Hollande ainda não decidiu se a sua 3.ª vai ser a 1.ª dama.

Essa anacrónica reminiscência monárquica, embora republicanizada, é um insulto ao espírito republicano que elege um presidente e não um casal.

O exemplo alemão é, a este respeito, um caso de ética a necessitar de fazer escola. Não se conhece o cônjuge do chanceler de turno que, se viaja na sua companhia em avião do Estado, paga a própria viagem, desistindo habitualmente por ser demasiado cara.

Em Portugal, onde tudo o que é mau, acaba por ser sempre pior, e da pior maneira, não tarda que a designada 1.ª dama acabe por acompanhar o consorte com filhos e netos a ver as vacas que na verdura dos prados os recebem com sorrisos.

As primeiras damas são adereços inúteis na vida dos países e encargos obscenos que os contribuintes pagam. Um módico de decoro devia encorajá-las a uma vida (f)útil.

Comentários

e-pá! disse…
Futuras mudanças de género no acesso a cargos políticos de topo - onde as cerimónias representativas são frequentes - condicionarão alterações a este inexplicável ‘contexto mundano' que tem sido observado em alguns regimes republicanos.
Para além da falta de representatividade democrática a mediática exposição das 'primeiras-damas' ou dos ‘primeiros-valetes(?)’, é cada vez mais incómoda e perigosa.
Não é raro ouvir-se falar da 'família presidencial' a exemplo (rascunho) das redundantes e desacreditadas ‘casas reais’.
Na verdade, em Portugal (e como suspeito em todos os regimes republicanos), não constitui uma condição de elegibilidade que o(a) presidente seja um cidadão casado(a).
Partindo do princípio que os cerimoniais de Estado devem ser protagonizados por titulares de cargos públicos o que aparece como aberrante é trazer para a área pública o que é uma pertença natural de uma condição do foto privado (o estado civil, a religião, p. exº.).
Ao proceder a essa mediática exposição sustentada por ‘vaidades exibicionistas’ enfraquecem as barreiras que defendem a privacidade e a reserva individual que merecem existir mesmo perante o exercício de funções públicas.
Manter um distanciamento (uma discreta reserva) entre a 'coisa pública' e o foro privado seria um bom sinal de discrição política, de ética republicana e não só a reposição de legítimas representatividades.
Atenuaria - entre outras coisas – o clamor das confusões deliberadas e 'indignações pudicas' quando o exercício de funções públicas confronta os seus tiutulares com eventuais ‘negócios’, situações de favorecimento e nepotismo.
Um 'espectáculo' que têm assediado e importunado, cá e por esse Mundo fora, algumas das ditas 'famílias presidenciais'...
Manuel Galvão disse…
É a futilidade do eleitorado que condiciona este tipo de estratégia por parte dos políticos.

Os políticos sabem quão importante é, na obtenção de votos, aparecerem em público como algo que se parece com a casa dos segredos.

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