A política, a ideologia e a nossa circunstância

Não sei o que é uma pessoa independente, apolítica ou isenta. Sei demasiado bem, isso sim, o que é um tartufo, um reacionário, um fascista ou um mercenário. Não esqueço os partidos que votaram contra o SNS e a descriminalização da IVG, e apoiaram a invasão do Iraque.

E é a memória, essa maldita capacidade fixar, reconhecer e localizar os autores da nossa vergonha coletiva que me leva, quiçá injustamente, a não superar preconceitos contra os defensores desses partidos, independentemente do grau de amizade e consideração que muitos me merecem.

Não reclamo independência ou isenção nas análises que faço ou nas opiniões que emito. Como pode ser independente quem viveu numa ditadura e perdeu quatro anos e quatro dias numa guerra injusta, inútil e criminosa? Quem pode esquecer o regime que prendia, torturava e degredava os amigos e correligionários?

Um homem transporta consigo as vivências, memórias e cultura que o moldaram. Grave é ser correia de transmissão de interesses ínvios e objetivos perversos. Indigno é imolar a honra no altar das conveniências. Crapuloso é trocar as convicções por prebendas e a liberdade de pensamento pela subserviência.

Esquecer quem, por partidarismo, silenciou a abolição dos feriados identitários do País que somos e da História que nos moldou [5 de Outubro e 10 de Junho], é atraiçoar os sentimentos patrióticos e libertar do opróbrio quem, por maldade, ignorância ou traição, os extinguiu. Têm nome os principais autores e o cúmplice: Passos, Portas e Cavaco.

Resta-me pensar que não tenho o exclusivo da razão, que pode estar com os adversários, e, sobretudo, que todos temos direito à livre expressão do pensamento e ao exercício do contraditório, mas não contem comigo para a mais leve cedência nos princípios que me norteiam ou nas convicções que perfilho.

Por isso, continuarei, enquanto puder, a lutar pelas minhas convicções, sem esmorecer e sem vacilar. Posso perder alguns amigos, mas não perderei nenhum adversário.

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