Palavras dúbias e linguagem de almocreves

Em 24/02/2017 (hoje), o diretor do Público escreveu: “Os jornalistas, todos os jornais, andaram anos (repito, anos) a perguntar ao anterior secretário de Estado dos Assuntos Fiscais” Paulo Núncio, do CDS-PP, a razão de ter “deixado de publicar dados sobre as transferências de dinheiro para territórios offshore”. E acrescenta: “Nenhum [jornalista] obteve resposta.”

Esta frase distingue um simples erro da eventual cumplicidade, e D. Cristas reincide a chamar ‘mentiroso’ ao PM, ao que este, tratando-a como senhora, não retorque. Por sua vez, Montenegro acusou-o de «insinuações de baixo nível», por apontar ao governo PSD/CDS a incapacidade de impedir a fuga de milhões para offshores, e, Passos Coelho designou-a como “insinuação soez e indigna” e uma acusação “reles e ordinária”.

Oriundos da Mocidade CDS e da JSD não se lhes pode exigir mais. Faltou-lhes tempo para aprenderem o respeito devido à AR e ao governo que tem aí a sua legitimidade.

Paulo Núncio lembra o obscuro autarca que, depois de ter impedido a construção da casa que dissera autorizar a um amigo, quando este lhe pediu satisfações, negou que o tivesse feito. Mandou buscar o processo para provar a sua inocência. Já com o amigo em cólera, a apontar o despacho no requerimento, “Indeferido”, acrescentou, ‘para que sim’, i.e., «Indeferido, para que sim.».

Quando a Autoridade Tributária levou a despacho, para obter autorização, a publicação dos dados das transferências para offshores, em 2011, como determinara o antecessor, o secretário de Estado, Paulo Núncio, limitou-se a exarar o despacho: «Visto». Foi erro de perceção. Devia ter escrito: «Visto, para que sim».

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