Como… Pilatos!

Todos sabemos que a Presidência da República é um órgão unipessoal.
E, daí advém, que os assessores não têm responsabilidade política.

Perante, os estilhaços do escândalo – no meio da contenda – o PR, ao demitir Fernando Lima, pretende iludir ou encerrar o caso.

Todavia, se lermos o e-mail trocado entre o Público e o correspondente Tolentino Nóbrega, vemos lá "escarrapachado" que esse reivindicava agir sob a supervisão do PR. Aliás, não podia ser de outra maneira. Os assessores não têm autonomia política para actuar.

Não é fácil, portanto, o PR basear-se em formalismos orgânicos para atirar sobre Fernando Lima todas as responsabilidades. A demissão do assessor é um claro indício de que nem tudo corre bem em Belém. Há algo de putrefacto neste imbróglio.
A decisão de ontem do PR visou acalmar as hostes e retirar impacto político imediato a este assunto.
Não conseguiu isso.

Paulo Rangel que se tinha mostrado afoito quanto a uma das “questões-chave” da campanha do PSD, i. e., a dita “asfixia democrática”, começou a recuar. Agora o PS já não é o responsável pela asfixia em que vive o País, mas o que acontecerá é que José Sócrates terá algumas "dificuldades" em lidar com a liberdade de expressão. Baixou a fasquia.
Entretanto, MFL, tem mostrado, também, muitas dificuldades em comentar as actuações de Cavaco Silva. E, neste caso, adoptou uma postura muito do seu agrado – embora no campo expressivo paupérrima – e remeteu-se ao silêncio.
Alinhou pela bitola do Senhor Presidente da República.

A medida que passam os dias o PSD vai deixando cair, uma a uma, as suas “pérolas” programáticas. Começou pelo TGV (agora vai negociar com a EU "conversão" de verbas), prosseguiu com a “afixia” (agora transformou-a em “dificuldades”), sobre a Segurança Social tem dias (ora privatiza, ora não), sobre o SNS, este não está no texto mas estará no espírito e não me surpreenderia – se a campanha durasse mais tempo – que MFL viesse a assinar uma das variadas petições que correm pelo Pais no sentido de garantir saúde para todos.

Enfim, o tal programa rectilíneo, sintético, ascético, tem vindo a revelar-se cheio de meandros e de armadilhas políticas. É, muito difícil, mesmo poupando em texto, esconder propósitos neo-liberais. Essas peças da liturgia política trazem à colação aquela máxima: gato escondido com o rabo de fora. E há sempre alguém que vê o rabo e reconhece o gato…

O clima de suspeição que a PR levantou, é nefasto para as eleições em curso. A demissão de Fernando Lima não basta, nem clarifica o ambiente político.
Pacheco Pereira entende que Cavaco Silva rompeu o silêncio através da demissão do seu assessor de imprensa e, sendo assim, já terá interferido na campanha eleitoral. Clarividente, embora enigmática, esta asserção...
Falta acrescentar que para Cavaco, um mestre em tabus, pressionado, iniciou a caminhada do esclarecimento, mas deixou-se ficar a meio da ponte. Até ao dia 28?

Surpreendido, nas suas manobras conspirativas, pretende passar por inocente o que, pelos dados vindos a lume, não corresponderá, verdadeiramente, ao sucedido. Todavia, tem o direito e o dever de fornecer explicações cabais aos portugueses.
Não o fez de livre vontade.

O acto de demitir o seu assessor, sendo um facto, será um acto simbólico, fazendo lembrar um episódio bíblico:
Pilatos instado a definir-se, lavou as mãos…

Comentários

contradicoes disse…
Mas por mais que ele as lave continuam sempre sujas.Este tipo de nódoas não são fáceis de remover.

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