Casamentos falsos
É preciso ter-se um coração empedernido e total ausência de compaixão para não viver o drama pungente dos paroquianos que, nas dioceses do Porto e de Braga, souberam que os seus casamentos foram celebrados pelo falso padre Agostinho Caridade.Os baptizados e as missas são de somenos importância, os primeiros porque podem ser ministrados por qualquer cristão, em caso de morte iminente, e as missas porque o que conta é a fé e a homilia serve muitas vezes para dormitar.
Há neste exercício ilegal da profissão dois problemas graves: casamentos e peditórios. Quanto aos peditórios viram-se os créus aliviados do vil metal sem que Deus lhes dê a recompensa devida porque se tratou de burla feita por pessoa sem habilitações.
Grave, grave, é o casamento canónico. Para os crentes o acto sexual só é legítimo se tiver em vista a prossecução da espécie e tiver sido abençoado por um padre com o sacramento da ordem em dia. Não é como ir de táxi com um motorista sem carta, é muito mais grave e perigoso.
Se era falso o padre e a água benta era da outra, as relações dos casais não passaram do mais puro deboche ainda que fossem nobres os propósitos e não houvesse ais de prazer nem insistências voluptuosas.
Calculo a ansiedade com que se remetem agora à castidade os casais que aguardam que de Roma lhes seja confirmada a validade sacramental das núpcias conduzidas por um charlatão, sem habilitações canónicas nem escrúpulos.
Comentários
Os noivos tinham boas intenções, mas de boas intenções está o inferno cheio! Afinal são concubinos e espera-os aquele sítio que B16 diz existir fisicamente.O que pode acontecer a um santo crente!
Mas o que conta não é o contrato de casamento civil?
O resto fica ao Deus dará.
A Primavera está a vir mais cedo este ano!
cs
CE
Quando se fala do que se desconhece acontece isto.
Para os católicos o acto sexual tem dois fins: a procriação e o reforço do amor do casal. Há alguns católicos que só conhecem o primeiro, mas isso é um problema deles, não da doutrina.
Quanto ao casamento, ele é celebrado pelos nubentes. O padre preside à cerimónia e representa a Igreja. Mas o facto de ser ou não padre é absolutamente irrelevante para a validade do casamento. Numa zona onde se preveja que não haverá um padre no prazo de um mês os noivos podem celebrar o casamento desde que haja testemunhas do acto.
Neste caso, como pode ver pela ligação, Roma ainda não se pronunciou e, a menos que a decisão da Cúria tenha para si o mesmo valor que eu lhe dou, é temerário avançar com um veredicto.
Se um casal precisa de saber se o padre que presidiu ao casamento era genuíno (para saber se está casado ou não), talvez haja razões para questionar se sabiam o que estavam a fazer naquele dia. E nesse caso talvez não estejam realmente casados.
ou será para alcançar um lugar no paraíso, junto de deus pai, jesus cristo e todos os familiares e amigos?