Cristiano Ronaldo, a condecoração e o PR

Um homem pode desligar a televisão, mudar de canal ou dar um passeio, o que não pode é deixar de ir ao barbeiro. Foi lá que a cerimónia da condecoração a Cristiano Ronaldo me apanhou. Percebi que, junto ao grande futebolista, se encontrava o PR.

Olhei aquele jovem dotado, aquele artista exímio na profissão, a figura simpática que faz vibrar milhões de pessoas. O que não esperava era ouvir um discurso de Cavaco a enaltecer-lhe os golos e a fazer a exegese dos festejos que o futebolista faz após o golo.

Foi uma surpresa, apesar de o saber catedrático de Literatura pela Universidade de Goa, vê-lo referir os golos e a forma como num dos últimos, Ronaldo olhou para o céu, gesto que o PR repetiu, e interpretou como homenagem ao pai, numa sábia exegese dos gestos e domínio da geografia do destino dos mortos.

Enquanto o barbeiro aparava a barba, ainda vi surgir, célere, D. Maria, a meter-se entre o marido e o Ronaldo, e a posar para a fotografia. Depois arrastou o ídolo, de venera ao peito, para junto do acampamento familiar onde duas gerações de Cavacos e colaterais aguardavam o jogador para a foto que, orgulhosos, exibirão um dia, aos amigos, quando o pai, avô e sogro for esquecido.

É um orgulho, para os portugueses, um jogador assim. Merece ser um Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Até merecia outro presidente.

Comentários

septuagenário disse…
Num 10 de Junho no Terreiro do Paço ou num 25 de Abril na Assembleia da República ou num 28 de Maio em Braga era mais digno.

Agora sem feriados tem menos graça estas coisas.

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