CTT: um mal nunca vem só…

A privatização dos CTT foi, e continuará a ser, um assunto polémico que o futuro se encarregará de julgar.

Neste momento, trata-se da alienação do património público de uma instituição criada no século XVI que, ao longo do seu multicentenário trajecto, prestou relevantes serviços ao País, nomeadamente, no âmbito da coesão nacional.

No seguimento da implantação da República (1911) os ‘Correios’ são reconhecidos como uma instituição nacional fulcral para o País e foram dotados de autonomia administrativa e financeira, transformando-se numa Administração-Geral.

Nos primórdios do consulado marcelista (1969) os CTT são transformados em ‘empresa pública’ (E.P.). É a primeira e tímida grande alteração de ‘estatuto’.

Posteriormente, no regime saído do 25 de Abril, os CTT passam a ter um estatuto de ‘sociedade anónima’ (S.A.) e perdem a parte das telecomunicações que se transformaria em PT. Este terá sido o primeiro e decisivo passo - silenciosamente cometido em 1992 pelo XII Governo Constitucional presidido por A. Cavaco Silva - com vista à ‘abertura’ de um insidioso processo de ‘privatizações’ que, entre outras alienações, facilitou à posteriori o ‘desmantelamento’ desta identitária instituição que, de modo notório, relevante e integrador serviu, ao longo de séculos, dezenas de gerações de portugueses.

Ontem, na bolsa, foi desferido o golpe final. Sob a capa de um pretenso ‘capitalismo popular’ os CTT foram postos à venda no ‘mercado’ transformando-se numa empresa do sector privado e, finalmente, os 'Correios' caiem estrondosamente nas mãos do capital estrangeiro (43,3 % ficaram na posse de ‘investidores estrangeiros’) link. Os CTT não foram somente alienados do sector público nacional. Ficaram nas mãos dos insondáveis 'mercados'. Resta esperar pela OPA sobre o capital residual (30%) ainda detido pelo Estado. 
Apesar dos ‘festejos’ do actual Governo exultando com o sucesso da operação financeira, pretendendo iludir o opróbrio que cobre e envolve um País desbragadamente ‘à venda’, os portugueses não deixarão de julgar este desastroso acontecimento como o corolário de que - ‘um mal nunca vem só’…

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