terça-feira, setembro 30, 2008

Justiça chega à Madeira

Associação Ateísta Portuguesa



Iniciativa da AAP na comunicação social:


- Diário Digital
- Expresso
- Público (site indisponível)

Carta de leitor ao DN

Momento de poesia


Dissertação sobre o teu corpo


Descubro as palavras que queres ouvir
e soletro as sílabas nas nervuras
do teu corpo
ensino-te uma nova gramática
com uma outra conjugação dos verbos
de uma nova língua que começas a aprender
nunca ninguém soube entender a sintaxe
complexa do teu corpo, quando divides as orações
na procura das concordâncias
e de todos os complementos circunstanciais
que há para inventar
limitam-se a debitar o sujeito e o predicado
com palavras opacas
que não acariciam nem rasgam a tua carne
e tu só soltas o grito reprimido
quando a frase completa se liberta
na eloquência dos equilíbrios lúdicos
das nossas combinações gramaticais.

Alexandre de Castro

segunda-feira, setembro 29, 2008

Juízes, sim. Sindicalistas, não

O sindicalista António Martins, respondendo a um artigo do Bastonário da Ordem dos Advogados, publicado no último Expresso, insinua que todos os que reclamam contra as intromissões abusivas da exótica Associação Sindical de Juízes na esfera parlamentar e nas funções executivas do Estado, são «canetas alugadas».

Faltam a António Martins a isenção e o bom senso que se espera dos juízes e não pode aguardar que o respeitem enquanto ele não aprender a respeitar os órgãos de soberania livremente eleitos.

O artigo do Expresso, de António Marinho, é lúcido e corajoso. Acusa esse furúnculo sindical (ASJ) de prejudicar a imagem dos juízes e de «contratar agências de comunicação para intoxicar a opinião pública com a propaganda das suas reivindicações sindicais e para denegrir a imagem dos titulares de outros poderes soberanos».

O sindicalista António Martins não desmente e limita-se a acusar o bastonário António Marinho, sem nunca o nomear, de reincidentes falsidades (sem dizer quais), de ódios e ambições, sem fundamentar os primeiros e justificando as segundas com o «colocar-se em bicos dos pés para uma futura candidatura presidencial».

Sempre que o presidente da ASJ fala ou escreve cria anti-corpos contra os juízes. Se quer dedicar-se à política ou ao sindicalismo, demita-se da magistratura.

Este artigo, hoje publicado no DN, é uma vergonha.

Herança neoliberal

Equador - Referendo vitorioso

O presidente do Equador, Rafael Correa, proclamou a sua "vitória esmagadora", este domingo, no referendo de aprovação da nova Carta Magna promovida por seu governo.

Fonte: GUAYAQUIL, Equador (AFP)

Os neoliberalistas com as calças na mão

WASHINGTON – Depois de um fim-de-semana de negociações, o Congresso dos Estados Unidos conseguiu chegar a um acordo sobre o pacote de socorro do governo ao mercado financeiro.

Comentário: Não há quaisquer garantias de que a crise financeira fique resolvida mas, para já, salvam-se os ricos da bancarrota.

domingo, setembro 28, 2008

MARIA KEIL - Homenagem devida (2)


Vale a pena ler o post publicado no blogue «Da Literatura». Merece-o a artista e a cidadã.

Comentário: Peço desculpa aos leitores e a Maria Keil por ter acreditado no post acima referido, cuja leitura recomendei. Maria Keil desmente no «Expresso» o que está escrito no referido post.

Eleições na Áustria e na Baviera: a crise dos Partidos tradicionais

Na Baviera a CSU perde, pela primeira vez em mais de 50 anos, a maioria absoluta.
Mas não à custa de uma subida dos socialistas. Antes de uma maior votação numa lista de independentes e outra de liberais.

Na Áustria, o Partido Socialista (Social-Democrata) conserva o primeiro lugar.
Mas a grande lição destas eleições é a de que o eleitorado puniu aqueles que romperam a coligação governamental entre os social-democratas e os conservadores, designadamente o Partido Popular.

Contudo, a segunda e talvez mais eloquente dedução que podemos fazer é a de que o eleitorado procura, mais uma vez, os partidos não tradicionais.
Na Áustria refugiam-se na extrema-direita populista, nacionalista e xenófoba, que atinge perto de 30%, se juntarmos os votos dos dois partidos desta linha política.

As sondagens em Portugal indicam que a extrema-esquerda se aproxima dos 23%.

Estes dados significam que 1/3 do eleitorado está a entrar em ruptura com os partidos tradicionais: os socialistas e os conservadores.

Procuram alternativas, por vezes em "independentes", outras nos nacionalistas, outras vezes na extrema-esquerda.

É tempo de os partidos socialistas mudarem de rumo. Devem repensar as suas propostas e, sobretudo, a sua forma de fazer política.

É necessário que os partidos socialistas, por toda a Europa, voltem a ter verdadeiro contacto com as classes trabalhadoras, com as classes médias, com o aparelho produtivo, com as classes intelectuais, com as vanguardas culturais e com as redes de acção social.

Isso conduz-nos, mais uma vez, à discussão sobre a figura do "político".

É sabido que a deslocação para os palácios do poder da capital torna muitas pessoas distantes das suas origens e os fazem esquecer da missão para que foram eleitos ou designados.

Assim sendo, devem os partidos ter mecanismos de permante regeneração, de constante "intranquilidade", que conduzam a uma renovação das pessoas e dos processos.

Aqui vão duas propostas:

- limitação a dois mandatos do exercício de cargos no secretariado nacional, distrital e concelhio;

- entrega de declaração de interesses e rendimentos a um órgão de supervisão no Partido;

É tempo de os partidos tradicionais, sobretudo os socialistas, repensarem a sua política.

No mês em que o "capitalismo de casino" à la Reagan ruiu, as eleições na Baviera e na Áustria vieram mostrar que as pessoas confiam cada vez menos nos Conservadores e nos Populares.

Mas também não vieram inteiramente cair nos braços dos socialistas, nem sequer da esquerda.

Antes procuram alternativas mais ou menos nacionalistas ou folclóricas, mais ou menos conjunturais, mas que constituem, mais do que um sinal de alerta, um grito de revolta contra os políticos pequeninos que têm feito carreira na Europa.

INTERPOL aumenta os efectivos

Roma, 27 set (EFE).- A Gendarmaria vaticana, corpo militar que realiza trabalhos de policiamento e de segurança no Vaticano, fará parte da Interpol a partir de Outubro.

Ordem dos Médicos - A corporação acordou

Novo código deontológico permite que assistam 'barrigas de aluguer', mesmo que a maternidade de substituição seja prática vedada por lei. Aprovado na sexta-feira, o código deixa de condenar o aborto e dá mais voz aos doentes terminais que não querem viver a todo o custo.
Comentário: Finalmente a OM reconheceu o anacronismo do código por que se regia.

sábado, setembro 27, 2008

Bush não tem emenda

Comentário: Quem pretende resolver a crise da forma que a provocou, insiste no veneno como remédio.

Desabafo de um leitor

Cada vez que me convenço mais que a América enlouqueceu. É o estertor do império. Em Roma aconteceu o mesmo, com o cristianismo a apanhar os cacos. Agora, serão os evangélicos a chegar-se à frente.

Talvez o esgotado capitalismo anseie por um novo conceito de teocraticismo, que lhe permita sobreviver à catástrofe. Começo a compreender os novos paradigmas do século XXI. A História reserva-nos sempre uma surpresa.

http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20080925170420&z=1

(Vídeo mostra Sarah Palin em oração contra Satanás e «todo o tipo de feitiçaria»).

Alexandre de Castro

G.W. BUSH - - DA GUERRA À BANCARROTA

Por

E – Pá

G.W. BUSH:- DA GUERRA À BANCARROTA

Andou metido em várias guerras, armado em polícia do Mundo e agora tem de lidar com uma dívida pública que atinge, este ano, cerca de 9,6 biliões de dólares, ou seja, cerca de 68 % do Produto Interno Bruto (PIB).

Descurou o interesse público que é a América manter o crédito básico da economia, a transferência de dinheiro, o cartão de crédito e as funções de depósito de cheques e de poupanças.

O Tesouro (FED) só deve comprar hipotecas de alto risco ao preço corrente do mercado e com essa atitude assumir os prejuízos. Só assim se nivela a pirâmide da riqueza. É necessário, modificar as leis da falência, favorecendo os devedores, em vez dos credores.

Os interesses dos cinco milhões de devedores de hipotecas que enfrentam hoje a penhora e a expropriação, resultantes da especulação imobiliária alimentada por bancos comerciais e bancos de investimento (cuja missão é gerirem riscos), corretores de hipotecas, têm de ser colocados acima dos interesses de vorazes credores.

O Plano Henry Paulson/Ben Bernanke não foi aprovado porque pouco mais é do que passar o poder (económico e político) da White House para a Wall Street, em nome da "salvação da economia", retirando ao futuro presidente dos EUA (qualquer que seja) importante capacidade de influência e manobra para governar. É a falência da Administração tradicional dos States.

Mais, o Plano Paulson congrega um conjunto de poderes, sem qualquer supervisão, quer do Presidente, quer do Congresso, que "assusta" o mais feroz liberal.

Por outro lado, não prevê a punição dos responsáveis bancários e das instituições hipotecárias que, como é evidente, sabiam o que estavam a fazer.

Obama, depois com o acordo de McCain, apresentou um projecto incluindo severas "condições" em relação a estes prevaricadores que, para além de punições, redução de vencimentos e mordomias, quase os proibia de "mexer" em dinheiro.

Quando Henry Paulson fala em "salvar a economia" mais não quer dizer do que "safar" os Bancos deste aperto que, os próprios, se meteram. Querem libertar o mercado (que não morreu) para novos empréstimos.Se o Tesouro americano "injectar" os tais 700.000 milhões de dólares previstos no Plano Henry Paulson/Ben Bernanke, no próximo ano, o défice orçamental, no próximo ano, atingirá pelo menos o trilião de dólares, i.e., > de 7% do PIB.

E andamos nós por cá (Portugal/Europa) a apertar o cinto para baixar o nosso dos 3%!

A pergunta que se me levanta é: Tudo isto não se parece com o período pré-Revolução Francesa?

sexta-feira, setembro 26, 2008

Ninguém o leva a sério...

...mas a situação está desesperada.


George W. Bush, insistiu nesta sexta-feira, na Casa Branca, que o país precisa urgentemente de um plano de resgate dos bancos, num momento em que a crise financeira mostra novos sinais de agravamento com a falência do banco Washington Mutual, a venda de ativos anunciada pelo banco belga-holandês Fortis e as bolsas mundiais registrando quedas constantes.

Hospitais da Universidade de Coimbra


Subject: CONVITE do Conselho de Administração __________________________________
Gab. Comunicação, Informação e RP dos HUC
Telef. 00.351.239.400.472 - Ext. Int. 15144
Fax 00.351.239.483.255

No convite feito pelo Conselho de Administração dos HUC a todos os funcionários para a comemoração do dia de S. Jerónimo, em que homenageia funcionários não podia faltar a Celebração eucarística por Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de Coimbra (Capela dos HUC).

A Igreja católica, à medida que perde influência nos cidadãos, ganha poder nas instituições.

A infiltração de prosélitos nos mais altos cargos da Administração Pública conduz ao esmagamento das outras religiões, ao desrespeito pelos livres-pensadores e ao ataque ao carácter laico das instituições do Estado.

Os Hospitais da Universidade de Coimbra tinham no projecto um espaço destinado aos crentes e não crentes onde, nas horas de tristeza, pudessem recolher-se para meditar ou rezar.

É um espaço amplo onde a Igreja católica, na sua gula insaciável, começou por colocar uma cruz, depois o patrono do hospital (santo certamente virtuoso) e finalmente reuniu a sagrada família. Hoje até a Senhora de Fátima jaz numa peanha a lembrar aos católicos que, se querem curas, é a ela que devem meter a cunha para o divino filho.

Há sessenta cadeiras e genuflexórios e, nos anexos, dois capelães ganham a vida a cuidar das almas. Os vencimentos dos eclesiásticos são pagos pelo Hospital. No fundo são médicos das almas sem necessidade de se submeterem a concursos públicos.

É um exagero falar de liberdade religiosa num hospital público onde o espaço de reflexão se transformou numa capela católica, onde os crucifixos sobem pelas paredes das salas de consulta, fixados com adesivo, onde o período de visita aos doentes é interrompido para a comunhão aos doentes e rezas de orações.

Como se vê, os membros do Conselho de Administração do H.U.C. não têm o sentido da ética republicana, confundem funções públicas com devoções privadas, desconhecem a neutralidade religiosa a que os agentes do Estado são obrigados e preferem pôr-se de joelhos a viver de pé.

USA - Eleições sob terramoto financeiro

Washington, 25 set (EFE) - A reunião convocada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com os candidatos à Casa Branca John McCain e Barack Obama e com os legisladores dos partidos republicano e democrata terminou sem acordo sobre pacote para salvar a economia.

No encontro sem precedentes, que durou aproximadamente uma hora, figurões republicanos demonstraram sua oposição ao princípio de acordo alcançado por um grupo de líderes das duas legendas, o que os obrigará a continuar negociando.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Incontinência verbal e exageros autonómicos

O presidente do Governo Regional da Madeira assegura que a ilha vai propor em 2009 uma revisão constitucional em matéria de autonomia política «doa a quem doer», apesar da aprovação do novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores.

Aulas de religião em escolas públicas

Quem defende o ensino laico não pode deixar de se surpreender com a capitulação dos Estados europeus perante o proselitismo religioso. Defender o direito à prática religiosa é um dever irrenunciável das democracias, obrigar-se a catequizar os jovens é um abuso que compromete a neutralidade a que o Estado laico está obrigado.

Três escolas primárias bascas vão catequizar 50 crianças cujos pais são islamitas e quem designará os professores é o Executivo Central das Comunidades Islâmicas de Espanha. É uma situação em tudo semelhante ao que se passa com o catolicismo, em Espanha e Portugal. O Estado paga e o bispo, com poder discricionário, nomeia o professor.

É evidente que uma democracia, em nome da igualdade dos cidadãos, não pode negar a uma religião o que concede a outra. Não deve, todavia, promover a fé religiosa porque a escola educa para a cidadania e não para a salvação da alma.

Há uma discussão urgente a travar na Europa antes de se agravarem as tensões racistas e xenófobas – saber até onde se deve consentir no espaço público o proselitismo agressivo das religiões. Permitir a construção de uma mesquita é um dever democrático, exigir à Arábia Saudita e ao Irão, por exemplo, a autorização de construção de mesquitas, igrejas cristãs e espaços ateus é um dever da comunidade internacional.

O pluralismo é uma conquista civilizacional e a reciprocidade uma regra do direito internacional. Depois disto, fica ainda a proibição de divulgar ideias racistas, xenófobas, misóginas e a promoção do ódio pio, da tortura e da pena de morte.

Um Estado democrático não pode tratar uma confissão religiosa de forma diferente da que usa para associações políticas, cívicas ou desportivas, sejam elas beneméritas ou de malfeitores.

Nova ameaça ao Planeta

Cientistas a trabalhar no Ártico [sic] asseguram que descobriram uma nova ameaça para o aquecimento global. Milhões de toneladas de gás metano, 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono, estão a escapar para a atmosfera desde dos [sic] fundos marinhos da plataforma continental siberiana.

Os depósitos de metano sub-aquáticos estão a ser libertados para a superfície sob a forma de bolhas de ar na região do Ártico, [sic] medida que a região aquece e o gelo recua, segundo noticia hoje o jornal “The Independent”.

Fonte: 23.09.2008 - 18h26 PÚBLICO (link indisponível)

Comentário: A ameaça é grave, ao planeta e ao português.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Itália - Há juizes fascistas?

Tribunal italiano retira a custódia da mãe a um filho que, com 17 anos, está filiado na Refundação Comunista.

Fundamento? É filiado numa organização extremista!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sinais dos tempos, em que o fascismo volta a mostrar as garras.

(enviado pelo leitor ALC)

Nota: A Refundação Comunista fez parte do Governo Romano Prodi.

O medo é mau conselheiro

Os mais empedernidos neoliberais vêem o seu universo ideológico desabar com o caos financeiro que ameaça o sistema bancário mundial. Para cúmulo da vergonha, é Bush quem fala em vigiar os mercados, ele que só gostava de vigiar ditadores com reservas petrolíferas e acreditava na bondade divina das bolsas de valores.

Os inveterados nostálgicos da URSS rejubilam com a crise dos mercados, felizes por verem a análise marxista confirmada com uma crise cíclica do capitalismo, que não se prevê como acaba, e o desmoronar da economia mundial e dos paradigmas actuais.

Não foi Marx, que não era profeta mas um economista estudioso, que criou um regime demente e pôs Estaline no poder. Foi o horror ao mercado e a fé irracional no Estado que criou uma perversidade de que os herdeiros tardam em pedir perdão.

Os países desenvolvidos e os em via de desenvolvimento estão aturdidos com o desastre económico e temem pelo futuro. As populações, desorientadas, não se conformam com a perda do poder de compra e votam em salvadores que lhes prometem o Paraíso.

Na América do Sul o centro de gravidade política desloca-se para a esquerda e procura soluções que já fracassaram, entregando o poder a populistas e demagogos, com Lula a ser um fiel da balança com inegável bom senso político e notável brilho.

Em África, a fome avança acompanhada da SIDA e os povos vivem o desespero a que um bando de corruptos os conduziu.

A Europa, que era um modelo de estabilidade e bom senso, vai-se entregando nas mãos de uma direita que navega entre a crença no liberalismo económico e a nostalgia de soluções musculadas.

Se a memória me não falha, só há três países onde permanecem governos de esquerda com tímidas soluções sociais-democratas que os mais duros esquerdistas acusam de responsáveis pela deriva direitista como se não fossem eles próprios os responsáveis pelos receios colectivistas que instintivamente transmitem às populações.

No Reino Unido, um dos três, só faltam as eleições para ser despedido, esquecido o eleitorado do que ficou a dever a Blair e de que os conservadores também foram cúmplices no crime do Iraque.

Há certa esquerda a rejubilar com o avanço da direita, como se o extremar de posições e o regresso a regimes autoritários facilitassem amanhãs que cantem. A moderação e a sensatez não são, definitivamente, a conduta espectável do eleitorado em situações de crise.

Haja esperança.

O PODER OU A IRRESPONSABILIDADE DOS JUÍZES

É um escândalo. E não venham justificar-se com o novo Código de Processo Penal. É assim que se combate o terrorismo e a criminalidade em Portugal? Até parece de propósito e não há quem meta na ordem os deuses do Olimpo. Intocáveis.

in BOX-M:::::::Caixa de Ideias, por Lília Bernardes

O fundo roto

O Banco Central Europeu injectou mais 180 mil milhões de euros no sistema financeiro. É mais uma operação de refinanciamento para responder às dificuldades de liquidez do mercado.
tamanho da letra

A decisão do BCE visa satisfazer uma procura dos bancos que ultrapassa os 330 mil milhões de euros.

Óbvio ululante

O Presidente da República acredita que a crise financeira e económica que está a assolar os EUA vai afectar os portugueses. Cavaco Silva considera que os responsáveis pela crise que se instalou nos mercados são os "reguladores, supervisores, bancos centrais, com a invenção dos produtos financeiros".

Comentário: Dez milhões de portugueses estão em sintonia com a profecia do PR.

terça-feira, setembro 23, 2008

O mundo anda perigoso

Os mercados petrolíferos viveram ontem um dia sem precedentes, com os preços a dispararem à medida que se aproximava o fecho da sessão em Londres e em Nova Iorque. O preço do barril de crude aumentou cerca de 25 dólares, a maior subida diária de sempre, para os 130 dólares, valor mais alto desde finais de Julho deste ano.

Não Apaguem a Memória

Valorizar a história das lutas pela liberdade e preservar a memória da resistência à opressão do Estado Novo são finalidades da associação/movimento cívico "Não Apaguem a Memória!", cujo núcleo do Porto promove, no decorrer dos meses de Setembro e Outubro, as seguintes actividades:


Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

17.30 h - Inauguração da exposição de fotografias de Orlando Falcão
"Tarrafal, lugar de memória"

Museu Militar do Porto (edifício da delegação do Porto da PVDE/PIDE/DGS,
sito na esquina da Rua do Heroísmo com o Largo de
Soares dos Reis)

21.30 h - Plenário regional de sócios, aderentes e activistas do movimento
"Não Apaguem a Memória!"

Auditório do Sindicato de Professores do Norte, sito na Rua D. Manuel II, 51-C, 2º andar (Porto)


Sábado, 25 de Outubro de 2008

Museu Militar do Porto (edifício da delegação do Porto da PVDE/PIDE/DGS, sito na esquina da Rua do Heroísmo com o Largo de Soares dos Reis)

15.30 h - Conferência pelo Prof. Doutor Manuel Loff:
"O Tarrafal e a Opressão Salazarista"

16.30 h - Debate

18 h - Encerramento da exposição de fotografias de Orlando Falcão
"Tarrafal, Lugar de Memória"

Momento de poesia


Já não precisamos de tirar as máscaras


Já não precisamos de tirar as máscaras
para nos revermos um no outro.
Elas podem ficar
para o próximo Carnaval
ou até para jogar à cabra cega
quando quisermos regressar
aos sonhos da infância.
Assim, ficaremos escondidos
na sombra solitária de cada um
iremos secar a boca no deserto
depois de fecharmos todas as portas
atrás de nós.
Já não voltaremos a fingir
que inventámos o amor.
Ele já está inventado
no meu poema!

Alexandre de Castro

segunda-feira, setembro 22, 2008

Momento zen de segunda


João César das Neves virou ateu


Na homilia de hoje, no DN, João César das Neves começa por apelar a uma espécie de Declaração Universal dos Direitos de Deus e acaba numa pungente exteriorização de ateísmo.

Entre os desvarios místicos do prólogo e a decepção ateísta do remate da prédica “Deve ser horrível ser Deus”, há as lucubrações beatas de um crente que se esgotou, que, de tanto erguer as mãos para o Céu, as viu mirrar, de tanto implorar sem ser atendido, se vê perdido no mar da incerteza, duvidando de Deus mas com fé inquebrantável no Papa.

Começa por perguntar: «Já pensaram na pachorra que é preciso para ser Deus? Lidar com toda a humanidade ao mesmo tempo deve ser horrível. É que Deus tem de conviver com todo o tipo de pessoas». (Incluindo as que não tomam banho).

Depois, queixa-se do desprezo a que o seu Deus é votado: “Muitos não Lhe ligam nenhuma. Aproveitam tudo o que Ele lhes dá, sem sequer uma palavrinha para agradecer aquilo que, afinal, é tudo o que eles têm e são. Por vezes até exigem mais, invocando direitos inalienáveis”. (Nem um cabritinho lhe dão, os ingratos).

JCN é a réplica profana da Madre Teresa de Calcutá. Cansado de pregar aos ímpios, foi-se desiludindo com o silêncio de Deus, perturbado com a sua ausência e, numa síntese entre a superstição e a razão, acabou a desabafar:

«Ser Deus é tão horrível que, se Ele viesse a este mundo, as coisas iam correr mal de certeza». (Pior, ainda)?

JCN sabe que não vem, mas deve ser desolador, depois de uma vida de crente, ter de confessar que Deus não habita este mundo (o único que existe) e que não virá. É deste vazio que nascem as seitas que ameaçam: «Vem aí»!

E em Portugal?


A maioria dos espanhóis defende a aprovação de uma nova lei do aborto e a regulamentação da eutanásia para doentes terminais, dois dos projectos legislativos que o governo socialista quer fazer avançar esta legislatura.

domingo, setembro 21, 2008

Claro que há...

... mas a razão é outra.
.
*
Comentário: Ninguém esquece a situação financeira em que deixou as Câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa e, finalmente, o País.

Ele sabe do que fala

Liberalismo com as calças na mão

O departamento americano do Tesouro revelou neste sábado detalhes do plano de 700 bilhões de dólares do governo para socorrer o setor financeiro dos Estados Unidos, que prevê mais poder de decisão para o secretário Henry Paulson.

sábado, setembro 20, 2008

Que dignidade e que família?

A mensagem divulgada ontem pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso por ocasião do fim do Ramadão foi bem aceite pela comunidade muçulmana. A mensagem tem como tema “Cristãos e muçulmanos: juntos pela dignidade da família”.

As religiões guerreiam-se entre si, mas unem-se contra os infiéis. Não parece tratar-se de um acto de paz mas de uma declaração de guerra contra a laicidade.

Não sei o que entende por família o Pontifício Conselho, o que pensa da poligamia essa associação misógina e o que pensa dos castigos corporais infligidos pelos homens às mulheres, permitidos pelo Islão.

Posso afirmar que o Vaticano considera a mulher como portadora do «pecado original», exceptuando a mãe de Cristo de tão ultrajante estigma.

Sei o suficiente do Islão para conhecer como trata as mulheres, por vontade do Profeta, e como se esmeram os biltres que pregam nas mesquitas europeias a ensinarem como lhes bater sem deixar marcas.

Gostariaa que o Pontifício Conselho se pronunciasse sobre a lapidação para o adultério (feminino, claro) e se acha que contribui para a dignidade da família que juntou ambas as religiões.

Em relação à família convém ouvir quem a constitui nos países democráticos.

Citação

Quanto ao Génesis, primeiro livro da Bíblia, que agora seria definitivamente arrumado, é preciso dizer que se trata de um livro religioso e não de ciência: utiliza linguagem mítico-simbólica para falar de Deus criador. Os crentes há muito deveriam saber isso. Quem quiser lê-lo à letra habita ainda o universo do ridículo.

Anselmo Borges - Padre e professor de Filosofia DN, hoje.

Ultraliberal depois de uma semana para esquecer

Onde está a defesa da não intervenção do Estado na economia?

Factos & documentos

Fonte: Nair Alexandra (Revista Única, Expresso, hoje).

sexta-feira, setembro 19, 2008

Mortos impedidos de votar

O PCP acabou por votar ao lado do PS a favor do fim do voto por correspondência dos emigrantes. PSD e CDS votaram contra, com o Bloco de Esquerda a acabar por preferir abster-se.

O inefável Vasco Graça Moura II

Para além da polarização ideológica, VGM demonstra, no artigo referido pelo post do Carlos Esperança, falta de conhecimento- ou polarização confirmatória (um erro cognitivo ou falácia que se verifica quando se seleccionam apenas os factos que confirmam a tese que se está a defender, descartando aqueles que não a suportam)- sobre a história política dos EUA.


Afirmar, de forma tão categórica, que os principais marcos da emancipação dos afro-americanos se têm historicamente atribuído ao Partido Republicano e não ao Partido Democrático, ignorando a evolução ideológica histórica dos dois partidos, é um erro crasso (ou uma falácia). Até meados do século XX, o Partido Democrata situava-se no quadrante da direita anti-federalista americana, sendo a sua base de apoio eleitoral a população dos estados agrários, religiosos e segregacionistas do Sul e do Midwest. Lentamente, a partir de 1912, reposiciona-se ideologicamente ao centro esquerda, liberal nos costumes, e intervencionista na economia. Esta "troca de papéis" consolida-se com o Crash de Wall Street de 1929 e com o New Deal de Roosevelt, passando os Democratas decididamente à esquerda do espectro político. A troca de papéis finaliza-se com a implementação das políticas económicas neoliberais de Friedman e da Escola de Chicago pelo Partido Republicano durante a presidência de Nixon e de Reagan. Os republicanos conquistam  eleitorado conservador, religioso e agrário, e os democratas o eleitorado urbano.

Ora, atendendo a este reposicionamento ideológico, é absurdo comparar o partido republicano do século XIX, progressista, federalista e humanista, com o actual cocktail "conservadorismo evangélico+National Rifle Associaton+neoliberalismo económico" que caracteriza o "Grand Old Party" desde Nixon, passando por Reagan e culminando com Bush I e Bush II. Tal como é absurdo comparar o partido democrático do século XIX, anti-federalista, esclavagista e segregacionista, com o actual posicionamento ideológico libertário, progressista e social que caracerizou Kennedy, Carter ou Clinton.

VGM é comentador semanal de um dos principais diários portugueses de referência. Tem a obrigação de fundamentar melhor as suas opiniões. Estaria melhor a ler um livro sobre história dos EUA, escrito por um historiador norte-americano, do que a ancorar-se num artigo de um autor francês, no jornal francês Le Figaro (de direita gaulista, pois claro). Isto faz-me lembrar o estudante menos diligente que, não querendo digerir o manual da cadeira, se fica pelos resumos do marrão da turma. VGM, poeta e tradutor de renome internacional, tem demasiada categoria para limitar a sua fundamentação a vulgatas.

VGM conclui o seu artigo salientando que a eleição de Obama pode sair muito cara à Europa, e que "felizmente" parece que McCain vai ganhar. Desde as alusões de McCain ontem a um alegado défice democrático na América do Sul, palpita-me que VGM padece de excesso de optimismo... mas enfim la droite oblige...

EUA – Fim do mito da economia liberal

Crash 1929


A política dos neoconservadores americanos está a ser derrotada em todas as frentes. No campo da ética e da política externa há muito que deixara de ser uma vergonha nacional para se transformar numa tragédia global.

Dick Cheney, esse sólido talento, com fortuna feita de petróleo, era o alto paladino da desregulação dos mercados e da economia privada. Bush, depois da cura do álcool, tornou-se um fervoroso militante evangélico e da guerra preventiva.

Havia a ideia de que a dupla era pouco recomendável mas inofensiva para a economia e a criação de emprego. A bolsa batia recordes enquanto em Guantánamo e Abu Graib se torturavam presos, as exportações aceleravam enquanto os soldados morriam no Iraque e o PIB aumentava à medida que a NATO instalava bases de mísseis à volta da Rússia.

Longe vão os tempos em que Bush falava directamente com Deus e mais longe ainda o dia em que perdeu as eleições para Al Gore e se tornou presidente dos EUA. A sólida fé no mercado deve ter vacilado quando se viu na necessidade de resgatar da falência as instituições de crédito hipotecário Freddie Mac e Fannie Mae. A seguradora AIG deve tê-lo tornado um agnóstico em relação ao mercado mas a insolvência poria em causa 74 milhões de pensões, risco que conduziria ao desastre republicano nas próximas eleições presidenciais.

O bando de Chicago, com o defunto Milton Friedman à cabeça, fez escola em todo o mundo, mas são cada vez mais os discípulos arrependidos. Enquanto o banco Barclays compra o Lehman Brothers ao preço da chuva e o Morgan Stanley negoceia a fusão, para se salvar, já se especula sobre o destino da Morgan Stanley e da Godman Sachs. Ninguém tem as poupanças seguras, nem nos EUA nem fora, mas os que mais sofrem são os que não têm qualquer aforro.

Apostila – Por que motivo, em Portugal, não aparece, agora, alguém, no PSD ou no CDS, a insistir na privatização da CGD e da Segurança Social? Nem um tal António Borges, vice-presidente da Dr.ª Manuela Ferreira Leite? Nem Pedro Passos Coelho?

Israel - Direita perdeu à tangente...

... por isso, reclama novas eleições.

O chefe da oposição de direita israelita reclamou, esta quinta-feira, a realização de eleições antecipadas depois da eleição à justa de Livni para a chefia do partido no poder. Entretanto, o chefe da diplomacia portuguesa mostrou-se entusiasmado com a vitória da ministra.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Lei do Divórcio


A aprovação da Lei do Divórcio, com alterações irrelevantes sob o ponto de vista ideológico, constitui uma derrota para o Presidente da República que piedosamente a vetara e vai, agora, promulgá-la, embora pudesse vetá-la de novo em virtude dos retoques sofridos.

Com excepção da viúva de Sousa Franco, ornamento fúnebre da bancada do PS, votaram a favor da lei o PS, PCP, BE, Verdes e onze deputados do PSD, mais quatro do que antes do veto.

É aqui que reside o picante desta votação. Cavaco tem cada vez menos peso no seu partido e Manuela Ferreira Leite é vista cada vez mais como a presidente do Presidente.

MARIA KEIL - Homenagem devida

Vale a pena ler o post publicado no blogue «Da Literatura». Merece-o a artista e a cidadã.

As eleições presidenciais dos EUA

Após dois mandatos de George W. Bush, a eventual eleição de McCain é aterradora. Depois de um presidente que invadiu o Iraque por ordem divina, indiferente à verdade e ao direito internacional, talvez sequelas do alcoolismo, conviria alguém com cultura e sensibilidade para usar o imenso poderio militar e económico dos EUA a favor da paz.

Quando se esperava que a demência dos neoconservadores fosse punida nas urnas e os democratas reiniciassem um período civilizado de relacionamento com a Europa e de respeito pelos outros povos, sem ameaças à Rússia nem apoio incondicional a Israel, eis que a América rural e beata viu na inculta Governadora do Alasca a versão feminina de Dick Cheney, para persistir na tragédia dos republicanos ligados ao petróleo e à oração.

Se o senador McCain for eleito e o Senhor servido de o chamar à sua divina presença, e se algum azar ou interesse particular lhe reservar o destino de Kenedy, os EUA terão a primeira mulher presidente e o mundo razões para ter medo.

Já alguém se deu conta do que seria uma apaixonada por armas, a mulher que à leitura de um livro prefere uma caçada, a criacionista convicta e militante, à frente dos EUA?

A entusiasta da pena de morte, contrária ao aborto nos casos de violação e incesto, pode tornar-se presidente dos EUA por acaso da sorte e vontade do eleitorado que demorou a detestar Bush mas, distraidamente, lhe pode prolongar a política.

É difícil prever as consequências do colapso financeiro em curso e dos desmandos do liberalismo económico nas próximas eleições, mas os ventos republicanos semearam tempestades de efeitos imprevisíveis. Bush já ultrapassou largamente Hugo Chávez na dimensão das nacionalizações a que procedeu. E como as abominava!

Ponte Europa/SORUMBÁTICO

A insustentável leveza do mercado


O que aconteceu com a maior companhia aérea italiana, que já foi o orgulho do o país e hoje vive dias de crise?

quarta-feira, setembro 17, 2008

EUA - Fúria nacionalizadora


A AIG conseguiu escapar à falência, mas vai ficar praticamente nacionalizada. O banco central norte-americano anunciou que vai fazer um empréstimo que poderá chegar aos 85 mil milhões de dólares e vai receber uma participação de 79,9 por cento do capital do maior grupo de seguradoras dos Estados Unidos.
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Comentário: Bush já nacionalizou mais activos financeiros na última semana do que todos os Governos da América do Sul nos últimos anos.
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Apostila: Será Bush um gonçalvista?

Vaticano na vanguarda da ciência

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Vaticano disse nesta terça-feira que a teoria da evolução é compatível com a Bíblia, mas não planeia um pedido de desculpas póstumo a Charles Darwin pela fria recepção dada a ele há 150 anos.

A falência do modelo económico

O número de pessoas que passam fome no mundo passou de 850 para 925 milhões, em 2007. Estes são números da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação divulgados pelo director-geral da organização, Jacques Diouf.

O inefável Vasco Graça Moura

O inefável Vasco Graça Moura (VGM), grande escritor, sofrível cidadão, medíocre político e execrável apologista de Bush, já iniciou o apoio a McCain e o branqueamento de Bush. Não é o intelectual que escreve, é o almocreve do cavaquismo e panegirista de serviço de todos os líderes do PSD.

VGM nunca compreendeu que a guerra do Iraque foi um crime nascido da mentira e dos interesses do petróleo. A sedução pelo brilho intelectual e ético de Bush, Aznar, Blair, Berlusconi, Barroso e outros dirigentes pouco recomendáveis, não o deixou reflectir sobre a alegada «ordem» de Deus, dada directamente a Bush, para a invasão.

Na propaganda semanal do DN, de hoje, depois de demasiadas tolices e da tentativa envergonhada de defender Bush, resolve atacar Obama. VGM está ao nível dos sólidos talentos que dão pelo nome de José Manuel Fernandes e Luís Delgado. São farinha do mesmo saco, comissários políticos do mesmo naipe.

O artigo de hoje termina desta forma lapidar: «A eleição de Obama poderá sair muito cara a uma Europa em crise múltipla, pateticamente destituída de qualquer capacidade militar digna desse nome e cronicamente dependente do parceiro americano para a segurança dos seus cidadãos e do seu território. Sabe-o a esquerda, e por isso exulta. Sabe-o a direita, mas só agora começa a dizer alguma coisa. Enfim, afigura-se que McCain vai ganhar. Felizmente».

Se o avençado plumitivo do PSD visse estas fotografias de Bush, talvez fosse mais sóbrio e sensato.

Bolívia - Crise

BOLÍVIA – CRISE
Unasul declara apoio a Evo e pede investigação sobre Pando
A reunião de nove líderes da União das Nações Sul-Americanas em Santiago do Chile ontem (15/9) formou uma comissão para investigar o massacre de camponeses em Pando, departamento de oposição ao governo.

BOLÍVIA – CRISE
Sobrevivente relata massacre de Pando
Sobreviventes do massacre promovido pelos cívicos de ultra-direita em Pando, ao norte da Bolívia, relataram que a chacina teve crianças entre as vítimas.

Fonte: Agencia Informativa Pulsar Brasil [suscripciones@agenciapulsar.org]

terça-feira, setembro 16, 2008

Opus Dei e Islão. Trégua ou proselitismo?

Com algum atraso...


O executivo camarário de Pombal pode embebedar-se

O presidente da Câmara critica a actuação dos "dois jovens agentes da GNR" que detiveram o seu vereador a conduzir com excesso de álcool. Diz que a sua conduta devia ser averiguada superiormente.

Comentário: O presidente da ANM cala-se? Só falta punirem os agentes por cumprirem o dever.

Igreja católica regressa ao terrorismo ideológico


Na Europa, a Igreja católica parecia conformada com a civilização e a modernidade. O catecismo terrorista, anterior ao concílio Vaticano II, parecia definitivamente proscrito. Mas ninguém sabe do que o clero é capaz, que demónios pode acordar, que raiva o pode acometer nas guerras santas que anseia ressuscitar.

Nem os telhados de vidro demovem a Igreja das obscenas comparações com o nazismo que o preconceito cristão anti-semita bastante estimulou, nem a crueldade das Cruzadas, da evangelização, da Reforma e do santo Ofício a modera na agressividade demente com que pretende reescrever a História e formatar os adolescentes.

Um manual escolar, escrito por José Ramón Ayllón e Aurelio Fernández, utilizado em colégios católicos privados espanhóis, é um manancial de intolerância, mentira, ódio e reaccionarismo, mais próprio de quem prepara suicidas do que de quem aspira a formar cidadãos.

A homofobia é levada a extremos próprios de quem pretende exorcizar os seus próprios demónios, a IVG é comparada ao Holocausto e o divórcio é apresentado como a primeira causa de morte dos adolescentes, nos EUA.

A reprodução medicamente assistida é para os autores do livro, destinado a jovens com idades de 14 e 15 anos, o que o toucinho é para Maomé.

O preconceito e o reaccionarismo são o caldo de cultura onde a Igreja católica alimenta a fé nos seus colégios espanhóis e envenena a sociedade plural com os seus prosélitos.

A sociedade muda, o mundo transforma-se, mas a Igreja católica tende a perpetuar as crueldades que a consciência das sociedades plurais e democráticas reprovam. As três religiões do livro estão cada vez mais próximas – na intolerância, no proselitismo e no espírito medieval.
*
Nota: Cartoon de Brito, um dos mais prestigiados cartoonistas franceses, nascido em Portugal, a quem o Ponte Europa agradece a autorização expressa para a sua publicação.

Momento de poesia

Ficaram muitas coisas por dizer...

Ficaram muitas coisas por dizer
no recorte frio das ausências,
e as feridas abriram-se novamente,
lembrando dores antigas,
mais profundas

Ficaram muitas coisas por dizer
na afirmação dos dias não cumpridos,
daquele dia de Outono, já distante,
em que iniciámos o percurso
sem regresso

Diluiu-se o tempo
no sorvedouro da vida já vivida,
e a imagem do teu corpo,
do teu rosto,
ficou imóvel na memória

Mesmo agora,
depois de voltar a ver-te
nessa densidade de mãe madura
à espera que a vida se esvazie,
se desvaneça
envelheça
continuo a imaginar-te como eras
na envolvência vigorosa dos nossos corpos
naquele tempo de urgências
sem esperas.

Alexandre de Castro

segunda-feira, setembro 15, 2008

BOLÍVIA – CRISE

Governos discutem crise na Unasul, OEA participa

Nove presidentes da América do Sul estarão reunidos hoje (15/9) em Santiago do Chile para uma reunião de emergência da União das Nações Sul-Americanas, a Unasul. O encontro foi convocada pela presidente temporária do bloco, a mandatária chilena Michelle Bachelet. O conflito entre governo e oposição na Bolívia é o primeiro a ser enfrentado pelo organismo, que foi fundado em Maio.

Entre os presidentes que vão marcar presença na reunião estão o venezuelano Hugo Chávez, que já falou em intervir com força militar no conflito boliviano se considerar necessário, e o presidente Lula.
Também estarão lá os presidentes do Paraguai, Equador, Uruguai, Argentina e Colômbia. A presença mais esperada, contudo, é a do próprio Evo Morales.
O encontro, de apenas um dia, poderá apontar um caminho político de solução pacífica para a crise boliviana

A Organização dos Estados Americanos vai participar do encontro da Unasul na figura de seu secretário geral, José Miguel Insulza.

Em entrevista ao chegar a Santiago, Insulza disse que “ou se faz um acordo para o fim imediato das hostilidades e se passa à negociação, ou a situação pode ficar irreversível”.

O secretário da OEA já adiantou vários pontos de sua posição. Ele vai se pronunciar pelo respeito às autoridades constituídas e expressar repúdio à possibilidade de um golpe ou divisão da Bolívia.

(pulsar/abi)

Comentário - O silêncio cúmplice da comunidade internacional deixa o campo aberto a Hugo Chávez.

Processo Casa Pia – Cabala contra o PS?

O veredicto de um tribunal superior que qualificou de «erro grosseiro» a prisão do deputado Paulo Pedroso, decidida pelo juiz Rui Teixeira, deixou o país perplexo.

As pessoas lembram-se do ar discreto e sofredor com que o experiente magistrado se dirigiu à Assembleia da República a pedir o levantamento da imunidade parlamentar, com as câmaras da TV atrás; recordam como se refugiava da exposição mediática em ralis todo-o-terreno, como pesava as decisões às propostas do procurador João Guerra e a modéstia que espelhava nas entrevistas à comunicação social.

Falar-se agora de cabala contra o PS, quando apenas alguns obscuros militantes foram referidos na comunicação social (Jorge Sampaio, Jaime Gama, Ferro Rodrigues, João Soares, Paulo Pedroso) é um arrojo que não encontra justificação. É esquecer o esforço da Dr.ª Catalina para que a verdade fosse averiguada, surpreendida com a podridão da Casa Pia onde numerosos anos de serviço nunca a alertaram para os comportamentos desviantes, tal era a sua bondade e confiança na castidade humana. Calcula-se como a piedosa senhora, amiga do peito e da missa de Bagão Félix, se deve encontrar agora desfeita.

Aliás, deve observar-se a quem aproveitou a prisão preventiva de Paulo Pedroso, apesar do «erro grosseiro»: ao próprio, que se libertou da tarefa de deputado, aumentou a sua notoriedade e obteve uma indemnização pecuniária, e, sobretudo, a Ferro Rodrigues que foi poupado às preocupações de primeiro-ministro, com prejuízo para Durão Barroso, tendo o PS conseguido ultrapassar com o processo Casa Pia as notícias sobre Portas e o CDS com o caso Moderna.

O «erro grosseiro» faz esquecer os esforços da imaculada ministra Celeste Cardona a defender o impoluto director da PJ, Adelino Salvado, o zelador do segredo de justiça perante o jornalista do Correio da Manhã.

A dedicação do PGR Souto Moura no esclarecimento do «Envelope 9» nunca será apreciada.

E, pior que tudo, os telespectadores ficaram privados das entrevistas de D. Catalina, da Dr.ª Teresa Costa Macedo e do Dr. Namora, heróis do imaginário colectivo, que excitaram a opinião pública.

Longe vão os tempos em que o exaltante Dr. Rui Teixeira, quando aparecia na televisão, provocava ais nas donzelas e as aldeias do Portugal profundo se rendiam à sua coragem e sabedoria.

Manifestação de fé


Fonte: Diário as Beiras, hoje.

Factos & documentos

Joseph Ratzinger, que na sexta-feira se reuniu no Palácio do Eliseu, em Paris, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, divorciado duas vezes e casado atualmente com a cantora Carla Bruni, mãe de um filho de um relacionamento anterior, defendeu a família como o “pedestal sobre o qual descansa toda a sociedade”.

Comentário: Há locais e momentos mais oportunos.

No entanto, em alguns casos, aconteceram exceções. Diante do casamento em Maio de 2004 do príncipe Felipe, herdeiro da coroa da Espanha, com Letizia Ortiz, divorciada de um matrimónio anterior, a Igreja católica espanhola aceitou a união religiosa sob o argumento de que o primeiro casamento da princesa havia sido apenas de carácter civil.

Comentário: Há sempre uma desculpa.

Fonte: AFP

Touros de morte e tradição

O foral de Barrancos é um anacronismo que pôs fim ao folclore mediático que levava forasteiros e provocadores ao paupérrimo concelho alentejano. Com um golpe de rins tentou pôr-se cobro ao desafio à lei e justificar, com a tradição, um acto bárbaro. Foi uma decisão que desonrou quem a subscreveu.

Os touros de morte, tal como a luta dos galos, cães e outros espectáculos de violência, que estimulam a crueldade e põem em delírio indivíduos que encontram aí a forma de fazerem a catarse das suas frustrações, são um sinal de atraso civilizacional e um mau sintoma da saúde cívica de um povo.

A tradição é o argumento mais abominável que pode ser invocado. Desde as lapidações e vergastadas que ainda hoje se aplicam sob os auspícios do Corão até às agressões nos lares cristãos e à pena de morte mantida com zelo evangélico nos EUA, todas as abjecções se podem defender em nome da tradição.

A euforia com que na Idade Média se aguardavam os churrascos de bruxas e hereges ou o entusiasmo com que se compravam escravos, dá-nos ideia dos sentimentos perversos que a civilização dominou.

A morte do touro em Monsaraz, uma reedição da farsa de Barrancos, é sintoma do atraso da população, mais medieval do que a encantadora vila alentejana.

Condescender com espectáculos bárbaros, estimular ou, simplesmente, ignorar o desafio à lei, é ser cúmplice da manutenção de tradições que nos envergonham como povo e nos aviltam como cidadãos.

Perante a reincidência destes espectáculos boçais e marialvas recordo-me sempre do turista que viu um indivíduo, antes da tourada, a serrar os cornos a um touro e que lhe perguntou: «também gostava que lhe fizessem o mesmo»?

domingo, setembro 14, 2008

Verdade intolerável

Verdade amarga

*
Nota: O furacão foi desgraça suficiente.

Meia verdade

O Sumo Pontífice permanecerá até segunda-feira em Lourdes, onde a Igreja Católica celebra este ano o 150º aniversário das aparições da Virgem.

Verdade indecifrável

[Os municípios] «... são importantes no combate ao abandono do insucesso escolar».

(Declarações de Cavaco Silva à comunicação social, ontem, ouvidas num noticiário televisivo).

Verdade de La Palisse

O líder da Coreia do Norte é talvez o último ditador comunista vivo. A menos que já esteja morto, claro.

in Correio da Manhã

sábado, setembro 13, 2008

PS procede mal. PR tem razão

Nota: O estatuto dos Açores foi votado por unanimidade. Todos, mas TODOS, os partidos representados na AR procederam levianamente. Persistir no erro é uma tolice.

O «saber» também?

O papa Bento 16 condenou neste sábado os ídolos contemporâneos, incluindo a ânsia por dinheiro, poder e saber, durante uma missa diante de 260 mil pessoas, no segundo dia de sua visita à França.

O Islão desrespeita as crianças

Por

kavkaz
(Leitor do Ponte Europa, devidamente identificado)

A religião muçulmana pode afirmar e ensinar as maiores barbaridades. Um teólogo marroquino, Mohamed Ben Abderrahman Al Maghraoui, teve o desplante de dizer que “uma menina de nove anos dá com frequência um resultado melhor na cama do que uma jovem com 20“. Isto para “legalizar” a união entre um homem adulto e uma menina.

É bem conhecido o facto da religião muçulmana não respeitar frequentemente os “Direitos da Criança“. Neste caso, o tal teólogo deveria estudar o artigo 34º da “Convenção dos Direitos da Criança” que diz assim:

“Tens o direito a ser protegido contra abusos sexuais. Quer dizer que ninguém pode fazer nada contra o teu corpo como, por exemplo, tocar em ti, fotografar-te contra a tua vontade ou obrigar-te a dizer ou a fazer coisas que não queres”.

É mais um caso arrepiante de abuso sexual infantil que tem de ser denunciado!

sexta-feira, setembro 12, 2008

França - Declínio da fé

Os mortos não se puderam defender

Em Madrid, na catedral de Almudena, realizou-se, ontem, o funeral de Estado pelas 154 vítimas do acidente de aviação do passado dia 20 de Agosto.

Um momento católico que está a ser contestado pelos que consideram que se deveria ter optado por uma cerimónia civil na medida em que algumas das vítimas professavam outras confissões religiosas.

A paz vale sempre a pena

HARARE (AFP) - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, chegaram a um acordo para a divisão do poder no país, anunciou nesta quinta-feira o mediador da crise, o presidente sul-africano, Thabo Mbeki.


"Alcançamos um acordo em todos os temas da agenda, e haverá uma cerimônia para sua assinatura nesta segunda-feira, às 10h (hora local)", declarou Mbeki, em uma entrevista coletiva.

França - Em defesa da laicidade

Appel autour de la venue de Benoit XVI en France du 12 au 15 septembre.

Signer l'appel - Voir les signataires

Le pape a le droit de venir en France. Loin de nous l’idée de nous y opposer parce que nous sommes laïques. Mais cet accueil officiel, sur un mode révérenciel et sur fonds publics, ne va pas de soi. [...]

Lire la suite: manifestepape.info

quinta-feira, setembro 11, 2008

Chile - A evocação de um crime


Faz hoje 35 anos, um obscuro general derrubou o Presidente eleito do Chile, Salvador Allende, e deu início a uma longa e sinistra ditadura que permanece como paradigma da crueldade, do arbítrio e da barbárie.


Solidário com os muitos milhares de desaparecidos, torturados, presos e assassinados, o «Ponte Europa» publica hoje, como todos os anos, a foto do frio torcionário Augusto Pinochet.


Para que não se esqueçam os algozes.

EUA - Sete anos após o 11 de Setembro


«O nosso primeiro inimigo não é Bin Laden nem Al Zarqawi, mas o Corão, o livro que os intoxicou». (Oriana Fallaci, jornalista italiana).


Há sete anos não foi agredida apenas a América, a civilização foi posta à prova. O ódio religioso é a lepra que alastra e corrói a base dos sistemas democráticos e põe em risco a civilização.

Faleceu o Meia-Leca

Carlos, foi tão breve a tua vida e tão longa a saudade que deixaste! Quem frequentou o Liceu da Guarda em meados do século passado conheceu a tua irreverência sadia contra o ambiente repressivo e reaccionário. Foste a voz do desassossego, exemplo de rebeldia e o ícone de uma geração de quem mereceste o mais acrisolado afecto.

Os que vieram depois tiveram-te como referência, repetiram os teus ditos, incensaram a tua forma de estar na vida, mas eles não sabem que foste um dos mais generosos jovens do teu tempo, um esbanjador de talento e um homem solidário.

Quando hoje começaram a cair-me no «Outlook» as mensagens que me anunciavam o teu desaparecimento, repentino e inexorável, senti no estômago os murros do destino e a revolta por tão injusta perda. Fomos muitos os que deixaste e a democracia perdeu um resistente que transformou a revolta em consciência cívica.

O teu irmão Jerónimo, para quem foste o ídolo de sempre, deve estar desfeito mas, por este país, milhares de homens e mulheres, que te conheceram ou simplesmente ouviram falar, sabem que morreu o campeão da amizade, mestre da alegria e homem de eleição.

Não cabe nesta evocação magoada o elogio fúnebre que mereces. Espero que alguém, a esta hora, o esteja a fazer na Sequeira onde, ao que me disseram, a morte te apanhou ontem, sem te avisar.

Prefiro recordar aquela aula de história em que o Zé Vilhena esticava um aluno que, na desorientação, localizou o terramoto de 1755 em Coimbra. E, enquanto o Zé Vilhena, repetia, foi em Coimbra, burro, foi em Coimbra? não te contiveste e ainda alegaste que também ainda lá caíram umas casitas!

É assim, Carlos, que quero recordar-te nos dias que ainda for, no tempo que houver.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Big Bang: simulação da criação do Universo

A primeira etapa de uma das mais ambiciosas experiências da História da física foi concluída, hoje, com sucesso.

Foi um grande passo para a ciência e será um enorme avanço para a compreensão do mundo.

É a apoteose da ciência, a glorificação do conhecimento e uma fonte de optimismo para a Humanidade.

O Presidente da República tem razão

Os partidos apresentaram hoje as suas alterações ao diploma sobre o Estatuto Político Administrativo dos Açores, chumbado pelo Tribunal Constitucional. O PS diz que quer pacificar a lei.

Apesar da forma desastrada e da crispação com que o PR se dirigiu ao país através da RTP, a verdade é que tem razão em toda a sua argumentação sobre este assunto.

Os partidos parlamentares, que abdicaram de competências próprias em sede de revisão constitucional, não podem ir mais longe no regabofe que já consentiram, por interesses eleitorais.

Desta vez o PR está em sintonia com o País e, pese embora a forma atabalhoada como exerce o cargo, tem inteira razão.

Os Estatutos Políticos Administrativos das Regiões Autónomas já foram longe de mais. O meu voto nas próximas legislativas levará em conta as decisões que cada partido tomar a este respeito. Para já, neste assunto, gostaria que acolhessem a posição do Presidente da República.

Espaço dos leitores

É do "Punch", e foi publicada em Portugal no "Almanach Bertrand" de 1928 (CMR)

Serviço Militar Obrigatório (SMO)

Discutir assuntos que o tempo e a legislação ultrapassaram é pura perda de tempo. Volto hoje ao SMO porque ontem, a convite do Rádio Clube Português, aceitei discutir o tema com Samuel de Paiva Pires, do blogue Estado Sentido.

Ser-se a favor ou contra o SMO é, à partida, perfilhar uma posição igualmente legítima. Acontece que partiu de um Governo democraticamente eleito a proposta de lhe pôr termo, em 1998, no uso de competência legítima, independentemente da discordância que me mereceu. A situação actual, no plano democrático, é inatacável.

É por isso que, embora sabendo irreversível a situação, continuo a pensar que o SMO, sem discriminação de género, servia melhor o País e teria permitido que houvesse hoje FA de acordo com as necessidades e recursos do País e capazes de honrar os acordos internacionais do Estado português, em missões de paz.

Uma certa esquerda ainda hoje vê as FA como a guarda pretoriana da sinistra ditadura de 48 anos e o instrumento de repressão dos povos coloniais; certa direita não perdoa o acto mais glorioso da nossa História – o 25 de Abril. A minha geração, que sofreu entre 3 a 5 anos de SMO, não esquece o tempo perdido, os companheiros mortos e mutilados e a ignomínia de ter sido um exército de ocupação.

A incompetência de vários Governos, a quem cabia a definição dos objectivos militares, conduziu as FA a um estado comatoso que se arrastou sem honra nem utilidade, com o serviço militar reduzido a quatro meses, e a acabar na exibição do ministro Paulo Portas, durante um dia, perante os mancebos de determinado ano.

As juventudes partidárias do PS, PSD e CDS converteram em causa a abolição do SMO e os respectivos partidos fizeram-lhes a vontade. À falta de melhores causas exibiram a renúncia aos deveres de cidadania e à coesão nacional que o SMO reforçava como a causa das causas.

Hoje, à míngua de recursos humanos e financeiros, perdido o sentido da cidadania, ignorada a coesão nacional, extinto o pacto de solidariedade cívica das várias classes sociais, em torno do SMO, o País caminha para a extinção das FA onde dificilmente pode proceder ao rejuvenescimento dos soldados que assegurem, ao menos, o valor simbólico da instituição.

Apostila – Com o SMO dificilmente algum jovem escreveria um comentário como este:
De Nuno Castelo-Branco a 10 de Setembro de 2008 às 03:40
hehehehehe, vê o aspecto positivo. Estás a imaginar-me a jurar "aquela" bandeira? Nem morto!

Nota: Nuno Castelo Branco é colaborador do Blogue Estado Sentido

terça-feira, setembro 09, 2008

Serviço Militar Obrigatório (SMO). Sim ou Não?

HOJE NO RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS

A convite do Rádio Clube Português estarei hoje, pelas 23H00, a falar sobre o fim do Serviço Militar Obrigatório (SMO) no novo programa dedicado aos bloggers e à blogosfera "Ao Fim do Dia".
.
O meu interlocutor será Samuel de Paiva Pires do blog Estado Sentido.

O profeta Maomé e a sua noiva Aisha

Por
Alexandre de Castro

Ceder até à cedência total

A editora americana Random House, ao acobardar-se, prestou um péssimo serviço ao direito da livre opinião. Por sua vez, os muçulmanos, ao recorrerem à manobra chantagista de reduzirem tudo aquilo que ponha em causa a intocabilidade do Profeta a manifestações intencionais de “ofensas” ao Islão, revelam o seu espírito tacanho, mesquinho e retrógrado, não conseguindo esconder, também, a sua arreigada intenção de pretenderem impôr às sociedades onde se encontram em minoria a sua sectária e irredutível visão religiosa e os seus dogmas absurdos.

A decisão da Random House, ao desistir de publicar o livro “The Jewel of Medina”, da jornalista Sherry Jones, com medo das represálias dos muçulmanos, assim como a recente determinação do governo do Reino Unido, numa manifesta mistificação da História, mandar retirar dos programas escolares todas as referências ao Holocausto, que os muçulmanos não aceitam, sinalizam um vergonhoso recuo em relação à defesa das liberdades democráticas. Não será certamente com este tipo de cedências que o terrorismo islâmico desistirá das suas intenções assassinas.

O medo e pusilanimidade são os melhores ingredientes para alimentar o ódio dos fundamentalistas islâmicos e acicatar a sua motivação terrorista.

Itália - Um imbecil no Governo de Berlusconi

Ignazio La Russa (o da vela mais grossa)
*
O ministro da Defesa de Itália, Ignazio La Russa, afirmou que os militares fascistas da chamada República de Saló (1943-1945), que combateram para impedir a entrada dos aliados, «merecem respeito» porque lutaram para defender a pátria.

Quando um primata com funções de ministro da Defesa, num país democrático, é suficientemente boçal para reabilitar o fascismo através dos militares que, contrariados ou não, se bateram por um dos mais ignóbeis sistemas políticos, não é um governante, é um solípede que ofende os democratas, um cretino que não respeita a República, um marginal sem ética nem escrúpulos.

Que um país da Comunidade Europeia possa ter à frente das suas Forças Armadas um simpatizante de Mussolini, um fascista ignóbil ou um analfabeto diplomado, é motivo de preocupação para os democratas e um perigo para as liberdades.

A alarvidade de tão graves declarações não pode passar impune perante os dirigentes dos países europeus. Sarkozy tem uma palavra a dizer. Os cidadãos dos países livres não podem deixar de exigir que a Itália corra com a lúgubre figura de um Governo que já é, sem ele, pouco recomendável.

Fascismo, nunca mais.

Eutanásia

Por

João Pedro Moura

A eutanásia deverá ser um direito do cidadão!Trata-se da vontade da pessoa em viver ou não. Ninguém tem nada a ver com isso!Contudo, o caso tem várias implicações.Temos a eutanásia passiva e a activa.

Na passiva, terminam-se os tratamentos ou alimentação e aguarda-se o desfecho.Se a pessoa estiver em respiração assistida, sucumbe em poucos minutos; se estiver com tubo de alimentação e este for retirado, morrerá à fome. Neste último caso sou contra, por ser uma situação intrinsecamente cruel e penosa.

Na eutanásia activa, é ministrada uma substância ou várias, um forte sedativo e um relaxante do músculo cardíaco, como o pentotal de sódio, para terminar a vida.Tanto na eutanásia activa, como na passiva, o paciente poderá estar consciente ou inconsciente.

Se estiver consciente, entendo que deverá registar-se o seu pedido de morte, 3 vezes, em dias diferentes, para dar tempo e persistência à sua vontade.Este facto, o pedido do paciente, deverá ser testemunhado por 3 médicos e pelos herdeiros da vítima, que são os pais e os filhos, enfim, os familiares directos que houver.

Só a vontade do paciente deverá prevalecer. A vida é dele! Ele é que dispõe dela!

Se o paciente estiver inconsciente, então, não tem vontade, mesmo que outrora tenha dito que sim ou que não à eutanásia. Prevalecerá a vontade no momento. E a vontade no momento deverá ser a dos herdeiros, pais e filhos do paciente, e da sua quantidade maioritária de decisões.
Todavia, entendo que um serviço público de saúde não deverá sustentar a vida vegetativa duma pessoa, mesmo que os herdeiros queiram tal sustento à custa do erário público.

Para que serve uma vida vegetativa, que não pode ser realmente vivida, isto é, sem consciência do doente?!

a) João Pedro Moura

Momento de poesia


Dissertação sobre todas as preces…

Se conseguisses chorar
nos enredos de todas as noites
em que sobrevives
não ficarias suspensa nos muros
que construíste à tua volta
talvez subisses a montanha
que ainda não conheces
e bebesses daquela água
pela minha boca
e seriam as tuas mãos
a oferecer-se a todas as preces
nos altares que eu ergui
talvez os deuses ainda ouvissem
os teus silêncios
e esconjurassem todos os medos.

Alexandre de Castro

O que diz a direita portuguesa?

As principais praças norte-americanas encerraram em forte alta, sustentadas pela convicção de que o resgate da Fannie Mae e da Freddie Mac pelo governo norte-americano estabilizará o sistema financeiro mundial, abalado por perdas com o crédito no valor de 507 mil milhões de dólares.

Comentário: Quando um Governo ultraliberal se sente na necessidade de salvar da bancarrota empresas privadas, obrigando todos os contribuintes a pagar a derrocada, está a confessar a falência do liberalismo económico. De forma eloquente.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Assim, não, Sr. Presidente



Sua Excelência, o Senhor Presidente da República Portuguesa, em discurso oficial na Polónia. Depois de ouvida uma comissão de especialistas, chegámos à conclusão de que o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva se referia a Copérnico.

Som TSF (04.09.2008), notícia disponível A Q U I

A Espanha aqui tão perto...

O discurso de Ferreira Leite, visto por dentro

Um discurso que não ficará para a História.

Princípios e preconceitos


Angola - Eleições (3)

Por

E - Pá

VITÓRIA, CORRUPÇÃO E O NEO COLONIALISMO "INTERNO"...

Bem, o que se pode concluir foi que um exercício do poder pelo MPLA, a longo termo acabou por colonizar politicamente (ou por corrupção) as outras franjas partidárias, incorporando-as nos suas fileiras, tornando-o, cada vez, mais hegemónico.

As eleições foram, como se dizia no tempo do colonialismo, um passeio pela Avenida Marginal e depois ir beber um copo à Ilha.A UNITA, teve as eleições na pior altura do seu percurso, desde a morte do seu fundador. A data de realização reclamada há muitos anos pela UNITA e outros partidos, só agora, foi satisfeita. Enfraquecidas, com perda de influência em relação à actual situação, vão ser, certamente, atraídas, pela "sindroma da borboleta" em relação à luz, esvoaçando à volta do poder, enquanto as crises de direcção vão continuar.

Quanto a governar para o povo e retirá-lo da fome, julgo que quer o petróleo, quer os diamantes, quer o ouro, não foram recentes descobertas. A redistribuição deste enorme rendimento pela população, criando mecanismos que proporcionem, para os cidadãos, um retorno social importante e de inclusão, não foi feita, nem tentada.E não foi feita porque o dinheiro desapareceu nos meandros da corrupção, especialmente à volta do poder político.

Eduardo dos Santos, nesta disputa eleitoral, que acabou por recompensar o MPLA, essencialmente pela intimidação que o bordão do poder representa em África, não pode ser jogador e árbitro ao mesmo tempo.

E, sejamos claros. As denúncias de corrupção e de "negociatas" que chegam ao exterior, ou que foram praticadas com a conivência do exterior (França, p. ex.) envolvem Eduardo dos Santos, ou a sua família, e não serão investigadas ou punidas, nem têm nenhum motivo para parar.

Os resultados deste fim-de-semana contêm um forte potencial para incentivar a corrupção de Estado.Uma espécie de terrorismo económico, o nascer de um neocolonialismo interno, inicialmente indígena, mas agora ligado traficância internacional, que usa e abusa do assalto às fontes de riqueza, ao tesouro nacional, enquanto à volta vegetam milhares de famintos.Esperemos que, deixem de existir justificações para não realizar, periodicamente, eleições.

E que seja alimentado um amplo espaço de liberdade para que seja possível criar, no futuro, alternativas democráticas a esta situação que sirvam um povo nascido num País próspero e com capacidade de o tornar economicamente e tecnicamente sustentável, saudável, culto, etc...

O meu receio – o que não desejava – é que, tendo ganho o MPLA essa vitória, possa, para muitos, ser chegada e permaneça a pobreza, a fome e o subdesenvolvimento. Angola todos os dias espolia as suas riquezas, nomeadamente através da venda de matérias-primas preciosas. Estas transacções fazem o dinheiro entrar a "rodos". Poucos beneficiam.

Esperemos que Angola, não seja vítima do dinheiro que entra e desaparece, não perca a sua identidade e acabe denominada por uma clique do novo-riquismo de que já observamos alguns indícios...

Angola – eleições (2)

A supremacia esmagadora do MPLA sobre a UNITA, com o desaparecimento de pequenos partidos, ultrapassou as expectativas do Governo de Luanda.

O resultado foi pacífico, justo e honesto, de acordo com insuspeitos analistas internacionais.

Cabe agora a José Eduardo dos Santos ser comedido no mandato que lhe foi conferido e pôr cobro à corrupção, como prometeu.

Daqui a quatro anos haverá de novo eleições.

domingo, setembro 07, 2008

É fácil ser profeta

O presidente do PSD-M, Alberto João Jardim, defende a extinção do cargo de representante da República num projecto de proposta de revisão constitucional que ontem à noite entregou aos membros da Comissão Política Regional.


Caros leitores:
Se tiverem paciência leiam este texto que publiquei no «Diário As Beiras» e no Notícias Magazine em 2003 mas, propositadamente, datado de 2020.
Nesta tarde chuvosa desta Terça-feira de Outubro, deste Ano da Graça de 2020, acabo de ler no Diário As Beiras as surpreendentes notícias que nos chegam do Estado da Madeira.

Não nego que foi brilhante a vitória do Dr. A.J. Jardim pela 12ª. vez consecutiva, juntando às 8 vitórias nas eleições regionais as 4 como Chefe de Estado Federado. Bem pode a oposição clamar contra a falta de liberdade, dizer que o Dr. Ramos controla o aparelho de Estado, a televisão e os jornais, que o recenseamento dos 40 trabalhadores imigrantes que foram trabalhar para as obras do 2º. Aeroporto da Madeira não justificavam o aumento de 5 deputados à Assembleia Nacional da Madeira, que o círculo eleitoral das Desertas não faz sentido por não ter população, que é um risco para a democracia a chefia do Estado não ter horizonte temporal expresso na Constituição, etc., etc., como se um povo superior tivesse de copiar o que se passa noutras latitudes.

Nem mesmo as palavras do Patriarca do Funchal, certamente influenciado pelo concílio Vaticano III que pretendeu levar a Igreja para a defesa de posições democráticas, são suficientes para denegrir a vitória. De resto, o actual Cardeal não conhece a realidade madeirense, por ter nascido em Portugal, como muito bem referiu ao Diário do Funchal o cardeal resignatário Sr. D. Teodoro que partilha com o Dr. Jardim a preocupação de o cargo supremo da Igreja da Madeira ser ocupado por um estrangeiro e do Núncio Apostólico não obter de Sua Santidade a nomeação do bispo titular para a vaga da diocese de Porto Santo.

Não levo a sério, senhor Director, a ameaça do Dr. Jardim em abandonar a Europa caso não lhe aumentem os subsídios. Creio mesmo que a ameaça de se virar para África, hipótese aventada no último Conselho de Estado da Madeira, com o argumento de que o arquipélago deixaria de ser o Estado mais pobre da Europa para passar a ser o mais rico de África, foi entusiasmo irreflectido dum Conselheiro pouco letrado que o Dr. Jardim logo mandou calar.

Preocupa-me, sim, a exigência da bandeira, a mania do hino, o direito reivindicado de cunhar moeda com a obrigação da antiga potência colonial lhe prestar aval, a liberdade da Assembleia Nacional autorizar despesas e obrigar Portugal a pagá-las e a imposição do Dr. Jardim de ser ressarcido perpetuamente pelo fim do paraíso fiscal que a Europa impôs.

Bem sei que ele actua na mais estrita legalidade, que os Tribunais Superiores da Madeira gozam de ampla liberdade para lhe darem sempre razão, que as Forças Armadas, de que é o Comandante Supremo, garantem o respeito pela Constituição da Madeira.

Mas esta legalidade não impede a onda de independentismo que grassa em Portugal. O facto do Presidente da República, Dr. João Soares, se ter prestado a inaugurar este 2º. Aeroporto foi mal visto pelos portugueses, de tal modo que, segundo revelam as sondagens, a sua reeleição será por uma margem muito menor do que qualquer dos seus antecessores que, a começar pelo seu saudoso pai, nunca deixaram de ser reeleitos por margem arrasadora.

Vi com interesse que o Dr. A.J. Jardim indigitou para formar governo o Dr. Ramos, filho do Dr. Jaime Ramos cujo funeral constituiu uma impressionante manifestação de pesar e a quem foi atribuída, a título póstumo, a mais alta condecoração alguma vez concedida pelo Estado da Madeira, depois de, em vida, ter recebido todas as outras. O Dr. Ramos é Presidente do PSD/M com 95% dos deputados da Assembleia, percentagem que ficou apenas a 2 pontos da do Chefe de Estado, e deve-se-lhe a imponente estátua que mandou erigir em honra de seu pai na ilha artificial que mandou construir para o efeito em frente à Quinta da Vigia.

Claro que foi um escândalo, a poucos dias das eleições, a pena de banimento aplicada ao Director dos H.U.M., médico pessoal do Dr. Jardim, por lhe ter prescrito uma dieta – diz-se – com ausência total de álcool e gorduras e fortes restrições de hidratos de carbono. Não ficou provado que o médico fosse um cubano infiltrado no PSD/M nem que se tratasse de mouro a fingir-se cristão, como alegadamente afirmou o novo Director do Hospital, que o substituiu.

Também a demissão do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas da Madeira para dar lugar a um jovem oficial formado na Academia Militar do Funchal foi vista como mais um passo para a eliminação dos últimos quadros estrangeiros que não dão suficiente garantia de prosseguir os superiores interesses do Estado madeirense.

O Dr. Alberto João Jardim é justamente considerado o pai da Pátria madeirense, sobretudo desde 2004, ano em que conseguiu deportar o Ministro da República, último resquício do colonialismo.

Não deixa, porém, de ser irónico que A.J.J. continue a ofender os portugueses e a aumentar as exigências, ao mesmo tempo que manda reforçar as cadeiras em que se senta pois sabe que, às vezes, a história se escreve com base na fragilidade das cadeiras.

Apesar das moléstias que me apoquentam e das angústias que me atenazam, umas e outras próprias da idade, ainda me afoito a escrever ao Diário As Beiras. Se V. Ex.ª entender que esta minha prosa faz algum sentido e que a extensão desta carta cabe nos critérios editoriais do seu jornal, aqui lha confio, deveras preocupado com este sentimento cada vez mais exacerbado que está a conduzir os portugueses neste ano de 2020 para a separação irreversível da Madeira, para o inexorável caminho da independência de Portugal.