O fogo na UE e o bombeiro Passos Coelho

O pânico da União Europeia e o desespero da Grécia consentiram um amargo e precário pré-acordo no duelo onde os falcões quiseram esmagar o povo que resistiu à chantagem e ao medo no último referendo, para castigarem o sentido do voto democrático.

A grande vantagem, para além de mitigar a crise humanitária do povo grego, residiu na quebra da unanimidade em torno da Alemanha, com a França e a Itália a deslocarem-se em direção à Grécia, contra a troika, conscientes do perigo que as ameaçava e do risco de implosão da UE. Os próximos tempos constituem uma excelente oportunidade para novos realinhamentos e para que as várias famílias políticas ponderem a UE que querem e, sobretudo, a que recusam, até à próxima crise.

Do lado contrário mantiveram-se os governos de Espanha, Portugal, Eslováquia e outros exíguos satélites alemães, adquiridos pela UE para que a Nato pudesse cercar a Rússia com bases militares, na cegueira de quem teme o autocrata Putin, de um país que devia ser aliado, e despreza a perigosidade do Islão que estarrece a Europa laica e civilizada.

Passos Coelho deixou de ser a insignificância nacional e passou a ser uma irrelevância internacional ao gabar-se de ter sido a representação portuguesa (ele próprio) a sugerir a pouco recomendável instituição ‘independente’ no Luxemburgo para onde o Eurogrupo propôs transferir 50 mil milhões em ativos gregos.

Por ignorância, não por tão baixa subserviência, PPC não sabia que a instituição referida é gerida pelo KfW, banco estatal alemão, administrado por detentores do poder político, sendo “chairman” Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças, e vice-chairman Sigmar Gabriel, o ministro da Economia.

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