Passos Coelho: “Bonjour Tristesse!”…


O deambular da política nacional durante esta semana exibiu um episódio que nos traz à memória o célebre romance “Bonjour Tristesse” de Françoise Sagan. Tratando de um romance sobre uma adolescente e as suas relações com a entourage familiar e íntima, acaba por encaixar-se perfeitamente no decorrer dos acontecimentos fabricados ou vivenciados,  já em plena reentré (política), onde o PSD, ressabiado e ‘orfão’ de poder, tenta manter-se à tona de água…

Por outro lado, António Costa, em viagem para as Berlengas (a atracção dos políticos nacionais pelo ‘insularismo’ remoto e desabitado merecia ser analisada) teve, em relação aos últimos desenvolvimentos protagonizados pelo Dr. Passos Coelho, na semana em curso, uma prestação desinibida, franca e bastante esclarecedora, com palavras directas e inteligíveis realçou alguns dos aspectos caricatos ocorridos. 

O marco colonizador da comunicação social durante esta semana foi, como todos testemunhamos, a ‘Universidade de Verão’, em Castelo de Vide, onde se reuniram jovens militantes do PSD ('jotinhas') para ouvir falar de política. Foi um verdadeiro massacre de comunicações e  prestações, pejadas de objecções, repulsas e de quadros dantescos.
Aí, nada de importante foi dito ou acrescentado sobre bases programáticas ou ideológicas desse partido que, mais uma vez, exibiu penosamente a vacuidade da sua doutrina.
Surgiram em catadupa críticas à actual governação, feitas pelos ‘sociais-democratas’ de serviço, coadjuvados, aqui e acolá, por personalidades históricas do regime (caso de Jaime Gama) .
Os dirigentes do PSD ‘pintaram a manta’ de negro para, provavelmente, agradar ao chefe e tentaram ilustrar a ameaça do seu líder acerca da vinda do diabo (prevista para este mês).

Sobre estas múltiplas prestações avulsas onde cada um procurou ser mais dramático e rebarbativo do que o orador precedente e, ainda, sobre o ridículo egocentrismo narcisista de Maria Luís Albuquerque (que parece ainda sonhar com uma límbica vida de governante link) a tirada proferida por António Costa a caminho das Berlengas caiu a matar. Trata-se, de facto, da fatídica marcha de um ‘comboio fantasma’. Explicitando melhor, o primeiro-ministro, acrescentou estar em presença de “um enorme vazio de ideias relativamente ao futuro” link.

Mas verdadeiramente assertiva e demolidora foi a conclusão:
“…O Dr. Passos Coelho… é uma tristeza, mas ficou lá atrás. Tenho pena… ” .

No palco – e já sem o brilho da iluminação da ribalta - permanecem sombrios (e cinzentos) actores que murmuram em voz baixa (cochicham) um encoberto e desacreditado programa de ‘austericídio pretensamente libertador’, que já não ousam representar em cima das tábuas, mas que no seu casulo o 'ponto' continua a debitar.

Em breve estes figurantes cairão ao fosso da orquestra e pano de boca descerá sobre um palco (vazio), encerrando o 'triste' espectáculo.

Transcrevo, de passagem e um pouco aleatoriamente, um excerto do romance de Sagan:
"Sur ce sentiment inconnu dont l'ennui, la douceur m'obsèdent, j'hésite à apposer le nom, le beau nom grave de tristesse. C'est un sentiment si complet, si égoïste que j'en ai presque honte alors que la tristesse m'a toujours paru honorable. Je ne la connaissais pas, elle, mais l'ennui, le regret, plus rarement le remords. Aujourd'hui, quelque chose se replie sur moi comme une soie, énervante et douce, et me sépare des autres." (Bonjour tristesse, F. Sagan).

É isso: “... l'ennui, le regret, plus rarement le remords. ”

Bonjour!

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