França proíbe véu islâmico

O parlamento francês aprovou hoje, em primeira leitura e por esmagadora maioria, o projecto de lei que proíbe o véu islâmico integral em espaços públicos.

O texto foi aprovado por 335 votos e um contra na Assembleia Nacional, câmara baixa do parlamento francês.

Toda a direita votou a favor. Se bem que contrárias ao uso do niqab e da burqa, quase toda a oposição (socialistas, comunistas e verdes) recusaram participar na votação.

Comentários

Anónimo disse…
a sequir vão proíbir o quê? as mulheres usarem calças? os homens terão de andar de chapéu que isso sim já é europeu?
drmaybe:

Por cada mulher que usa voluntariamente o véu islâmico há milhares que são obrigadas.
MFerrer disse…
Mas mesmo aquelas que o estejam a usar voluntariamente, coitadas, estão alienadas e brain-wshed...
Já ouviram falar em ideologia? e na "dominante"?
Pois é!
O que é que tem a ver o uso das calças, vestuário sem qq conotação religiosa, ou de subjugação de género, com a secundarização da mulher e com a sua associação ao "pecado"?
Essa "confusão" do drmaybe em afirmar que haveria uma imposição sobre condutas "europeias" é demasiado grotesca para merecer mais discussão!
Anónimo disse…
não há confusão nenhuma. o que eu não encontro nessa lei é nenhuma relação com "liberdade, igualdade e fraternidade".
acho ainda que representa uma menorização da mulher uma lei que, supostamente feita a pesar na mulher, a restringe na sua escolha.
Quanto às mulheres que são obrigadas a usar burca ou nicab será agora muito melhor para elas porque nem poderão saír de casa.
Em qualquer país civilizado é - ou devia ser - proibido, por óbvias razões de segurança, andar de cara tapada. Homem ou mulher. Na Europa ou em outros continentes.
O Etilista disse…
A liberdade e dignidade destas mulheres está acima de qualquer tolerância por costumes arcaicos associados a um multiculturalismo que parece ter perdido o bom senso.

Tal como já foi dito, o "voluntário" terá quase sempre o factor coação por detrás, seja directa (pressão de familiares ou marido) ou associada ao factor social (para não ser mal vista na comunidade). Uma lei como estas pode colocar algumas mulheres quase em prisão domiciliária, mas representa um não claro do Estado francês a estas práticas.

A esquerda francesa parece desculpar-se com questões do "debate da identidade nacional" (parte da agenda do governo Sarkozy), mas não sei se será mais por medo de perder votos...
e-pá! disse…
Julgo que a Esquerda francesa caiu num impasse.
Aliás, este tipo de impasses povoam, desde há muito, a[s] Esquerda[s]- nomeadamente a europeia.

Por um lado, são - convictamente - contra a burka e o nikab pelo que estas condicionantes da aparência [vestuário] condicionam liberdades individuais [nomeadamente a das mulheres] e, ainda, por considerarem que estas imposições, de índole religiosa, colidem com a laicidade.
Por outro, não acreditam na repressão como uma solução digna.

Entretanto, não apresentam alternativas que não sejam sucessivas moratórias para tentarem combater estas trágicas situações fora do âmbito religioso, i.e., no terreno cívico e dos Direitos Humanos. No campo social.

A Esquerda a marcar passo e a Direita impaciente... resolutiva!
Anónimo disse…
é pena que não se discuta este assunto a sério e se caia sempre nos mesmos argumentos. Eu estou mesmo a ver as clientes sauditas da Place Vendôme a serem alvo de denúncia por parte dos comerciantes da praça, e as mulheres dos subúrbios parisienses que são obrigadas pelos maridos a usar véu, deixarem de o fazer porque os maridos não podem suportar a multa de 150 euros. a lei e o Estado têm de proteger as mulheres do abuso dos maridos e família mas não o podem fazer punindo as vítimas.
quanto ao resto está tudo dito neste artº:
http://www.nytimes.com/2010/07/15/opinion/15iht-edsokol.html?_r=1
drmaybe:

Uma deputada belga, ex-muçulmana, com uma fatwa, pediu no Parlamento que fosse proibida a burqa pois era uma imposição das famílias, uma tragédia gerada pelo comunitarismo.

É um discurso comovente e desesperado.

Na França ou na Bélgica o problema deve ser o mesmo.

Mensagens populares deste blogue

António Costa e a popularidade

Vasco Graça Moura