Isabel Barreno

Conheci o nome há 45 anos. Admirei-lhe a coragem, a participação cívica e a luta contra o obscurantismo. Tornei-me seu leitor.

Foi uma das três Marias perseguidas pela Pide, que os Tribunais se preparavam para condenar, quando não era pequena a condenação de ser mulher. Viram o processo judicial terminar com a absolvição. Depois do 25 de Abril, naturalmente.

(Maria) Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e (Maria) Teresa Horta tiveram a ousadia de escrever as «Novas Cartas Portuguesas», como se as mulheres tivessem direito a pensar, escrever e ser livres.

Ontem, à tarde, faleceu Isabel Barreno. Rasgou-se mais uma folha do livro da resistência ao fascismo.

Não são as mulheres que lhe devem agradecer a luta pela emancipação feminina, somo nós, homens, por nos ter ensinado que só seremos livres com elas.

Comentários

Jaime Santos disse…
Uma bela e singela homenagem, a lembrar a passagem de Melville (em 'Mardi') que refere que nesta república (uma terra imaginária que representa os EUA) todos os homens nascem livres, exceto os da tribo dos Hamo (dos negros), ao que uma das personagens replica que a segunda cláusula anula a primeira ("Ah, ye republicans!"). É disto mesmo que se trata, numa República onde todos nascem livres e iguais, ou são todos livres e iguais, ou ninguém é...

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