Durão Barroso (DB) apanhado com a mão no Gold[man Sachs]


O cúmplice da invasão do Iraque afirmou que está a ser prejudicado pelo facto de ser português (só faltou dizer que é por ser de direita) e que o atual presidente da Comissão Europeia (CE) também já trabalhou no nebuloso e pouco respeitável banco.

Só não explicou se o facto de ser português o prejudicou no percurso ínvio que o levou à presidência da CE e não sabe distinguir entre a saída e a entrada, entre o passado e o futuro, entre trazer uma experiência e levar uma agenda de contactos.

O atual presidente da CE é também um homem de mão do PPE, pouco recomendável, mas teve de dar um sinal de que o PPE não pode caucionar todas as levezas éticas dos mais destacados dos seus paquetes.

O que está em causa é, de facto, a promiscuidade entre o grande capital e os centros de decisão política, a porta giratória entre a política e os negócios, mas é preciso salvar as aparências para que tudo fique na mesma.

DB diz que não se juntou a nenhum cartel da droga. É verdade. Preferiu não correr riscos.

O que o tramou não foi a falta de ética, foi o exagero.

Comentários

e-pá! disse…
As questões éticas na política (ou na administração) são muito antigas.
O primeiro códice com a intenção de regular procedimentos é o de Hamurabi datado de há quase 4.000 anos.
Nele estão inscritas as denominadas 'penas de talião' ou seja 'olho por olho, dente por dente'.

Não é essa a pena que Bruxelas quer - ou está a tentar - aplicar a Barroso. O que Bruxelas está a dizer a Barroso é: 'você, não nos comprometa'.
A brusca transição de Barroso entre o cargo político que recentemente largou e os negócios não será um problema do 'português'. O que incomodará Bruxelas é a maneira tosca e pouco inteligente como o 'português' procedeu, denunciando imprudentemente e às escancaras o que faz correr o tio Sam e a Europa.

Mas, de facto, a mais recente aquisição da Goldman Sachs será motivada por questões bem comezinhas.
Para um banco de investimentos com o currículo da GS é - tão somente - mais um 'investimento'. A prazo: trata-se de comprar informação privilegiada e agenda de contactos (enquanto tiverem alguma relevância), como se diz no post.

Não é, portanto, exclusivamente a questão de ética política (promiscuidade entre a política e negócio) que incomoda os formalistas, legalistas e burocratas (de Bruxelas, Estrasburgo ou Frankfurt) mas, também e simultaneamente, o abuso de posição dominante (que não sendo inata é conferida por anteriores 'negócios políticos' num processo de saldo). E esse abuso fere o 'princípio da igualdade' que convém, aos titulares institucionais, respeitar em público (desde a Revolução Francesa).

Barroso assume na 'reforma' a imagem que andou a vida a esconder e que alguns - desde a Faculdade de Direito à mordomia na cimeira das Lajes - lhe colaram à pele, ou seja, a de 'merceeiro da política' e 'feirante de princípios'.
Isto é: compra no retalho, armazena, esquarteja o produto e vende a 'mercadoria' às postas.
Não me admiraria que, quando findar o alto patrocínio dos States (as prebendas são finitas), seja visto numa lota - açoriana (para o fazer regressar ao lugar do 'crime') - a vender postas de cherne.

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