O que há de novo no Eurogrupo?...

A recente nomeação do ministro das Finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem, [na foto com o ministro das Finanças alemão], para presidente do Eurogrupo link pode ser encarada como parte integrante de um dinâmico processo de renovação dos altos cargos burocráticos na UE mas, à partida, não acrescenta nada quanto à (re)solução da crise do euro.

Sendo um político oriundo da 'família' social-democrática (Partij van de Arbeid / ‘Partido do Trabalho’) as suas principais credenciais são:
- ser um adepto da disciplina orçamental (‘desenhou’ o recente plano de austeridade do Governo da Holanda); 
- um indefectível seguidor das políticas ‘reformadoras’ de Berlim e que congrega um núcleo duro de Países do Centro e Norte da Europa, aos quais pertence; 
- e, finalmente, um homem da banca (integra o conselho de Governadores do Banco Europeu de Investimento / BEI).

Preocupante é o facto de parecer não conhecer os meandros da política europeia, nem ter uma relevante experiência política.

Na verdade, a sensação que os cidadãos europeus devem estar a viver é que um homem com estas características, e este currículo, dificilmente seria eleito para estas funções. Mas a eleição de personalidade para exercer cargos europeus decisivos é, no seio da actual União, uma miragem, para não dizer um 'tabu'. A cooptação é mais fácil e expedita. Talvez seja esta uma das razões porque a Espanha achou por bem demarcar-se deste processo e votar contra esta nomeação. Para os portugueses este político não passa de um ilustre desconhecido e como é habitual os cidadãos nacionais serão completamente marginalizados destas questões da política europeia. Estas questões são para 'os entendidos' como foi, por exemplo, julgado pelos nossos governantes em relação ao projectado e prometido referendo sobre o Tratado de Lisboa. 

Na realidade, a importância deste cargo é totalmente condicionada pelos poderes que o eixo Berlim-Paris (muito mais Berlim do que Paris) lhe quiser delegar.
Tem, contudo, uma missão fulcral que o vai colocar ab initio à prova: a capacidade de distender a galopante tensão que tem sido gerada e acumulada entre os Países do Centro e Norte e os do Sul (da Europa). Até lá deve merecer o ‘benefício da dúvida’ e desejar-lhe a 'sorte dos estreantes'.

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