O Mali, as crenças e a guerra


O Antigo Testamento, elaborado na Idade do Bronze, está na origem das três religiões do livro. Não podemos surpreender-nos com a violência, crueldade, espírito vingativo e misoginia divinas se refletirmos sobre a época e os homens que criaram Deus à imagem e semelhança deles próprios. A xenofobia, a homofobia e o espírito patriarcal eram as marcas tribais da época.

Os judeus responderam aos seus medos e inquietudes com a criação de um hipotético ser que explicava, por defeito, todas as dúvidas e era a esperança dos seus anseios.

Paulo de Tarso provocou uma cisão do judaísmo, bem sucedida, com a ideia luminosa de que o Deus de Israel era afinal para todos os homens, com a perigosa fantasia de que era a verdade única e de que todos deviam submeter-se à vontade do deus cristão. Foi útil para a consolidação do Império Romano e trágico para as outras crenças, sabendo-se como é difícil renunciar à crença incutida na infância. O proselitismo foi e é uma prática de que não abdicam os sacerdotes cristãos e muçulmanos.

Mais tarde havia de nascer o mais implacável dos monoteísmos, graças a um guerreiro analfabeto a quem o arcanjo Gabriel, de avançada idade, havia de ditar um livro que é a cópia grosseira do cristianismo, exonerada da cultura grega e do direito romano, este de natureza civilista e aquela de vocação humanista.

É fácil encontrar no terrorismo suicida e assassino do belicismo muçulmano a mesma sanha boçal dos católicos espanhóis que evangelizaram a América do Sul. As páginas do Corão apelam constantemente à destruição dos infiéis, da sua cultura e civilização, bem como dos judeus e cristãos (por esta ordem) em nome do Deus misericordioso que alimenta a imensa legião de clérigos e as hordas de terroristas.

Hoje, o proselitismo islâmico, fascista, busca manter o espírito demencial das cruzadas, impor cinco orações diárias, submeter as leis ao espírito da sharia e dominar o mundo.

A tensão que ora se vive no Mali é fruto dessa demência pia, da intoxicação diária nas mesquitas e madraças, do manual terrorista – dito livro sagrado –, o Corão. É por isso que, apesar das duas faces que tem cada moeda e da cobardia de quem se conforma com o proselitismo, apoio sem reservas a ajuda militar da França ao Mali, contra o avanço islâmico.

Comentários

e-pá! disse…
Para além das circunstâncias religiosas (são braços armados de quem?) convém não esquecer que o Mali integra uma vasta área africana (Mali, Niger, Líbia,...) onde recentemente foram detectadas vastas reservas de petróleo, gaz, uranio ouro e fosfatos.
Existe latente à vários anos uma 'questão sara-saheliana' (sucedânea das 'primaveras árabes') que tem despertado os apetites da economia mundial e fez deslocar para essas desérticas paragens novos actores internacionais(americanos, canadianos e chineses).
A remota 'luta tuaregue' por uma autonomia nos seus territórios (Azawad), foi sistematicamente torpedeada pelos serviços secretos franceses (com a ajuda argelina e líbia) que alimentando rivalidades e fracturas tribais desembocou num impasse (para os tuaregues) boicotando as pretensões autonómicas (e ou independentistas).
Esse fabricado impasse foi aproveitado por grupos islâmicos (fundamentalistas) que transformaram as adormecidas e torpedeadas reivindicações numa 'guerra santa' à boa maneira salafista. Manobra que aproveitando um periodo de convulsão interna no Mali, acabou por proporcionar uma caminhada para a independência e de seguida, como manda a cartilha islâmica, a imposição de uma implacável sharia (que inclusive ameaça destruir o património mundial de Tombuctu). Este 'aproveitamento religioso' pelos grupos islâmicos em redor das ancestrais motivações autonómicas acabou por gerar graves e violentos conflitos entre os jhadistas e os autonomistas... que, nos dias que correm, estão numa fase crítica e conferem uma instabilidade militar, polítca e social (vamos alienar-nos da vertente religiosa) a essa região absolutamente contrária aos interesses económicos mundiais.

A França ex-potência colonial não tem grande margem de manobra neste contexto. Poderá ser encarada como um País interessado em entrar na concorrência à volta de anunciado (e denunciado pela imprensa internacional) saque às riquezas recentemente descobertas no Mali, com todas as conotações neocolonialistas. Dificilmente a França será vista e tolerada como intermediário apaziguador.
Melhor, na minha opinião, teria sido mobilizar e empenhar a comunidade internacional, i. e., a ONU, através de um mandato do CS já que a situação humanitária é catastrófica.
Deste modo, salvaguardava-se a transparência e a legalidade da mediação (intervenção) no Mali. Na verdade, trata-se de um problema complexo, onde estão em jogo multiplos interesses, que pode ser um atoleiro para os franceses e, por tabela, para a UE.
e-pá! disse…
ADENDA:
Existe uma resolução do CS da ONU sobre a situação do Mali: Resolution 2085 (2012): Stresses Need to Further Refine Military Planning - “Security Council Authorizes Deployment of African-led International Support Mission in Mali for Initial Year-Long Period” link que, de certo modo, legitima o apoio europeu, embora endosse a responsabilidade de actuar no terreno a uma “African-led mission to support efforts by national authorities to recover the north”, isto é, uma missão de liderança africana (da União Africana). De qualquer maneira, o risco inerente à intervenção directa da França continua no, contexto regional (e de ‘guerra’), a poder ser aproveitado pelos beligerantes como de índole ‘neocolonalista’
Finalmente, o queria ressalvar é que o gravíssimo (bárbaro) contexto humanitário e patrimonial – determinado por crenças religiosas extremistas – devia merecer, na minha opinião, uma posição mais firme do CS da ONU.

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