Político em ascensão

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

Desde a vitória contra a «insurreição dos pregos» que Ângelo Correia não tinha tanta glória.

Comentários

e-pá! disse…
Preocupante é tratar-se um homem que abandonou, por largos anos, a política para se dedicar aos negócios e à mediação de influências (nomeadamente entre Portugal e o Mundo Árabe e mais regionalmente no Distrito de Aveiro), isto é, um "barão" reformado, instalado junto ao poder lisboeta, que resolve regressar ao activo.
Porquê?

Hoje estará diferente dos tempos das "conspirações dos pregos".
Novas condições moldaram-no: está mais sóbrio, mais comedido e, provavelmente, mais rico.

Mas conserva, ainda, com os mesmos tiques retóricos:

"É assim ou assado ... por três ordens de razões:
1ª.) ... 2ª.) ... e, a 3ª.) resulta das duas anteriores...."

Foi, por essas três ordens de razões que, resignadamente, aceitou preencher a "nega" pública de Manuela Ferreira Leite, ao Congresso. Ou, se quisermos ser mais argutos, o que MF Leite transmitiu, foi que Cavaco Silva não dava, por ora, a "benção" aos novos dirigentes do PSD.
LF Menezes terá de porfiar...
Anónimo disse…
Políticos em ascenção; políticos e políticas em queda



Alvoroço no “socialismo”
Baptista Bastos



Há tempos, o dr. António Vitorino, conhecido entre os seus camaradas, por “O Génio da Garrafa”, timbrou uma frase que, por frívola, não deixava de ser arrogante: “Habituem-se!” O homem, levemente destemperado, queria dizer que os jornalistas, a partir daquela altura, estariam encarreirados pela agenda do Governo, e não o contrário.
Não comento a estultícia da afirmação. Recupero-a e remeto-a, por inteiro, para José Sócrates e seu conjunto, certamente alvoroçados pela publicação de duas sondagens que os coloca em queda, não direi livre, mas consideravelmente acentuada. Nem um ministro tem nota positiva. Sócrates, esse, então, é alvo de sério aviso, e, pelos indícios, começa a ser o princípio de uma recordação inquietante.

Alarmado com os resultados, Vítor Ramalho declarou à Imprensa: É necessário dar mais atenção ao partido, ao ideário, à luta por valores e princípios, aos que sofrem. É preciso reencontrar causas que motivem as pessoas. A matriz socialista é indispensável como o pão para a boca”. Ramalho é homem de bem, cauto e cortês, mas convém que não empurre para o olvido o pequeno pormenor histórico de que foi Mário Soares o primeiro a colocar o socialismo na gaveta. A matriz do PS qual é? A que foi fundada na Alemanha? Aquela cuja voz ecoava nas ruas de todo o País, numa palavra de ordem insistente e lírica: “Partido Socialista, Partido Marxista”? O “socialismo moderno” de Sócrates está associado ao “socialismo com turíbulo” de Guterres, tem semelhanças com o de Vítor Constâncio ou parecenças com o de - de quem?, já pouco recordamos dos líderes de percurso.

Ferro Rodrigues tentou inflectir a trajectória do PS e fixá-lo num nível de exigência ideológica adequado ao nome político. Ambicionou fazer pedagogia política, e dizer que não se governa por estatísticas. Ferro procedia do antifascismo, opção por uma luta pela liberdade que parece, hoje, incomodar certa miuçalha. Homem honrado, sereno, culto e sério, o seu comportamento fundava-se nas evidências da verdade. Perante as derivas do partido, cuja actuação parcial, limitada e descaracterizada, apenas visava a conquista do poder, Ferro Rodrigues opunha o rigor dos princípios e a necessidade da batalha ideológica. Foi rapidamente armadilhado. Estão por esclarecer as calúnias de que foi objecto e as infâmias com que tentaram enlamear-lhe o nome. O resto é história: história nebulosa e sinistra.

A relativização do “socialismo” atingiu, com José Sócrates, uma violência social sem precedentes depois de Abril. Beliscou a liberdade de Imprensa; amolgou o Serviço Nacional de Saúde; reduziu a zero o subsistema de saúde dos jornalistas mas manteve os da Polícia e do Exército; cometeu o inacreditável quando aplicou impostos a reformados com pouco mais de 600 euros (120 contos) mensais; provocou uma trapalhada inextricável na Educação; aumentou o desemprego; impôs a delação como forma e método; promoveu inconcebíveis pressões sobre sindicatos e sindicalistas, e converteu em banalidade a insegurança em que vivemos. Se estão interessados, posso aumentar o rol até expressões quase intermináveis.

Surge Luís Filipe Menezes e, em três semanas, faz ruir o PS nas sondagens, segundo a interpretação das quais tudo o que há de pior habita no Executivo Sócrates. Este, de facto, havia conquistado o hoje, o agora, a actualidade, o presente; acenava-nos com o futuro, espargia sobre nós a água santa da esperança e da fé - e, caridosamente, dava cabo de nós, entremeando a loquacidade convicta, de que é capaz, com os tratos de polé ao nosso quotidiano, aplicados com gelada mestria.

O “socialismo moderno” de Sócrates era e é uma fraude. Escrevi-o e disse-o numerosas vezes. Precisávamos, realmente, de uma nova modernidade, fundamentada numa crítica ao capitalismo neoliberal, cuja acção predadora começou a sobressaltar, até, muitos empresários norte-americanos, tolhidos com o avanço larvar de um processo que já não dominam. Basta ler os artigos sobre economia, finanças e política do “New York Times”. Por exemplo.

Menezes tem manifestado, com alguma prudência e uma dose de sensatez, não ser o desarvorado com que o pretenderam apodar, num exercício de perversidades concertado a partir do interior do próprio PSD. Quando afirmou: “Os comunistas não são meus inimigos, são meus adversários”, desencadeou a ira de uma trupe de reaccionários, cujo entendimento da democracia não está associado à tolerância e à compreensão dos que pensam e agem de forma e modo diferentes. Cindir a sociedade entre bons e maus portugueses, falar de nós como quem fala de “outros”, corresponde a uma interpretação deformada, por irreal, do universo em que nos movemos. A sociedade livre funda-se numa longa série de razões a que chamamos ideias.

A ascensão de Luís Filipe Menezes não se deve, somente, às ambiguidades de Sócrates e à avançada antisocial que empreendeu. O presidente do PSD realizou importante obra em Gaia, desenvolveu as actividades económicas, apoiou as artes e a cultura, e não caiu na tentação da intolerância e do ostracismo políticos. A Imprensa oculta o que lhe convém. E Menezes não é conveniente. Há um mês era zurzido por comentadores do óbvio, “historiadores” de rés-do-chão, estipendiados a soldo e com ausência de sentido, numa espécie de charneira paradigmática. Agora, até Marcelo Rebelo de Sousa declara que se enganou, adiantando que Menezes pode muito bem vir a ser o vencedor das eleições em 2009!

Escrevi que o homem possui vigor na discussão, e é muito mais lido e informado do que a esmagadora maioria dos seus detractores - sobretudo os de o seu partido. Ademais, note-se que, no elenco político dos seus conselheiros figuram Ângelo Correia, Luís Fontoura e Domingos Duarte Lima, cuja percepção, inteligência e cultura sobrelevam a média dos actuais “agentes políticos” portugueses.

As afirmações de Vítor Ramalho soam como uma grave advertência àqueles que, em nome do poder pelo poder, revolveram os padrões que, desde a Revolução Francesa, separam a Direita da Esquerda - e exerceram a mais tenebrosa das trapaças, enganando meio mundo. Mas há sempre a outra metade que sobressalta, alvoroça e pode determinar as coisas.
Anónimo disse…
Camarada Esperança - perdão, amigo e colega Esperança - não tem nada a dizer acerca do texto do Baptista Bastos que eu aqui coloquei?
Aí pelo partido socialista - perdão, partido socretino liberal -não se discutem os principios ideológicos nem as políticas tecnocráticas e autoritárias deste governo? Já só conseguem - podem - falar da máfia italiana, do Iraque, do Paquistão, do Chavez, do Papa, etc? Portugal e o seu presente e futuro não convém discutir?

PS: Veja lá, se censurar este comentário não se esqueça de censurar o artigo do Baptista Bastos. É que este artigo pouco ou nada tem que ver com o seu post, já que o assunto principal é o alvoroço e embuste socialista. Por isso decidi não assinar, e contornar as suas paranoias censórias forjando um título que estabelecesse um ponto de contacto com os assuntos (sem assunto) que você escolhe analisar. A estratégia resultou, você caiu na armadilha, e eu só posso agradecer ao modelo em que me inspirei: SÓCRATES!

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