Momento zen de segunda_30-12-2014

João César das Neves (JCN), saprófita do episcopado, funâmbulo do Vaticano e devoto contumaz de todos os pontífices, andou desorientado com o atual, sem saber se o devia adular na homilia de segunda, no DN.

Saído de longa confissão, com joelhos doridos e síndrome de privação da hóstia, teve de cumprir a expiação adrede decidida pelo confessor – dizer bem de Francisco –, dar o seu testemunho de regozijo pela escolha do Espírito Santo, o da Trindade, e mostrar o júbilo público, para evangelizar réprobos, sem aliviar o cilício.

No exórdio da homilia que lhe serve de refrigério – “O furacão Bergoglio” –, afirma que “Todos gostam do Papa Francisco”, que, com ele, aconteceu “uma lufada de ar fresco, não só na Igreja mas em todo o mundo”, distraído de que há mais Igrejas e mais mundo, além do romano, e que no Iémen ou na Arábia Saudita nem uma brisa soprou.

JCN está para a penitência como o Governo para a troika, quer ir sempre além. Por isso, criou este mimo de retórica para a antologia da parenética: “A novidade foi inesperada, apesar de acontecer repetidamente nos pontificados anteriores». Não referiu antipapas, não evocou os Bórgias, mas até Pio IX citou, o papa mais reacionário do século XIX, o criador dos dogmas da Imaculada e da Infalibilidade.

JCN disse ainda que “Bento XVI se revelou caloroso, mediático, comovente” e que com Francisco a lufada de ar fresco se tornou um furacão. “Neste caso, é mesmo justificada a paixão e o encanto (como nos casos anteriores)” [sic]. As piruetas a que é obrigado para cumprir a expiação! E vai avisando que “O consenso à sua volta [do Papa] sofre de um cisma fundamental, ainda oculto”.

Vê-se que teme discordâncias com o ultraliberalismo da madraça da Palma de Cima, em Lisboa, onde leciona. Teme “que o fascínio inicial se venha a transformar em críticas, zangas e perseguições dos que apoiaram o novo Papa sem ser realmente suas ovelhas”.

E, sábio, adverte que “o maior equívoco está em achar a Igreja obsoleta…”. “A Igreja sempre precisa de reforma, por estar abaixo do ideal transcendente. Mas essa reforma é feita com os olhos no Céu, não nas conveniências do momento. A sua missão é converter o mundo, não ser aceite por ele”.

JCN cumpriu a penitência mas vê-se que se assusta com os ventos e teme a pneumonia.

Comentários

e-pá! disse…
JCN revela-se um exemplo deteriorado e fora de prazo do mais reaccionário 'ultramontanismo'.
Para ele Bergoglio representa pelos ténues indícios manifestados na área comunicacional (que adopta como 'cismáticos') a possiblidade de alguma modernidade poder assaltar (ou já ter assaltado) o Vaticano.
E as suas 'preocupações' em encarreirar eventuais desvios são demasiado evidentes para serem disfarçadas por rebuscada elégias aos antecessores dirigentes da ICAR.

Não são novas, no seio da igreja católica, atitudes deste tipo. Sem querer fazer um transposição mecânica ou predizer o futuro poderemos vir a assistir a uma repetição do sucedido após o aggiornamento tentado no último concílio e que de imediato originou movimentos de recuo reactivos subordinados ao lema: "Renovar todas as coisas em Cristo" de que são exemplo Lefebvre, a 'Fraternidade Pio X' e a exégese da 'ortodoxia religiosa'.
JCN quando escreve "...Mas essa reforma é feita com os olhos no Céu"... não se afasta deste arcaico e obscuro caminho que não trouxe nada de novo ao Mundo.
jrd disse…
Faz tempo hein?!...

http://bonstemposhein-jrd.blogspot.pt/2013/11/o-torquemada-hodierno.html

Votos de um Bom Ano Novo para ti e para os teus.

Abraço
Caro João Rui:

Grande abraço e votos de bom 2014.

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