Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
Tratava de um dos assuntos fulcrais para a doutrina social da Igreja - a Família.
Um homem que combateu o uso do preservativo no combate à SIDA, na prevenção, defendendo a sua relativa ineficácia.
Um ultra-conservador da Cúria Romana cuja substituição trará indicações sobre o rumo da ICAR.
Em termos humanitários o cardeal foi um homem polémico, adversário da teologia da Libertação e, em termos de sáude - nomeadamente da prevenção da SIDA - um homem perigoso:
"...dizia que confiar nos preservativos era apostar na própria morte."
Para os que se dedicam ao combate do flagelo da Sida pelo Mundo morreu um exemplo pela negativa do que não se deve fazer, nem dizer!
Não lembre isso ao cardeal Saraiva Martins. Ele está com milagres atrasados para os muitos bem-aventurados que aguardam a beatificação.