Eleições autárquicas 2009_1

Uma morte de contornos mal definidos e a grande abstenção são o expressivo desfecho do que devia ser uma festa da democracia e acaba por tornar-se a liturgia triste da luta por empregos.

Não se confrontaram projectos, perdido o entusiasmo com o insólito discurso do PR a marcar o primeiro dia da campanha eleitoral, para as eleições autárquicas. Digladiam-se candidatos que se acoitam em partidos ou reúnem grupos de amigos que lhes abonem a vitória. Há freguesias com mais eleitores do que habitantes e os 308 concelhos e 4260 freguesias transformaram Portugal numa manta de retalhos que urge redefinir e a que faltam as cinco regiões que lhe dêem um mínimo de coerência e eficácia.

A dialéctica do confronto democrático foi substituída por ataques pessoais e calúnias, com caciques esforçados no trabalho de condução de eleitores à mesa de voto. Nos dias que precederam as eleições multiplicaram-se as peregrinações a Fátima a expensas das autarquias. No dia seguinte há favores a pagar e promessas a cumprir.

Sem uma justiça independente e eficaz não é possível punir os abusos, prepotências e poder discricionário que grassam pelas pequenas autarquias onde as redes de coacção social impedem o exercício pleno da cidadania.

Integrar uma mesa eleitoral devia ser um acto de orgulho cívico e republicano. O pagamento converteu em jorna o que devia ser uma obrigação patriótica.

Estas eleições autárquicas não foram o exemplo de civismo que deviam. Esperemos que os autarcas sejam melhores nas funções que vão desempenhar do que nas campanhas em que participaram.

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