Manuela Ferreira Leite e os Certificados de Aforro

Pesem embora as divergências políticas, o menos que posso dizer de Manuela Ferreira Leite é que tem uma imagem de honestidade e competência que encantaria o líder do PSD.

Sendo uma economista reputada, com inegável sentido de serviço público, não se percebem as críticas às novas remunerações dos Certificados de Aforro (CA), a menos que tudo sirva para atacar o Governo ainda que, como é o caso, se trate de defender o interesse colectivo.

Os CA são empréstimos do Governo contraídos junto de pessoas singulares de nacionalidade portuguesa. A sua remuneração há-de variar de acordo com o mercado e a facilidade de colocação de outros instrumentos alternativos: bilhetes de tesouro, obrigações, etc. Remunerar os CA mais do que o necessário só tem sentido num quadro de estímulo e manutenção da poupança que a cada Governo cabe avaliar.

Dito isto, não se compreendem as afirmações da ex-ministra das Finanças.

1 – Em primeiro lugar, segundo dados várias vezes referidos na comunicação social, não é verdade que os CA sejam detidos, apenas, por pequenos aforradores.

2 – Não se vê onde está a alegada «imoralidade e desonestidade» da redução dos juros dos CA, podendo o aforrador levantar o capital investido e os juros vencidos e acumulados até ao último dia do último trimestre, em qualquer momento.

3 – Condenar o Governo por não «defender, como lhe compete, os interesses dos cidadãos» é um erro de quem confunde os interesses particulares dos detentores dos Certificados de Aforro com o interesse público, pois quaisquer juros excessivos são pagos pelos impostos de todos para benefício de alguns – os aforradores.

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