CDS – um quarteirão de congressos com promessas às dúzias

Não acompanhei o 25.º Congresso do CDS pela rádio, pela televisão ou pessoalmente, nem me conhecem eles nem os conheço eu, e a companhia seria alérgica e recíproca.

Sou, no entanto, leitor de jornais, atento e interessado, imune à liturgia dos Congressos e, neste caso, às piruetas políticas do líder perene, à boçalidade de algumas intervenções e inépcia de certos oradores, detendo-me no risco do partido, esvaziado dos democratas que o fundaram e caminhando para um reacionarismo infrene que o líder da Mocidade Popular amplamente demonstrou.

O líder absoluto demo-cristão elevou para 8 o número de vice-presidentes, tornando-se o líder com mais vice-presidentes por eleitor, sem contar com ele, vice-presidente no Governo. A sua lista, sufragada por 85,39% dos votos, a larga distância da de  Kim Jong-un, devida à distância que separa Oliveira do Bairro de Pyongyang.

Paulo Portas apelou ao PS para que estivesse disponível para fechar os olhos ao respeito pela Constituição, isto é, para que fizesse com a CRP o que ele, Paulo Portas, fazia com as declarações de impostos e com os recibos dos inquiridores da empresa de sondagens «Amostra», daquele antro da Universidade Moderna, encerrada compulsivamente pelas autoridades sanitárias responsáveis e sem sequelas de maior para o bando que acoitava.

De relevante para o País, ficou o desejo do presidente da Mocidade Portuguesa do CDS, também conhecida por Juventude Popular, de reduzir em 3 anos o ensino obrigatório e o de Portas em exterminar os funcionários públicos, aliás escusados, quando a educação, a saúde e a segurança social forem destruídas e cedidas à iniciativa privada e eclesiástica.

O resto foi o circo montado para as próximas campanhas eleitorais e as dúvidas sobre as vantagens de irem a votos casados com o PSD ou em simples união de facto. Os lençóis de ambos, fedem.

Comentários

e-pá! disse…
Em Oliveira do Bairro o CDS continuou a mascarar problemas e fartou-se de tomar posições com o cunho fatalista do 'seu' modelo político de irrevogabilidade. Para o exterior, os dirigentes esforçaram-se para criar o cenário de um 'renascimento' da economia e do emprego. Tiveram de passar ao lado dos seus habituais chavões (impostos e pensionistas) para cavalgar o curto prazo, agitar o mirífico e espectro do fim do 'protectorado' que por sua vez justificaria o 'vale tudo' até Maio próximo.
Pelo meio, para disfarçar aleivosias de índole patrioteira sobre a patranha do 'ajustamento’ Portas resolve decretar o fim da demagogia (para os outros!).

No interior, mantém a rédea curta aos que pretendem discutir o actual rumo, esvazia a análise do passado recente com o saloio 'o que tem de ser tem muita força' e continua a festejar um penta (campeonato?) nas autárquicas transformando numa brilhante vitória um resultado singular (5 em 308).
Poucos ouviram e outros não perceberam a intervenção de Nobre Guedes que sucintamente resumiu o Congresso ao virar-se para o seu 'amigo Paulo' e peremptoriamente declarar: - falhamos!
Agostinho disse…
Apesar de se deitarem na mesma cama desconfio que os lençóis nem vão à lavandaria. É só fachada para que mais tarde se declararem puros.

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