Cavaco Silva, o OE e a militância partidária

Cavaco Silva, militante do PSD e apoiante de Passos Coelho, combate a oposição a este Governo. Desiludido com o desdém do PS e a aversão do PCP e do BE, esgotou o prazo da decisão de promulgação do OE e, foi omisso no pedido da fiscalização preventiva às artimanhas que contrariam de forma grosseira o veredito do TC.

Omitiu o que faria quanto ao pedido de fiscalização sucessiva do OE-2014 e mandou dizer, por um dos muitos empregados que o País lhe paga, que tinha pareceres que sustentavam a constitucionalidade do OE que Jerónimo de Sousa apelidou de roubo por esticão.

O mínimo que se exige de um presidente com rudimentar formação democrática é que revele o conteúdo dos pareceres, os argumentos e os autores, certamente pagos com os nossos impostos.

A falta de informação pode levar pessoas, mal intencionadas, a pensar que haja nascido, logo à primeira vez, alguém mais sério do que o PR e que ponham em causa a existência dos pareceres ou a idoneidade dos subscritores. Sem transparecia, é a honestidade do PR que injustamente fica em causa.

Comentários

e-pá! disse…
A 'táctica' do PR está para além de um mero apoio a Passos Coelho. Trata-se de uma evidente cumplicidade com os expedientes políticos delineados pelo primeiro-ministro para 'salvar-se', perante a calamitosa execução de um programa de 'resgate', cujo insucesso está a ser diariamente camuflado pela exaltação de ‘ténues’ vitórias que só adiam o desastre final.
Até Maio/Junho de 2014 o cargo de PR será exercido tão-somente para sancionar todas as tropelias da actual maioria parlamentar. Essa fantasiosa ‘meta’ (o putativo ‘fim do protectorado’) já infectou gravemente o sistema político português e, com a mensagem de Ano Novo, ficou a nítida percepção que atingiu um dos órgãos nobres do regime (a PR). Daqui para diante entramos numa fase sistémica (disseminação) que naturalmente acabou por enxertar-se numa já longa complacência oriunda dos lados de Belém. O efeito cumulativo entre múltiplas complacências e a cumplicidade anunciada será devastador, em termos de regime. Cavaco Silva nada adiantou sobre a situação política presente mas, em termos práticos e de desempenho, colocou o regime sob um prognóstico muito reservado.
Os ‘festejos’ antecipados à volta do fim do presente programa auxílio externo nada auguram de novo ou de bom. O ‘caso português’ (como de resto de outros 'países periféricos') foi – e continua a ser - uma excessiva e desprotegida exposição aos mercados. Nada de essencial vai mudar com o fim deste programa e a introdução de inevitáveis condicionalismos (cautelares). Os ‘mercados’ continuarão ‘livres’ e nós expostos aos seus indomáveis humores, no seio de uma Europa colaboracionista com os mesmos.
Deixar cair, nos meados deste ano, um dos membros da troika (FMI) é mais uma ilusão entre as muitas que nos têm sido impingidas em nome de ‘resgate’. Continuaremos prisioneiros desses mercados que ao fim de 3 anos de muitos sacrifícios e de um brutal empobrecimento tentam 'cautelarmente' modelar (adequar) a dose para não executar sumariamente a vítima de quem esperam – por largos anos - continuar a sugar as entranhas. Nenhum credor quer matar à fome um empenhado devedor que o ‘alimenta’. E esta asserção será tanto mais verdadeira quanto mais real e intensa for a acção especulativa no terreno.
Cavaco Silva que sempre tentou passar entre os pingos da chuva (BPN, Escutas, etc.) vai inevitavelmente atolar-se neste pântano. A cumplicidade é demasiada e inaudita. Não há mais espaço para se esconder ou para branquear um inquietante colaboracionismo (situação que tem ciclicamente perseguido o povo português ao longo de um longo processo histórico)…
No BPN e nas Escutas não passou entre os pingos da chuva. Foi onde apanhou a molha cuja pneumonia nunca mais sarou.
e-pá! disse…
CE:

Para muitos portugueses ficou irremediavelmente 'molhado'. Terá mesmo naufragado.
Mas o Sr. Anibal pensa que se 'secou' ('salvou') com o resultado eleitoral nas presidenciais de 2011.
Basta reler o vergonhoso 'discurso de vitoria'...

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