Passos Coelho: A história dos filhos cegos e das cadelas apressadas…

Passos Coelho exibe evidentes sinais de incontrolado nervosismo. Andou 4 anos e meio a falhar objectivos mas, no presente, ao fim de nove meses de governação PS acha que a ‘solução de governo está esgotada’ link. Critérios.
E acerca da natural participação do seu partido, como Oposição, nos procedimentos legislativos que decorrem na Assembleia da República (o OE será um dos mais relevantes) chama-lhe ‘cumplicidade’.
Disse, na sessão de encerramento da Universidade de Verão, em Castelo de Vide, que não quer ser : “cúmplice de uma solução em que o país tenha de passar por novos sacrifícios apenas para satisfazer um problema de sobrevivência política” link.
E pouco mais disse.
Resta agora desmontar quais são as causas remotas da sua intranquilidade, do nervosismo a raiar o desespero.
Na verdade, a ‘solução governativa’, como Passos Coelho bem sabe, não está esgotada e foi isso que timidamente afirmou na rentrée política no Algarve quando referiu que ‘a geringonça está para durar’.
O preocupante (para o ex-primeiro-ministro) é que estando alguns dos pressupostos dessa solução a ter problemas de execução – e as culpas não serão só internas – começa a ficar (relativamente) visível que o actual governo cumprirá os objectivos do défice, coisa que Passos Coelho nunca conseguiu no seu mandato.
A saída dos procedimentos por ‘défice excessivo’, colete de forças adoptado pela Comissão Europeia e o BCE e plasmado no Pacto das ‘regras de ouro’ imposto pela  Srª. Merkel, cria fundados receios ao orador da ‘Aestas Universitas’  (em latim tem um ar mais erudito) de Castelo de Vide que, no próximo ano, seja, finalmente, possível ‘alavancar’ (para usar um termo do economês) um crescimento que sustente a reversão dos cortes, do desemprego e demais extorsões (fiscais, de direitos e valores) que protagonizou em nome de um eufemístico ‘reajustamento’ que foi deturpando em sucessivos ‘exames periódicos’, em associação com a troika.
Na realidade, o quadro é substancialmente diferente. A resposta governativa encontrada entre o PS e  a ‘posição conjunta’ acordada com o BE, PCP e PEV aposta e luta pela exequibilidade de uma solução que tem congregado o apoio de toda a Esquerda parlamentar.
Passos Coelho, esse sim, tem a sua sobrevivência política dependente do sucesso do actual Governo. Por isso, apresenta-se em público muito tenso e apressado. Nem quer chegar ao fim da execução do OE 2016 que, de conluio com o ex-presidente da República, adiou a sua entrada em vigor perturbando o início e o desenrolar imediato do presente ciclo governativo.
Afinal, o que podemos inferir é que este PSD, liderado por Passos Coelho, ‘esgota’ o seu prazo de validade até à aprovação do próximo OE e à verificação do défice de 2016. Daí a pressa e também daí a recusa em falar, discutir ou, talvez ler, o OE 2017.

Comentários

Agostinho disse…
Universidade de Verão?!
Não passam de sítios onde a barrela é feita ao contrário, ou seja, é acrecentada sujidade às pobres mentes que pretendem um lugarzinho ao sol.
Com professores destes o que é que a rapaziada aprende?
Unknown disse…
É aonde vão os olheiros do Capital olhar os jovens promissores que irão apoiar no futuro, para que cheguem a 1º ministro (na mais interessante das hipóteses).

Eu disse Capital, mas podia ter dito, "os agentes dos acionistas maioritários das empresas do PSI 20". Ou podia ter dito "Os Donos Disto Tudo". São sinónimos.
Unknown disse…
A propósito, o que terá lá ido fazer o lobista Vitorino?

Mensagens populares deste blogue

Nigéria – O Islão é pacífico…

A desmemória e a dissimulação

Miranda do Corvo, 11 de setembro