A Coreia do Norte e os gulags

Quem diz que não é de direita nem de esquerda é seguramente de direita, como se sabe há muito, mas a perversidade pode acontecer nos dois lados da barricada.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem contém mais humanidade nos seus 30 artigos do que qualquer religião catalogada ou ideologia política difundida, dependendo ainda dos atores que as protagonizam.

A Coreia do Norte é um dos mais execráveis sistemas políticos, onde o anacronismo e a violência deram as mãos, numa orgia de horror; onde os direitos humanos e a liberdade são postergados; onde, na mais obscura das ditaduras, floresce a demência do maoísmo e a apoteose do estalinismo.

Para não fazer uma apropriação semântica dos conceitos, à semelhança de um ignaro deputado do PSD, que chamou reacionária à esquerda, por ignorância, má fé e idiotice, devo considerar de esquerda a demente monarquia comunista (?) da Coreia do Norte, o regime que juntou o pior da monarquia, o mais execrável comportamento estalinista e o mais esquizofrénico dos dirigentes. A família Kim não é um caso político, é um enigma psiquiátrico.

A apropriação coletiva dos meios de produção, embora para benefício exclusivo de uma casta, a omnipresença do Estado e o imenso exército que lhe serve de guarda pretoriana, permitem ao exótico regime transformar o país num campo de concentração.

A Coreia do Norte, com armas nucleares e a proteção chinesa, que lhe serve de escudo por razões geoestratégicas, é um perigo para a paz mundial mas é um perigo maior para um povo que vai morrendo de inanição num obscuro país onde a discricionariedade do poder condena aos gulags os cidadãos que considera hostis.

A Amnistia Internacional revelou ontem novas imagens de «gulags» norte-coreanos com campos de trabalhos forçados.

Ninguém tem o direito de pensar que o regime possa ser uma democracia. Do outro lado do espetro político a Coreia do Norte remete-nos para a memória do nazismo.

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