Estilhaços do dia de ontem

Por preguiça deixo aos outros o trabalho de casa. Do ofensivo e misógino acórdão da Relação do Porto limito-me a colar as frases transcritas por Ferreira Fernandes, no DN:

1 – "(...) a conduta do arguido [o marido] ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente [a agredida]. Ora o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372) punia com uma pena pouco mais do que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse ato a matasse. Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso se vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher. Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o ato de agressão, como bem se considerou na sentença."

Comentário: O desembargador e a desembargadora, se esta acaso leu o que assinou, sabem pouco da Constituição, que juraram, muito da Bíblia e zero de Saramago que a considerou – e bem – um «Manual de maus costumes», como demonstraram. Transferiram um Tribunal do Estado para a esfera do Santo Ofício.

2 – A deputada Assunção Cristas apresentou a Moção de Censura com o PSD atrelado. Os vivos não mereciam a má gestão do Governo durante a tragédia, mas os mortos não desculpam a linguagem insolente e a falta de memória da mediática arruaceira.

Por preguiça, deixo ao ex-governante Ascenso Simões as despesas do desempenho da líder do CDS, enquanto titular da pasta da agricultura, no seu artigo do Público da última sexta-feira.

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