WikiLeads: O desdenhoso pensamento "gringo” sobre a política de Defesa nacional…

Embaixador Thomas Stephenson

Hoje, os cables divulgados pela WikiLeaks oriundos da Embaixada dos EUA em Lisboa, publicitadas pelo Expresso, começaram a revelar “histórias” sobre a nossa política de Defesa. link
Factos nada abonatórios para um País que – da leitura dos poucos documentos disponíveis – mostra um Estado sem rumo definido quanto às questões de Defesa nacional, à deriva sobre as estratégias de Defesa Europeia e na sombra de condicionamentos transatlânticos [OTAN]. É uma política de Defesa nada transparente e muito pouco soberana.

O Instituto de Defesa Nacional [IDN] há um mês – Janeiro de 2011 – definiu novos vectores de investimento estratégico privilegiando os seguintes projectos:
- Brasil e Atlântico Sul;
- Estratégia e Política Internacional;
- O Mar e o Interesse Nacional;
- Política de Defesa Nacional;
- Política de Segurança e Defesa Europeia;
- Relações Transatlânticas;
- Segurança e Desenvolvimento em África.

Seria bom que as linhas estratégicas, recentemente definidas, tenham continuidade e não voguem ao sabor das concepções pessoais dos Ministros [que efemeramente tutelam este sector] e muito menos de mudanças políticas resultantes da alternância de Governos. Esta é, também, uma exigência, destes tempos de crise, em busca de uma contenção de despesas e encaixa-se na necessária ponderação [económica e operacional] sobre a qualidade e quantidade dos investimentos em equipamento militar. Um ziguezaguear constante é – todos sabemos - um atalho para constantes desperdícios.

Nos relatórios enviados para Washington pelo embaixador americano Thomas Stephenson, a imagem de Portugal é de que gostamos de “brinquedos caros” e agimos “por orgulho”. E, mais uma vez levanta o “caso dos submarinos”. Segundo o embaixador americano os dois submarinos são supérfluos. “Com 800 Km de costa e dois arquipélagos distantes para defender, os dois submarinos alemães comprados em 2005 não são o investimento mais sensato” link

Nos cables diplomáticos divulgados pelo semanário "Expresso" sublinha-se que o dinheiro dos submarinos falta noutros lados, nomeadamente em navios patrulha para defesa do litoral destinados a controlar o narcotráfico, a imigração clandestina e a actividade piscatória ilegal.

A opinião do embaixador americano vale o que vale. Há um certo azedume levantado por opções de aquisição de material de guerra e equipamentos militares junto dos nossos parceiros europeus, em detrimento da indústria militar norte-americana.

Mas para além disso, revela que as questões da política de Defesa não devem ficar circunscritas à esfera político-militar.
A sociedade civil tem de ser ouvida, mesmo aqueles que abertamente manifestam opiniões abertamente anti-militaristas. A posição do actual Ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, em nada se coaduna com uma sociedade democrática aberta. link
Relacionar o acesso à informação em questões não operacionais e fora de um teatro de guerra com a segurança das populações é uma peia. As últimas aquisições de material bélico – os tão controversos submarinos – foram, a quando da sua entrega oficial ao Estado, mediaticamente exploradas e tecnicamente devassadas. Ninguém compreende onde está a “confidencialidade”…

Na verdade, em Dezembro último – os portugueses – foram confrontados com o pagamento a pronto dos sois submarinos, facto que dificultou o combate ao défice orçamental e, em certa medida, condicionou – indirectamente – o aprofundamento das medidas de austeridade.
Por isso, “todos” estamos envolvidos nestes investimentos. Alguns [poucos] estarão envolvidos nos negócios e nas contra-partidas. Mas isso – como sabemos em relação aos submarinos - é um assunto em fase de investigação criminal [cá, na Alemnha e na UE]. Este é o resultado de injustificáveis secretismos...

O "Expresso" vai começar a divulgar alguns dos 722 cables. Logo, esta procissão, ainda, nem chegou ao adro…

Comentários

não é desdenhoso

é análise do novo riquismo

e boas análises

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