A Direita travestida…

O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, dá hoje uma entrevista ao Jornal Público [pág. 13], onde releva um oculto tacticismo do seu partido, sob a forma de uma ampla generosidade, um ambíguo altruísmo [político], uma paciência oriental, ... link

Partindo de uma recente sondagem da Marktest que atribui ao PSD uma clara vantagem nas intenções de voto [o que lhe permitiria obter uma maioria absoluta], o secretário-geral do PSD, desfia um rol de propósitos tácticos como se fossem grandes e inovadoras opções estratégicas [aparentemente para o País...].
Afirmando que o actual governo [e o seu projecto] estão fora do tempo e começam a ser uma carta fora do baralho não consegue - com a ginástica retórica ensaiada - evitar que passe para fora [para os portugueses] a táctica do “'esturricar' em lume brando” o actual Executivo, para proveito estritamente partidário. De facto, se existe [e fosse verdadeira] esta aparente convicção não se percebem duas "ocorrências":

1.) Porque o PSD não tem pressa em governar [embora exibindo soluções para tudo…] deixa – deste modo "calculista" - agravar-se a situação do País;
2.) Porque – ainda invocando o interesse nacional - o PSD se mostra disponível no apoio às medidas de austeridade do actual Executivo.

Uma insanável contradição está patente nestes altruístas propósitos. A fantasiosa asserção de que o “PSD não está cá só para ser Governo, mas para assumir uma política de reforma” é claramente desmentida à frente, quando afirma que “com Pedro Passos Coelho o partido não quer ser uma mera alternativa igual ao PS, mas construir um projecto não-socialista para Portugal” .
Finalmente[!], Miguel Relvas, fugiu ao grandiloquente discurso sobre um [imaginário] interesse público para regressar ao real confronto [e, aí sim, interesse] partidário.
E, o rumo à construção de um projecto “não-socialista” é, de facto, a evidência de um “não-projecto”. Ou, então, uma Direita envergonhada, escondendo a sua verdadeira ideologia neoliberal [grande responsável pela presente crise que nos assola]. Tacticamente prefere, por isso, manter-se emboscada, travestida, recusando mostrar a verdadeira face.
Cai, assim, mais uma das últimas [e sucessivas] máscaras do PSD – a inefável luta para ser um partido paladino da verdade.
Como faz o povo num tradicional jogo de cartas [sueca]: - na altura em que é indispensável destrunfar, não são permitidas renúncias [aliás, em nenhumas circunstâncias são toleradas]...

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