Portugal, o Mundo e o futuro

Ontem jantei com um conceituado catedrático de Finanças do ISCTE e, com surpresa, soube que o eminente académico e medíocre ministro das Finanças de Passos Coelho, Vítor Gaspar, denuncia nas suas publicações os malefícios da austeridade e os efeitos contraproducentes. Pelo menos, aprendeu a lição.

Aliás, a preparação técnica já o tinha levado a anunciar o falhanço político, na renúncia ao cargo em que, à falta de alternativas, foi substituído por Maria Luís, sua ‘ajudante de ministro’ (termo do léxico cavaquista para designar secretários de Estado).

O tosco PM quis transformar a sua ex-professora na maga das Finanças, mas a sua débil varinha mágica não conseguiu mais do que metamorfosear a aprendiz de feiticeira em bruxa de terceira categoria em um governo inexistente que o CDS tinha abandonado.

Hoje, todos conhecemos o efeito trágico da crise de 2008 sobre as dívidas soberanas dos países pobres onde a falência do Lehman Brothers foi o detonador. Sabemos igualmente que o terrorismo das agências de rating tem um efeito demolidor sobre as economias de países que classificam sob a ótica do liberalismo económico e do olfato partidário.

Os imprevisíveis efeitos do Brexit, das decisões de Trump, da luta geopolítica global e da crise cíclica (?) do capitalismo, serão mais decisivos no eventual colapso do euro, na desintegração da UE e na precipitação da guerra global (económica, social, financeira e, eventualmente, militar) do que a competência técnica e política dos governos da UE.

Valerá, no entanto, pensar em Portugal e comparar o ano de 2016 com os fatídicos anos do consulado cavaquista de Passos Coelho e Paulo Portas. O futuro, esse, é incerto e preocupante.



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