Ainda o burkíni

Aceito quem condena a jurisprudência do tribunal de Nice e a decisão da autarquia em proibir o adereço pio, ostensivamente islâmico. Já me penitenciei da sua defesa, por me ter convencido da razoabilidade dos argumentos em sentido contrário e, sobretudo, pelo carácter contraproducente da proibição.

Custa-me, no entanto, perceber que, conhecido o incitamento ao seu uso pelo islamismo extremista e a exibição nas praias de Nice, na sequência do atentado comprovadamente inspirado no sectarismo islâmico, haja quem não reflita no carácter provocatório do ato.

O que não aceito, por má-fé, é o despudor com que se atribui ao espírito transigente das democracias, o argumento ignóbil de que se trata de um desejo libidinoso de obrigar as mulheres a despirem-se em público.
Ninguém se preocupa que, por cada mulher que deseja andar toda velada, haja milhares que são obrigadas, e vítimas de constrangimentos sociais comunitaristas.

Às vezes, na acéfala defesa do Islão, e do seu menosprezo pela mulher, dou por mim a pensar se alguma esquerda não continua movida pelo ódio ao catolicismo, quase sempre de natureza reacionária, ao longo da história, ou se a sedução pela violência também a fascina.

Comentários

Manuel Galvão disse…
Eu diria mais: desejando estão muitas mulheres ocidentais feias que o uso burkini se generalize nas praias ocidentais, porque quando isso acontecer elas têm finalmente uma oportunidade de aparecerem menos mal aos olhos de quem se banha...

De resto tenho cá uma desconfiança de que mulher muito tapada em país islâmico é sinónimo de mulher bonita. E pelo contrário, mulher muito tapada no ocidente significa mulher feia. É que os maridos, pais, irmãos dessas mulheres não costumam ser parvos, e mandam mesmo nelas...
Ai é, Galvão!
Phoska-se! Não sabia que havia aí mulheres aos pulos, doidas por ir à praia de burquini!
Não há aí confusão nem nada?!

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