Comissão Europeia: melodia de primavera…

A previsão da Primavera da Comissão Europeia sobre a situação portuguesa faz lembrar a tragédia do Titanic.

Isola-se um país (Portugal) de uma complicada situação europeia onde todos os indicadores estão em queda. A Europa está a desconstruir-se, inexoravelmente, em vários âmbitos. Desde a crise de crescimento, ao desemprego, ao Brexit, ao problema dos refugiados, ao atoleiro da Ucrânia, etc., tudo está a afundar-se.
A Comissão Europeia, no entanto, prefere fixar-se na disputa prospectiva à volta de umas décimas de projectado défice orçamental (que será sempre julgado como ‘excessivo’).

E onde entra o Titanic?
Bem, num pormenor do drama histórico do seu afundamento.

Quando tudo estava perdido, e os passageiros lançavam-se, em desespero, borda fora,  ao encontro da morte, sendo engolidos pelas gélidas águas do Atlântico Norte, a orquestra de bordo continuava a tocar impassível  no salão da 1ª. classe.

A semelhança é essa. Enquanto a Europa se afunda inexoravelmente na incapacidade de resolver os seus problemas e enfrentar uma crise sistémica, a Comissão Europeia, nos salões de Bruxelas, continua a debitar acordes orçamentais divergentes em décimas (como se previsões fossem factos consumados), do mesmo modo que um músico pretende diferenciar as notas altas das baixas. Ficamos sem saber ao certo que tipos de dó nos endereçam. Se dó maior ou menor.

Mas há uma coisa que sabemos. A ‘música’ vinda de Bruxelas é sempre a mesma!

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