havia batalhão que não levasse padre. Podia lá morrer-se sem um último sacramento!? Éramos o país onde os alimentos podiam chegar estragados, mas a alma teria de seguir lim...
Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
Além de violar o princípio da separação de poderes, o pseudo-proletário "sindicalista" desrespeita a hierarquia em que está integrado!
E depois destas atitudes como querem estes indivíduos que o povo os respeite?