SOS!

O confronto que se criou à volta dos contratos de associação do Estado com o Ensino Privado e Cooperativo, criados para suprir carências de oferta do Ensino Público conheceu, ontem, novos desenvolvimentos...
Afinal, como demonstra o exaustivo estudo elaborado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra min-edu.pt.pdf , os acérrimos defensores do ensino privado e cooperativo, esgrimem, na praça pública, argumentos ao sabor das conveniências que não resistem ao primeiro escrutínio elaborado com rigor e de âmbito nacional.

Na verdade, verifica-se que, p. exº., em Coimbra diariocoimbra, existe no sistema público capacidade formativa e educativa [largamente excedentária em relação à procura] pelo que os 1193 alunos que frequentam 4 instituições privadas [Rainha Santa, S. Teotónio, S. José e Cooperativa de Ensino de Coimbra] tinham alternativa na escola pública e haveria, ainda, um remanescente de 775 vagas [nas escolas públicas].
Mais, este estudo acabou por revelar gritantes desigualdades nas acessibilidades já que o ensino privado mostrou uma baixa percentagem de alunos provenientes de famílias com menores rendimentos, o que pressupõe mecanismos selectivos na escolha [não só económicos...].

Afinal, a tão proclamada "liberdade de escolha" não passa de um artifício para esconder iniquidades no acesso ao ensino privado. É, também, a tentativa de impôr um "mercado da educação e do ensino", desregulado, financiado por dinheiros públicos e - segundo o estudo ontem tornado público - ao serviço das famílias com maiores recursos económicos.

Concluindo, é um caso para os contribuintes gritarem: SOS!

Comentários

É caso para gritar "ó da Guarda!"
E não só como contribuintes mas também como cidadãos defensores da constitucionalmente consagrada laicidade do Estado, pois a maioria dessas escolas são declaradamente confessionais (católicas, não por acaso).
andrepereira disse…
Só a escola pública tem construído uma sociedade mais coesa. Os resultados do PISA mostram que em Portugal já há boa mobilidade social graças à Escola pública! Parabéns à Ministra por ter a coragem de afrontar interesses instalados.

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