Maternidade Bissaya Barreto: razões "infertéis"…

Ontem, nos noticiários nacionais, ficamos a saber qual a posição do CA dos CHC sobre a crise que assola a Maternidade Bissaya Barreto [MBB]. A Directora Clínica da Maternidade bem como os Directores de Serviço que pediram a exoneração não tiveram tempo de antena. No aspecto informativo a hierarquia funciona.
Todavia, não é necessário ser muito perspicaz para inferir que a questão vertente – a instalação de um centro de procriação medicamente assistida [PMA] no novo Hospital Pediátrico - foi decidida pelo CA dos CHC à revelia de qualquer tipo de auscultação aos responsáveis da Maternidade. Estes [os demissionários], ao tomarem uma posição pública de classificarem a decisão tomada “um desinvestimento” na unidade de Saúde onde prestam serviço, confirmam que o órgão administrativo do Centro Hospitalar exibe uma peregrina visão sobre tipo concertação entre a gestão administrativa e a governação clínica que são essenciais para optimizar os níveis de eficiência dos Serviços hospitalares.
Os contactos que vão ser desenvolvidos pelo CA dos CHC com os médicos da MBB pecam, portanto, por tardios. São tentar remediar o irremediável.
Para qualquer cidadão atento será difícil tentar compatibilizar atitudes, como a do CA do CHC, aparentemente discricionárias, impositivas, e o “nobre” propósito de, com medidas desse tipo, não serem afectados a qualidade dos cuidados prestados.

A justificação da instalação deste novo centro de PMA no novo Hospital Pediátrico com base na existência de 1 espaço vago de 200 m2 levanta previamente a questão do dimensionamento e planeamento desta nova Unidade [H Pediátrico]. Os serviços não se instalam em função da disponibilidade e oferta de espaços fisícos… A sua instalação, como os utentes do SNS sabem - e o CA do CHC também -, deverá ser feita em conformidade com a sua real e objectiva necessidade em termos de prestação de serviços [na área da infertilidade] e em boas condições científicas, técnicas e humanas.
Quando se lê no preambulo do Despacho n.º 10789/2009 do Ministério da Saúde:
“…Na base deste processo, está a ser desenvolvido um Sistema de Informação de apoio à fertilidade e à Procriação Medicamente Assistida — FERTIS — instrumento essencial para conhecer a realidade epidemiológica em termos de infertilidade, monitorizar o processo de acesso às técnicas de procriação medicamente assistida (PMA),…”, levanta-se uma pertinente interrogação.
Centros com esta especificidade [na ausência de Unidade de Medicina da Reprodução] não deverão estar afectos a Serviços Clínicos de Ginecologia e Obstetrícia?
E não deverão, para além do núcleo duro de ginecologistas e obstetras, integrar especialistas em genética médica, endocrinologia, urologia, psicologia, etc.?

Então, porquê, o Hospital Pediátrico?
Só para preencher um espaço devoluto?
Não seria melhor não agredir a inteligência dos utentes do SNS e arranjar uma justificação mais plausível?

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