Falta de nível ao mais alto nível

1 - O Presidente tinha mais uma justificação para continuar de férias em S. Miguel, apesar da morte de Saramago: a importância que para ele tem a palavra dada. "Todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região."

2 - Já o presidente da Assembleia, Jaime Gama, segunda figura do Estado, também nos Açores, não foi e optou pelo silêncio.

3 - Institucionalmente, Pedro Passos Coelho, que não foi às cerimónias para estar num almoço do PSD em Leiria, fazendo-se representar por Miguel Relvas, secretário-geral e porta-voz, relativizou a questão. Porque é preciso "pôr de lado algumas dessas polémicas e concentrarmo-nos no que é essencial, num dia em que uma pessoa com a grandeza de José Saramago deixa um vazio na nossa cultura".

Fonte: Texto retirado do Público

Comentários

Lucas disse…
O saramago não deixou vazio nenhum na cultura portuguesa, mas sim no ateísmo portugues.
e-pá! disse…
Não é tolerável que questões religiosas [falsas questões sublinhe-se] ensombrem a enorme dimensão cultural de um vulto da literatura [mundial], como foi […e continua a ser] José Saramago.

O facto de ter sido comunista, ateu ou oriundo de um mundo rural desprezado e agonizante [e, portanto, "afastado" dos bens culturais], com certeza, que lhe moldou a "sua" visão do Mundo.
Para além disso, a “razão” pela qual José Saramago" foi homenageado diz respeito à sua inovadora e belíssima capacidade de escrever [e descrever] situações da vida dos Homens, bem como, o talento imaginativo, a competência e a grandeza na interpretação da História dos povos [oprimidos], dos mitos [bíblicos] e das civilizações [decadentes], etc.

Saramago merecerá – sempre – as homenagens dos portugueses por ter sido grande de mais para a pequenez do seu País. "Levantou-se do chão!", esse atoleiro que a todos nós oprime. Julgo que os nossos [como, de resto, todos] maiores, quaisquer que sejam os seus credos, filiações partidárias, raça, sexo, cor da pele, etc., devem ser homenageados. No caso vertente, é nossa estrita obrigação [não é nenhum favor, nem nenhuma heresia] dar a conhecer ao Mundo [e, por maioria de razão, aos portugueses] a sua prodigiosa e celebrada [não esqueçamos que é o 1º. Nobel de Língua portuguesa…] produção literária.

O exemplo de Saramago mostra-nos que não podemos continuar a ser “pequeninos”, a continuar a pensar [e a julgar] o Mundo por bitolas assustadoramente estreitas e enviesadas [demasiado “pequenas” e "confrangedoras"].
E fico-me por aqui.

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