PRÉMIO NOBEL DA MEDICINA

Os trabalhos científicos do Prof. Robert Edwards permitiram – através da técnica de fertilização in vitro – o nascimento de mais 4 milhões de seres humanos.

No final da década de 70, após a sua 1ª. fertilização in vitro [retirou um óvulo de uma mulher e fertilizou-o com esperma dando origem ao ovo, composto por material tanto da mãe como do pai e recolocou-o no útero materno desenvolvendo-se a partir daí um feto idêntico ao de uma gestação normal] nasceu a criança Louise Joy Brown. Estavamos em Julho de 1978. Este foi o primeiro grande passo [científico] no combate da infertilidade.

Não foi um passo simples. Esta aventura científica desencadeou uma apaixonada polémica sobre as implicações éticas deste novo método.

A Igreja - sempre na senda céptica acerca das inovações da Ciência - logo questionou a circunstância da fecundação ocorrer fora do corpo da mãe, o que, para as autoridades religiosas, contraria a lei natural da reprodução... Para a ICAR a fecundação só pode decorrer quando se verificam reciprocamente duas condições: união e procriação. Portanto, na concepção teológica, a prática da procriação só seria legítima dentro do sacramento do matrimónio...
Paulo VI, na sua encíclica "Humanae Vitae", sobre este assunto, escreveu: "Essa doutrina, muitas vezes expressa pelo magistério da Igreja, está fundamentada na ligação inseparável, que Deus quis e que o homem não pode romper por sua iniciativa, entre os dois significados do acto conjugal: o significado unitivo e o significado procriador. De fato, por sua íntima estrutura, o acto conjugal, enquanto une os esposos por um vínculo profundíssimo, torna-os capazes de geração de vidas novas, seguindo as leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher..."

Quase três décadas após a concepção dos procedimentos técnico-científicos que aportaram ao campo da infertilidade a resolução de graves problemas [psicológicos, bio-genéticos e sócio-culturais] afectando cerca de 10% dos casais, a atribuição do Prémio Nobel da Medicina ao Professor Robert Edwards premeia um investigador que para além de conceber valiosos avanços no domínio da Ciência da Reprodução, tornou a Humanidade mais feliz. Fez mais pelas famílias do que milhares “Humanae Vitae's”.

Pena é que o seu companheiro nestas andanças científicas, o ginecologista Patrick Steptoe já não se encontre entre nós para partilhar desta alegria...e desta justa [e tardia] honraria.

Comentários

Ao fim e ao cabo, este cientista é que veio abrir a possibilidade de uma "imaculada concepção", isto é, de uma reprodução isenta do "pecado" carnal. A ICAR, em vez de o condenar, devia era beatificá-lo!
e-pá! disse…
Já tardava...:

O presidente da Academia Pontifícia para a Vida criticou a atribuição do Nobel da Medicina ao homem que tornou possível a fertilização "in vitro".
Para Ignacio Carrasco de Paula, responsável do organismo do Vaticano que lida com as questões da bioética, essa descoberta de Robert Edwards acabou por abrir caminho ao actual "mercado" de ovócitos e ao congelamento de milhões de embriões excedentários...
[http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=122830]
É de saudar a atitude do Vaticano.

Tudo o que contribua para o descrédito do bairro de 44 hectares é um benefício para o progresso.

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