O PCP e a ajuda à direita

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, justificou a anunciada «moção de censura» ao Governo pela dimensão política que assume.

O PCP não faz mais do que exercer um direito constitucional e defender, como deve, os seus interesses partidários. Resta saber se os interesses que sempre reclamou em nome dos trabalhadores constituem um benefício para a «classe» de que julga ter o exclusivo ou se limita a facilitar o acesso da direita ao poder.

Sabendo que a actual situação de crise beneficia claramente a direita, é altura de todos os que nos reclamamos da esquerda reflectirmos sobre o que pensamos melhor para o país, se um Governo do PS, este governo de Sócrates, ou um governo PSD/CDS, com Passos Coelho e Paulo Portas.

Já lá vai o tempo das reflexões sobre o «inimigo principal». Agora é tempo de mostrar a verdadeira face.

Para já, esta moção de censura é uma prenda a Cavaco Silva que não teria coragem de dissolver a Assembleia da República contra a vontade maioritária dos actuais deputados.

Independentemente do resultado, esta moção deixa expressa a vontade do PCP de substituir o actual quadro parlamentar. Depois, é só esperar que a direita manifeste a sua para que o PR se sinta legitimado pela vontade maioritária do próprio Parlamento.

Resta saber se os eleitores comunistas manifestarão nas urnas o júbilo pela opção política do comité central.

Comentários

O PCP sempre teve tendência a dar uma ajudinha à direita quando de trata de atacar o PS. Ainda há pouco tempo aqui o disse num post sobre as eleições presidenciais, em que o candidato do PCP, em vez de atacar Cavaco - aquele que aparentemente (só aparentemete) seria o seu inimigo principal - , não se cansou de dizer que Cavaco e Alegre era tudo a mesma coisa.
É que para o PCP o "inimigo principal" é o PS, que além de ter ideias diferentes sobre a democracia, os direitos humanos e a política internacional, "rouba" ao PC aquele eleitorado que ele julga ser "seu": os trabalhadores e os pequenos e médios empresários.
Além disso, o PC, como partido de protesto que é, sente-se mais á vontade sendo oposição a um governo de direita (PSD/CDS) do que sendo oposição a um governo de esquerda do PS.
e-pá! disse…
A hipótese de moção de censura ao Governo, proposta este fim-de-semana por Jerónimo de Sousa, é a consequência directa, imediatista, do "lançamento" de um novo "Pacto para a Competitividade" proposto pela Srª. Merkel [de parceria com Sarkosy], no último Conselho Europeu.
Entre diversas preposições, este novo pacto, fere uma área muito sensível para a política laboral do PCP: a não-indexação dos salários à inflação.
Tal facto, inquina a negociação das futuras contratações colectivas [contratos colectivos de trabalho], área sensível da actuação político-sindical dos comunistas.

O facto de José Sócrates ter classificado este novo passo de "histórico", só porque, de alguma maneira, alivia o espectro de uma entrada do FMI em Portugal, [já que a contrapartida será a o reforço do Fundo Europeu de Resgate], levou
Jerónimo de Sousa a..."perder as estribeiras"!

Mas o PCP saberá que ao querer distanciar-se [e divergir] do PS nos caminhos combate à crise, não pode abrir as portas à Direita, no momento em que esta, já iniciou as movimentações para o "assalto" ao Poder.
Daí que, de imediato, depois de ter adiantado esta eventualidade [moção de censura] tenha condicionado uma decisão de tal gravidade, ao julgamento do CC do PCP.
É que o exemplo da manobra do PRD para a dissolução da AR, em 1987, foi - para quem tem memória - catastrófico.

Agora, este período de forte crispação social, vai modelar e alterar comportamentos políticos. O "inimigo principal" deixou de focalizar-se no espectro partidário. Tornou-se profundamente ideológico. Passou a ser a poderosa "avalanche neoliberal" que sopra da Europa Central e que fustiga [inibe] todas as políticas de Esquerda.

Jerónimo de Sousa deu, neste fim-de-semana, inequívocos sinais de inquietação e de desespero. Evidenciou existirem profundas divisões políticas sobre o combate à crise [facto de todos conhecido]que, não parecendo ultrapassáveis, ao serem enfatizadas acabam por facilitar a deriva neoliberal, cujos reflexos atingem duramente os portugueses e acentuam as fracturas políticas em toda a Esquerda. Isto é, para usar uma linguagem cara ao PCP, favorecem objectivamente a Direita.
Perante uma agenda política que - desde a eleição presidencial - a Direita tenta manipular e controlar, melhor seria ser mais prudente e menos enfático, não pisando o armadilhado terreno das especulações políticas.
É que, quanto a especulações, bastam as do dito "mercado"!
Jorge C disse…
Gostava de saber quem é o principal inimigo do PS?
Vá lá sejam sérios, deixem de ser hipócritas.
A vossa cassete já se actualizou para CD mas o conteúdo é o mesmo.
Numa coisa tem razão o vosso inimigo é a esquerda.
Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote (quase 87anos)não tenho capacidade intelectual para contestar os comentários que aqui li.Mas em todo o caso,aqui deixo o meu parecer a respeito do PS que não é um Partido da Esquerda.Êle adoptou o rótulo de Socialista não só para
defrontar o PCP como para mais fàcilmente meter o Socialismo na gaveta,como lhe foi aconselhado pela Social Democracia alemã e pelo
Carlucci da CIA.O Partido PS pratica a Política Liberal tal como
o PSD que abusivamente se diz Social Democrata quando afinal é Liberal.Os rótulos são para enganar o Zé Povinho.Tanto o PS como o PSD acolitados pelo CDS/PP da «democracia»cristã onde ainda há muitos saudosos do Estado Novo,
formam as Fôrças da Direita Liberal
apoiam as decisões de Bruxelas e a
Horda mercenária da NATO e as suas guerras sujas.E os três Partidos,
isto é, a Direita téem a maioria na Assembleia da Rèpública e à chamada Esquerda que aliás está dividida só lhe resta elucidar o Povo para que não bata com as ventas na torneira e não morda a pedra mas quem atira a pedrada.
Muito mal andaria a Esquerda se, quase 40 anos depois do 25 de Abril, não conseguisse reunir mais que os magros 15% de portugueses que o PC e o BE entre si repartem!
Ou é o camarada Jerónimo que, com toda a sua brilhante retórica, não consegue convencer os trabalhadores das virtudes do seu partido ou então temos no nosso país 85% de burgueses capitalistas!
Jorge C disse…
Sim não tenho a mínima dúvida que a esquerda em Portugal que vai votar não passa de 15% ou 16%.
Convínhamos que para um país dominado pelos partidos do arco do poder, que são quem reparte as mordomias pela classe dominante é um resultado muito bom em termos políticos, só assim se percebe o incomodo que essa votação provoca na direita.
O senhor ahp no seu comentário àcerca da Esquerda diz que ela teve
simplesmente 15% de Votos e que
desde aí se pode concluir que 85%
dos portugueses pertencem à classe burguesa.No meu fraco entender de
operário plebeu já velhote pois já tenho quase 87 anos,na percentagem
de 85% não está incluída a gente campesina e pobre das Aldeias que
àlém de ser na sua maioria analfabeta,é alienada pelo Prior
que conduz o rebanho do Senhor e
como Pastor leva o rebanho a votar
na Direita reaccionária travestida
de democrata e liberal.E dêste modo
os Partidos da Direita,isto é,o PS;PSD e o CDS/PP,levam sempre toda
a vantagem.Mas claro está que não
é de causar espanto que um senhor Advogado,-profissão liberal,seja
partidário do Liberalismo económico
do Livre Mercado,em cada um se safa como pode.O Liberalismo não
Libera o oprimido,o pobre,o aldeão explorado,que escuta o sermão do
Vigário de Cristo e que morde na pedra em vez de morder quem atira a pedrada.

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