Há 1 ano os portugueses votaram SIM
Há 1 ano os portugueses disseram, de forma indiscutível, que não queriam assistir mais ao espectáculo degradante de mulheres cuja intimidade era devassada pela polícia, que eram perseguidas e levadas à barra dos tribunais por causa da IVG, até às dez semanas.A lei não obriga à prática do aborto mesmo em casos de malformação, violação ou risco de vida da mãe, mas ainda há quem queira impor os seus valores aos outros.
Até o bastonário da Ordem dos Médicos parece um artista de circo por causa do respectivo Código Deontológico.
Comentários
Disse: "Os números estimados partiam do princípio de que se praticavam cá tantos abortos como se praticam nos países europeus em que o aborto é livre"...
Ora bem! O Sr. Pedro Vaz Pato está desolado por os registos oficiais indicarem números inferiores aos previstos. Resta, ainda, interpretar estes números. É cedo.
De qualquer modo estes novos dados necessitam de ser sociologicamente trabalhados (não policialmente ou judicialmente trabalhados) para actuar com segurança no futuro e planear uma boa e eficaz prevenção da gravidez indesejada.
É esta a finalidade última dos que defenderam e votaram SIM, neste referendo.
Agora, as posições do Sr. Pedro Pato são perigosas.
É a ansia de desclassificar os adeptos do "SIM".
Mas podem - eu sei que não será isso - ser entendidas como que, defendendo o "Não", na prática desejavam que tivessem ocorrido mais IVG's, só para acertar números.
Ninguém deve ser preso por ter cão ou não ter cão.
De qualquer modo, e isso é que interessa, os portugueses ao votarem maioritariamente SIM no referendo de 2007 sobre a IGV, aproximaram-se da Europa civilizada e moderna e, manifestaram um profundo respeito pelas mulheres portuguesas.
Se essas mulheres, este ano, tiveram necessidade de fazerem menos IVG's, para mim, e penso que para os que votaram "SIM", tanto melhor.
O Sr. Pedro Vaz Pato é que ficou um bastante desiludido...
Queria números para falar de "libertinagem", grosseiras violações da vida, etc.
Já conhecemos a estratégia...ou as "manhas"...
Data negra, de retrocesso civilizacional, de promoção da barbárie à legalidade, este 11 de Fevereiro.
Mas um dia tudo mudará e o respeito pela Vida será restaurado.
Até lá, esquerdistas ateus insensíveis e cultores da morte, aproveitem o regabofe e a libertinagem.
A VIDA vencerá, a moral será reposta e Portugal reencontrará o seu rumo na sagrada trilogia de DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA.
Entretanto, rezarei pelas almas dos inocentes assassinados em ventre materno, neste impiedoso holocausto infanticida.
Rezarei pelas almas das debochadas fornicadoras, irresponsáveis meretrizes.
Depois, rezarei por vós, almas penadas, insensíveis, rústicas, libertinas e sem rumo, sem valores de Vida e de Civilização.
Rezarei por vós, com a legitimidade que a minha crença me confere, no dia do vosso julgamento, quando prestarem contas pelos vossos crimes.
Pois. Mas parece que o que ficou na lei não foi uma despenaçização mas a consagração de um direito ainda mais importante do que o direito à saúde: um aborto não tem sequer uma taxa moderadora mas um internamento ou uma cirurgia têm (grande socialismo este!).
"mas ainda há quem queira impor os seus valores aos outros"
Está a falar daqueles que querem ser eles a decidir qual deve ser a deontologia dos outros?
Equiparado ao 11 de Fevereiro só mesmo o 11 de Setembro...
"...inocentes assassinados"...
"...neste impiedoso holocaustro (infanticida)..."
Será isso?
"Ora bem! O Sr. Pedro Vaz Pato está desolado por os registos oficiais indicarem números inferiores aos previstos."
É verdade, e não é o único. Só lhes falta dizer que não valeu a pena. Queriam, pelos vistos, muitos e muitos abortos. Mas estão com azar, porque cada vez haverá menos.
pai de família
"Mas um dia tudo mudará e o respeito pela Vida será restaurado."
É uma pena que nesse dia você já cá não esteja.
"Entretanto, rezarei pelas almas dos inocentes assassinados em ventre materno, neste impiedoso holocausto infanticida."
Está a referir-se às guerras, nomeadamente à do Iraque?
Bem sei que nao estamos no espço de leitores, mas a descoberta do blog abaixo referido deixou-me com agua na boca e ansioso por publicita-lo.
Saudações Portuguesas!
http://1640.blogs.sapo.pt/
E onde é que o código deontológico dos médicos é contrário à lei geral?
O facto de se querer exercer uma violência sobre a consciência deontológica da maioria dos médicos não deveria ser um indício de que se está a ir longe demais?
Será que estamos repetir os erros da primeira república?
1.Não conheço bem o código deontológico dos médicos; mas pelo que tenho lido nos jornais, impede-os de praticar abortos, o que é contrário à lei da República que o permite em certas condições. Isso é tanto mais intolerável quanto o problema que se põe se refere aos médicos dos hospitais, que são funcionários públicos pagos pelo Estado, isto é, pelos contribuintes cuja maioria votou "sim" no referendo. Ninguém pode obrigar um médico que exerça como profissional liberal a fazer um aborto; agora os que trabalham em hospitais públicos têm de cumprir a lei.
2.Não é verdade que a AR tenha decidido que abusar repetidamente de um menor é mais ou menos o mesmo que abusar só uma vez. Como já disse neste blog, a lei anterior permitia que, verificados os requisitos gerais do crime continuado, se considerasse um só crime o abuso repetido de um OU DE VÁRIOS menores. O n.º 3 do art. 30 do C. Penal, acrescentado pela recente reforma, veio simplesmente PROIBIR que, em quaisquer circunstâncias, fosse considerado um só crime continuado o abuso de mais do que um menor. Só continua a poder ser considerado crime continuado, SE SE VERIFICAREM OS RESPECTIVOS PRESSUPOSTOS (designadamente se o crime repetido for praticado "por forma essencialmente homogénea e no quadro da solicitação de uma mesma situação exterior QUE DIMINUA CONSIDERAVELMENTE A CULPA DO AGENTE") o abuso sexual de um só menor. Suponhamos que um rapaz com menos de 14 anos namora com uma rapariga de 16 e têm relações sexuais normais. Sorte do rapaz! Saíu-lhe a sorte grande! Mas o problema é que a rapariga está a cometer um crime! Então acha V. que a rapariga deve ser condenada por tantos crimes quantas as "quecas" com que deliciou o rapaz? Ou não será apenas um crime continuado?
Desculpe interromper a conversa, mas tenho de ir ver os Prós e Contra sobrs a Justiça!
As leis da república não implicam a obrigação dos médicos fazerem abortos, tanto quanto sei. Em último caso existe a objecção de consciência.
O aborto pode ser deontologicamente condenado sem que alguém possa ser punido por isso.
Presumo que, em sua opinião, no caso da despenalização da pena de morte ou da tortura, o código dentológico dos médicos teria também que ser adaptado.
Quanto ao caso do rapaz de 13, parece que é igual ter relações com a namorada de 16 como ser abusado contra a sua vontade por um homem de 45. Este homem de 45 pode ficar descansado porque após o primeiro abuso os outros já não acrescentam grande coisa.
Cava-se um fosso preocupante entre a legislação produzida pelo PS e o funcionamento da justiça sob este governo, por um lado, e aquilo que me parecem os mínimos da decência, por outro.
Quanto ao caso do aborto, parece que num ano há quem já tenha feito dois abortos e faltado às consultas de planeamento familiar.
É uma imagem deste PS: fecha serviços sem ter alternativas, cobra taxas por cirurgias e internamentos, rapa todos os tostões. Depois paga abortos caríssimos sem perguntas, sem taxas, sem limites.
Esta política de "saúde" está podre.
Claro. Mas se esta fosse legalizada os médicos seriam obrigados a aceitá-la no seu código deontológico.
"Nem a pena de morte é aplicada nos hospitais!"
Mas poderia perfeitamente sê-lo. Se a pena de morte fosse legalizada e fosse aceite pelo código deontológico dos médicos (definido pela Assembleia da República, claro), porque é que não haveria de ser executada a pena de morte nos hospitais?
Quanto ao facto de haver quem tenha feito 2 abortos num ano e ter faltado à consulta de planeamento, isso quer dizer o quê? Casos desses haverá sempre, como haverá sempre drogados, sempre muita coisa, mas o que realmente importa é que sejam a excepção.
O argumento da "vida" é auto-radicalizante. Tirar uma vida é assassínio.
Muitas das pessoas que deram a cara pelo "não" aceitavam e definiam a anterior lei como "equilibrada". Mas quem pretende ser sério em relação às "vidas ou bebés" nunca poderia gostar da lei anterior por causa das excepções e das penas.
Quem é pelo "não" pelo argumento da vida tem necessariamente de apoiar uma reforma do código penal no sentido de dar até a 25 anos de prisão às mulheres que abortem por vontade própria, correspondente à pena máxima segundo a legislação vigente.
E que eu saiba não me lembro de campanhas pela total criminalização do aborto nesses termos. E talvez até ainda sobrasse espaço para criminalizar os abortos expontâneos.
Falta de coragem (opinião pública), incoerência ou simplesmente desonestidade intelectual?
Os médicos como bem diz o CA, podem se assim o entenderem não praticar actos medicos dos quais sejam objectores de consciência. A questão é tão somente esta, se os medicos que fazem a IVG podem ou não ser punidos disciplinarmente pela Ordem dos Medicos por faze-lo.
essa é que é a revelancia pratica da alteração que se pretende para o codigo deontologico dos medicos, é os medicos que legalmente praticam a IVG não poderem ser disciplinarmente punidos por algo que não é contrário à lei. E como bem frisa AHP, a ser-lhes aplicado uma sanção nesses termos, sempre podem recorrer para o Tribunal administrativo que seguramente lhes dará provimento!
A questão é: quem deve definir a deontologia médica? Os médicos ou os deputados? Nos EUA a deontologia médica tem sido suficiente para impedir execuções cruéis. Segundo os princípios do PS quem define a deontologia médica são os deputados. No dia em que os deputados aprovarem algo que seja cruel e desumano pela deontolia médica, os médicos terão não só que aceitar a lei mas ainda mudar a letra do seu código deontológico!
Quanto aos abortos de repetição, deve tratr-se do único acto médico do SNS que é praticado de forma absolutamente gratuita e descontrolada, ao mesmo tempo que idosos, pensionistas, crianças pobres, etc., têm que pagar medicamentos e por vezes taxas moderadoras.
Parece-me que não sou eu quem está a perder a cabeça...
Simples.
Mas o assassinato das criancinhas para esta gente é justificável da mesma forma como justificam o regicídio.
Um dia a vida vencerá.
Noto uma grande crispação e falta de serenidade nas suas intervenções. Afirmou que
"O aborto pode ser deontologicamente condenado sem que alguém possa ser punido por isso."
Ignora concerteza que a violação grave de um código deontológico profissional implica sempre sanções.
E ignora concerteza que mesmo que venha a existir alteração do C.D. médico, isso não violará a conciência de ninguém porque nunca forçará a prática de actos médicos contra a consciência de cada um. O SEjamos sérios.Deixemos os médicos decidir.