As eleições presidenciais e as calúnias torpes

Ainda não começou a campanha eleitoral para as presidenciais e as alfurjas da reacção já bolçam infâmias contra Manuel Alegre.

Não tomei qualquer decisão quanto ao eventual apoio a Alegre mas não deixarei de o defender, tal como fiz com o almirante Rosa Coutinho, com quem não tinha afinidades, indignado com a carta forjada, num português medíocre e numa ética grosseira, que denunciei face às execráveis acusações de que foi alvo, após a montagem em que pedia ao MPLA para matar todos os portugueses residentes em Angola.

O alvo é agora Manuel Alegre a quem atribuem, na cobardia do anonimato, confiantes na falta de sentido crítico dos portugueses, os maiores crimes. De vítima da ditadura que o perseguiu passa a algoz da Pátria que ama. É a mesma direita salazarista que, logo após o 25 de Abril, acusou Mário Soares de homossexualidade, como se fosse crime ou verdade, que espalhou a montagem da PIDE sobre as ofensas à bandeira Portuguesa e outra lama com que pensavam impedir os portugueses de o sufragarem sucessivamente primeiro-ministro e presidente da República.

São os mesmos que assassinaram politicamente Ferro Rodrigues e que combinaram o caso Freeport (conhece-se o local, o nome das pessoas, o autor designado para a carta anónima e os contornos da conspiração urdida) sem consequências para os malfeitores. São os mesmos que, na teimosa e patológica homofobia, voltaram à homossexualidade para ferir Sócrates antes das eleições legislativas. Lembro-me bem da insinuação de Santana, num frente-a-frente televisivo, ao adversário que o trucidaria eleitoralmente.

Em Portugal deixou de se discutir política, substituiu-se a luta de ideias pelo assassínio de carácter e pela suspeição sobre os políticos. Quem leia o que se publica fica com a impressão de que o Governo é exemplar, apenas há suspeitas sobre o carácter do PM.

É mau caminho para a democracia, mas quem pensa que certa direita e alguma esquerda estão interessadas no regime?

Ponte Europa / Sorumbático

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