"Falar à mão"?...

Primeiro o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e depois José Sócrates, admitiram hoje, na II Conferência da Reuters/TSF, em Lisboa, o cenário de atingir o objectivo do défice. “Se a execução orçamental vier a revelar que são necessárias mais medidas, tomá-las-emos, mas, até ver, não temos indicação nesse sentido”, disse Sócrates, lembrando que a execução orçamental de Janeiro deixa o Governo ‘tranquilo’...” economia.publico.pt

O último PEC foi revelado aos portugueses como um programa datado. Até 2013. A discussão do OE de 2011 começou em Outubro, atravessou inúmeras peripécias e terminou com a votação final global em 26 de Novembro passado, com os votos favoráveis do PS, a abstenção do PSD e o voto contra do CDS-PP, BE, PCP e PEV. Isto é, há 3 meses!

A execução orçamental em Janeiro – segundo os dados disponibilizados - "correu bem", embora a despesa pública não tenha descido o esperado.
Sendo assim, não se percebe o aviso de Teixeira dos Santos, corroborado por José Sócrates.
Ou há indícios – não revelados - acerca da execução orçamental e as palavras de Teixeira dos santos são uma antecipação de um cenário trágico que vem por em causa as verdades de há 3 meses e, inevitavelmente, desencadear uma crise politica e uma tempestade social.
Ou a mensagem foi um recado para Angela Merkel que aguarda um encontro com José Sócrates a anteceder a próxima reunião do Conselho Europeu extraordinário de 11 de Março que, como é público, tratará da questão do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. No caso de se tratar desta última hipótese melhor seria dialogar primeiro e falar no final do Conselho Europeu…

Todavia, estes anúncios pejados de intenções vagas, recheados de hipóteses e ameaçadores de mais medidas de austeridade não são tranquilizadores para os portugueses. E para quem desenvolve um intenso labor “para acalmar os mercados”, seria de esperar que tivesse o mesmo cuidado para com os cidadãos nacionais.
Porque se o anúncio acaso é pertinente merecíamos melhor e mais informação, isto é, frontalidade e transparência. Se o anúncio é desbocado, ou um mero exercício de retórica, estamos perante uma gritante inabilidade política e uma fonte de desestabilização social.

É, na difícil luta contra a crise, falar à mão!

Comentários

Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote (quase 87 anos)pergunto:-Quanto custa por dia,ao Erário Público a Tropa que no estrangeiro está ao serviço do Imperialismo e agora
quanto é que vai custar a participação de Portugal nessa
brincadeira que é o exercício Naval
da Horda mercenária da NATO no Mediterrâneo?!Também gostaria de saber que espécie de cristianismo
é o da Ângela Merkel com quem o Sócrates vai conferenciar.

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