Momento de poesia
ERA QUATERNÁRIAOlho aquele sílex desta era,
a Quaternária,
moldado por aquela mão rugosa
de nervos e veias em relevo,
que, enfim,
uniu o polegar aos outros dedos ...
A gruta guardou a escuridão do tempo
no silêncio cortante de arestas
e o sílex rasgou a pedra
em riscos imberbes da primeira infância,
pela mão do homem
que, balbuciando preces
à luz, ao sol e ao trovão,
estremeceu aos vagidos de cada alvorada
Bípede, ergueu-se na altivez
da coluna erecta ...
Façanha única!...
Foi daquela mão talhando a pedra
que nasceu o inacabado poema
que a humanidade escreveu.
Alexandre de Castro - Lisboa, Maio de 1991
Registado: IGAC/MC- 5467/2004
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