Tolerância e ecumenismo

O arcebispo de Canterbury, Rowan Willians, líder espiritual dos anglicanos de todo o mundo, sugeriu ontem a adopção de alguns aspectos da lei islâmica, a sharia, no Reino Unido.

Quando o mais alto dignitário da Igreja anglicana apela à derrogação do Código Penal do seu País, para o deixar substituir, ainda que parcialmente, pelo exercício da violência teocrática para um grupo étnico específico, não é o respeito pelas culturas alheias que o move, é a vontade de restaurar o direito canónico da sua Igreja.

O Iluminismo e a revolução Francesa substituíram o direito divino pela vontade popular e criaram o Estado de direito contra os costumes ancestrais. Hoje, nas democracias, vale mais a Declaração Universal dos Direitos do Homem do que as verdades reveladas cuja aplicação faria as delícias dos trogloditas da fé.

O arcebispo de Canterbury não é uma piedosa alimária a quem os jejuns perturbem a mente, um beato analfabeto que saia da missa dominical aterrorizado com o juízo final, um solípede alucinado com a falta da ração. A sua insólita sugestão, que fez exultar os mullahs, é mais uma ameaça nascida nas alfurjas das sacristias onde germina a raiva à modernidade e floresce o ódio à liberdade.

Os líderes muçulmanos vieram logo dizer que não apoiam as lapidações, enforcamentos e decapitações, EM PÚBLICO, tão do agrado do Profeta. Contentam-se com a aplicação discreta e com a abolição desse modernismo hediondo que exige a igualdade entre homens e mulheres, uma conquista civilizacional de que Maomé nunca ouviu falar ao arcanjo Gabriel ao longo dos vinte anos que viajaram juntos entre Meca e Medina, até aprender de cor o Corão.

A tolerância manifestada pelo arcebispo anglicano é o mais violento ataque aos direitos, liberdades e garantias que as sociedades democráticas conquistaram. No ano passado o Reino Unido removeu o Holocausto dos currículos escolares porque ofendia os muçulmanos, que afirmam que o Holocausto nunca aconteceu.

Os ataques orquestrados à laicidade debilitam a democracia e comprometem o futuro da paz, perante a cobardia face à escalada da violência religiosa.

Comentários

CA disse…
Se o Arcebispo disse o que parece ter dito então parece-me uma tolice. As leis devem ser iguais para todos. Se num conflito ambos quiserem usar as regras religiosas podem sempre resolver a questão com um árbitro religioso e propor o acordo aos tribunais, desde que respeite as leis do país.

Sou católico, mas nos dias de hoje eu não quereria o direito canónico católico a vigorar nas leis civis em Portugal (mesmo que apenas para os católicos). Ora num país ocidental introduzir aspectos de leis religiosas bastante primitivas parece-me desastroso.
Anónimo disse…
Os "diálogos ecuménicos" entre as diversas religiôes são cada vez mais manifestamente uma tentativa de coligação dessas religiões contra a democracia e o laicismo. A perda de clientela por parte dessas religiões (ainda há dias a TV revelava que no "católico" Portugal já há mais casamentos civis do que religiosos)leva-as a unirem-se contra o Grande Satã: a democracia laica.
Anónimo disse…
Não tardará nada, e alguns políticos, a quem o cheiro do voto excita mais do que o do cio, não se coibirão de vir a público subscrever propostas idênticas ás do arcebispo da Canterbury, principalmente naqueles países onde as comunidades muçulmanas têm uma considerável expressão numérica. É que a demagogia primária e o populismo alarve coexistem bem com as democracias representativas, numa inequívoca razão directa com o esvaziamento ideológico da política e com a deliberada tentativa dos diversos poderes de anular a participação cívica do cidadão na causa pública.
Anónimo disse…
é preciso parar estes perigosos fanáticos antes que eles nos parem a nós... como fizeram - aliás - druante muitos séculos.
Só a razão liberta! Só o espírito livre, que ame a verdade, sem dogmas irracionais, deve ter lugar na direcção da colectividade.
Sei que andam a fechar os hospitais psiquiátricos, mas espero que os especialistas toem conta destes lunáticos que acreditam em entes sobrenaturais, em vida depois da morte, em mandamentos heterónomos...
Só a Humanidade, os homens a as mulheres livres, dotados de razão e bom senso devem fazer leis!
Anónimo disse…
Porra... digam-me lá uma coisa!!!

Este bispo não se parece com o Esperança ??? ahahahahahaha

estás a ver Carlitos, serias assim se tivesses continuado com o Seminário, mas, como te dizem todos, nunca levas nada até ao fim !!! serás eternamente um eterno vencido !!!

ehehehe

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