A União Europeia e o Partido Popular Europeu (PPE)

Para quem sonha com um governo mundial, o maior pesadelo é pensar que ele já existe, na clandestinidade de poderes ocultos, nas decisões inapeláveis que fogem ao escrutínio dos povos e à ética, ao serviço dos poderosos contra os mais fracos.

Não sei se o Conselho Europeu é a sucursal europeia desse Governo invisível, executor de uma instância cuja sede, composição e objetivos os povos europeus ignoram.

Conhecemos melhor a Comissão Europeia (CE) e o Parlamento Europeu (PE), este com poderes tão limitados que deixam ao arbítrio ou, como n’Os Pássaros, de Hitchcock, ao imprevisível, os ataques às economias dos países mais pobres.

Portugal, Espanha, e, sobretudo, a Grécia foram usados como cobaias do neoliberalismo e continuam provetas das experiências da CE que o Partido Popular Europeu (PPE) quer testar antes de as aplicar em Itália e França, no dealbar da desintegração e do caos.

Ontem, Aznar, aríete do capitalismo selvagem, ligado ao Opus Dei, reclamava a Rajoy, seu sucessor no PP, “disciplina” e mais cortes no OE, antecipando-se à chantagem que a CE adiou e prepara contra os países do Sul, depois das eleições em Espanha.

A CE não atua sem o aval do PPE de que se transformou no seu braço armado. Pacheco Pereira, que frequentou reuniões do PPE, já desmascarou o ‘pedido’ hipócrita, feito por Passos Coelho para consumo interno, para não sancionarem, ainda, Portugal pelo défice que deixou. A CE ficou-se pelas ameaças e deixou clara a chantagem, fixando prazo.

A UE tem três países que a minam, o Reino Unido que quer sair, a Turquia que quer entrar e a Alemanha, que não quer deixar sair o RU e pretende que a Turquia entre.

Ameaçada pelo terrorismo islâmico e desintegração não tem uma política de inclusão e solidariedade para os países que progressivamente distancia. O superavit alemão é mais perigoso para a UE e o euro do que os défices dos países periféricos.

Os países pobres, sujeitos ao terrorismo das agências de rating e do Sr. Manfred Weber, tendo como algoz o Comissário Pierre Moscovici, alegadamente social-democrata, não aguentam as ameaças da CE, as dívidas impagáveis e a estagnação económica.

A tragédia dos países periféricos arrastará a UE e, com ela, é a paz que soçobra.

Comentários

e-pá! disse…
Uma 'governação mundial' é a consequência directa da II Guerra Mundial e da conferência de Bretton Woods (1944) em que o dólar assume a liderança monetária (mundial) e possibilita o enorme poderio das grandes corporações económicas.
A globalização, que acelera após a queda do muro de Berlim, não foi deixada expandir-se e consolidar-se ao acaso ou anarquicamente. Alguma concertação global (uma governação) terá de existir para além dos escrutínios nacionais, regionais ou de proximidade.
As democracias e as soberanias tornaram-se 'coisas' muito formais e pouco poderosas. Temos imensos exemplos de repetições de votações até obter-se o resultado desejado (ou previamente decidido).

Para encurtar razões vamos ver o que acontece com o mais recente instrumento de intervenção desenhado à sombra de intenções de 'globalidade', i. e., com o sigiloso processo do TTIP.
Vamos esperar para ver se os povos, individualmente, serão chamados para se pronunciarem...ou se existe algo previamente decidido!
Manuel Galvão disse…
Em 30/01/1933 Hitler é nomeado chanceler - início do regime nazi.

Em 5/03/1933, o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, emitiu a Ordem Executiva 6102, que proibiu a propriedade privada de moedas de ouro, barras de ouro e os certificados de ouro por cidadãos norte-americanos, forçando-os a vendê-los para o Federal Reserve (FED). Como resultado, o valor do ouro mantido pelo Federal Reserve aumentou de 4 bilhões de dólares para US$ 12 bilhões entre 1933 e 1937.

Em 24/03/1933 as principais organizações de judeus americanos decretam boicote à economia alemã.

Em 24/03/1933 No dia 27 de Março houve manifestações de protesto simultâneas em Madison Square Garden, em Chicago, Boston, Filadélfia, Baltimore, Cleveland e outros 70 locais. A manifestação de Nova Iorque foi radiodifunda mundialmente. A razão fundamental era que "a Nova Alemanha " foi declarada um inimigo dos interesses judeus e portanto precisava de ser estrangulada economicamente. Isto aconteceu antes de Hitler decidir boicotar os produtos judeus.

E há pessoas que enfiam o barrete mediático de que (só) 71 anos depois a Alemanha se transformou num país soberano e democrático, e não num país ocupado, veículo das políticas impostas pela alta finança americana.

E há pessoas que, a pesar de a realidade City londrina e suas cumplicidades com Wall Sreet, pensam que o Reino Unido continua a ser um país soberano e democrático, e não o 51º estado americano em que se transformou desde a era Reagan.

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