Oh! "querida presidente"...

A uma semana do acto eleitoral o PSD começa a mostrar a sua verdadeira face.Está, para a política como os ébrios se mostram perante a vida.Isto é, os PSD's embriagados no calor da campanha relembram a velha máxima: in vino,veritas!, como dizia o filósofo Plínio, o Velho.Para animar as hostes já que MFL manifesta evidentes dificuldades de relacionar-se com o eleitorado deslocaram de Estrasburgo o eurodeputado Paulo Rangel.Rangel é um ser, politicamente, híbrido.Uma miscelânea da figura queirosiana do conselheiro Acácio – o símbolo da mediocridade, do convencional e do “moralista” na política – com uma imagem do tempo do imperial no Brasil – a de cangaceiro da política.Olha para o País como, se este, estivesse sob a ameaça de um iminente retrocesso à ditadura.Na sua fúria devastadora, e nas dantescas imagens da “asfixia democrática” ataca, tudo e todos.Nem Mário Soares escapa. O mesmo Sorares que mobilizou o PS, em Julho de1975, na Fonte Luminosa.Onde estava Rangel? À beira de iniciar a instrução primária. Imberbe e já a beneficiar da luta pelas liberdades de “outros”. Dos que agora ataca, feito cangaceiro, que parece ter prazer de, sob irresistíveis impulsos partidários, atirar sobre a democracia, negando-a e denegrindo-a.Neste País, nem todos têm a idade do deputado Rangel, mas todos sabemos que existem muitos portugueses que lutaram pela liberdade em condições muito mais difíceis que as actuais fanfarronices eleitoralistas. Um deputado, um representante do povo, tem de conhecer a História, têm de cultivar a memória histórica.Não basta ter um bom otorrinolaringologista e gritar alto.Andar pela feira de São Mateus, em pleno Cavaquistão, a gritar:Não tenham medo!Haverá alguma razão oculta para os portugueses terem medo de votar PSD?Ou a ouvir, sobre a simbologia da revolução dos cravos o ressabiado Fernando Ruas, recitar:
“Cravo vermelho ao peito
A todos fica bem
Sobretudo dá jeito
A certos filhos da mãe”.


Estar lá e ouvir este refrão sem manifestar-se mostra, sem serem necessárias melhores provas, estarmos em presença de uma grave disfunção democrática.Rangel é incapaz de defender o regime onde praticamente nasceu, vive, cresceu e, ao que podemos ver, prosperou...Só sabe atacá-lo!. Abjura, ou é conivente, com símbolos que conferem uma identidade própria ao actual regime democrático.Há qualquer coisa que não bate certo. Ou, vivemos em mundos diferentes, ou, participar num comício onde se invectiva o 25 de Abril, será uma inaceitável ofensa ao regime democrático, que não se deixa asfixiar tão facilmente com Paulo Rangel julga. A defesa da democracia não é um privilégio do PSD caso contrário já não existia. É um desígnio nacional, o que é diferente. Não tem donos, nem especiais zeladores. É, também, um dever de cidadania.Mas nada me espanta de um deputado que, ao dirigir-se a MFL, a trata por “querida presidente”.Noutros países – sem querer estabelecer um forçada comparação - a formula é “querido líder”…Todavia, pondo de parte a rabulice, o maneirismo acaciano, tão brilhantemente descrito por Eça, em qualquer parte do Mundo, é isto!
É Paulo Rangel.

Comentários

Jorge Almeida disse…
Caros:
O que me ALEGRA é que o VENTO PASSA...
O que me inspira é que o MEDO é só de quem é VIL e VILIPENDEIA quem lhe garantiu a liberdade.
Portugal não precisa de MEDO... Em especial porque ninguém nos diz o que sentir... e eu, pelo menos, não sinto medo.
Quem sentir medo que vote PSD... Não quero ter ao meu lado cobardes...

Deixo-vos a minha versão do poema:

O meu cravo vermelho não me sai do peito,
Está alegre por ter sido plantado
O meu cravo vermelho é sinal de respeito
E nunca será silenciado

O meu cravo vermelho ao peito
Deve a cor a todos os que lutaram, Verde de esperança solidamente firmado no vermelho do sangue vilipendiado.

Venham todos... que os cravos não se arrancam com palavras...

Pois só quem não tem cravo tem medo...
Só quem não é de Abril não tem cravo... .



JJ
Ulisses:

Obrigado pelo belo e inspirado poema.

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