Notas soltas: dezembro/2013

1.º de dezembro – Mais uma data identitária que foi saneada do calendário dos feriados numa demonstração de incultura onde a imaturidade cívica e a agenda liberal se uniram no ataque à memória coletiva do povo português.

Coreia do Norte – A Amnistia Internacional revelou novas imagens de «gulags» com campos de trabalhos forçados. A dinastia Kim é um enigma psiquiátrico de um país com fome onde, do lado oposto, o pior maoismo e o mais execrável estalinismo nos remetem para a memória trágica do nazismo.

Nelson Mandela – Faleceu aos 95 anos o paladino da liberdade e herói da resistência ao apartheid, a cuja visão se deve um país multiétnico que, com a sua morte, fica em risco. Venceu o racismo e tornou-se a maior referência ética, política e democrática de África.

Madeira – A decisão do anterior Governo, de ninguém poder acumular uma pensão do Estado com um ordenado do Estado, foi embargada pela atual maioria,  para favorecer A. J. Jardim, em decadência cívica, moral e política, através do OE-2014.

Viana do Castelo – O chumbo do PSD/CDS ao pedido de inquérito parlamentar, caso dos estaleiros, transformou a simples suspeita ruidosa numa silenciosa desconfiança em relação ao ministro da Defesa. Foi disparate escusado ou medo oculto.

Barack Obama – O aperto de mão a Raúl Castro, nas exéquias fúnebres a Mandela, não foi mero gesto de cortesia, que a direita americana e o antiamericanismo primário desvalorizaram, foi o exemplo de Mandela que pode anular o injusto boicote a Cuba.

Rui Rio – A sedutora sugestão, para as abstenções eleitorais contarem como votos para cadeiras vazias, na AR, é um ato demagógico de um bom presidente de Câmara que não tem estatura política para limpar a imagem do PSD, manchada por Passos Coelho.

Mário Soares – O velho combatente antifascista foi eleito “Personalidade do Ano” pela Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal, uma manifestação de apreço pela sua intervenção política, tão depreciada na comunicação social autóctone.

PSP – A demissão do diretor, Paulo Gomes, na sequência da manifestação que derrubou as barreiras de proteção à A.R., evitou a do ministro e conseguiu um lugar de ‘oficial de ligação’, adrede criado na embaixada de Paris, onde os apertos orçamentais aboliram os conselheiros para as áreas da cultura, das questões sociais e da imprensa.

Chile – A socialista Michelle Bachelet venceu a segunda volta das presidenciais com mais de 62% dos votos, contra a candidata conservadora, Evelyn Matthei, que obteve 37,8%. No país do genocida Pinochet a esperança regressa, no feminino e à esquerda.

Tribunal Constitucional – A chantagem feitas sobre os juízes, pela troika, em sintonia com o Governo, foi uma intolerável e vergonhosa ofensa à soberania nacional, perante o inexplicável silêncio do PR. O acórdão derrotou o Governo por 13-0.

Turquia – Após o saneamento dos elementos laicos das Forças Armadas e Tribunais, o Islão anda à solta enquanto se digladiam Erdogan e Fethullah Gülen, um imã que lidera uma rede global de escolas e instituições de caridade com milhões de seguidores.

Espanha – Sob pressão dos ministros do Opus Dei, o PP olvidou a laicidade e, fazendo regredir as leis sobre a família, sobretudo a que regula a IVG, coloca o País na cauda da Europa. O PSOE promete revogar a Concordata quando voltar a ser poder. É um dever.

Iraque – Este ano foi o mais mortífero desde 2008. Até novembro morreram mais de 7 mil civis. Este é o trágico efeito colateral dos «libertadores» que destruíram um País e o condenaram à barbárie. Os invasores, cínicos e mentirosos, mantêm-se impunes.

CTT – A desastrosa venda, feita no cumprimento da agenda neoliberal, é a alienação de uma empresa rentável que deixa o país progressivamente descaracterizado e o interior cada vez mais abandonado.

Vaticano – O papa Francisco é um fenómeno de popularidade que esconde a debilidade para transformar a Cúria, com o sorriso cativante. Ainda não revogou qualquer dogma, nem renunciou aos milagres, e já diminuiu a hostilidade que os antecessores atraíram.

Troika – Portugal foi o laboratório onde mais errou as previsões e, depois de admitir o erro, não mudou a receita. Ignora-se se é o Governo que dirige a troika ou esta que guia o Governo. Sabe-se apenas que o aumento de impostos não cobre os juros da dívida.

OE-2014 – A obstinada provocação ao TC e a reiterada incompetência para respeitar a CRP fazem prever grandes perturbações no seio do Governo. O PR, em vez de pedir a fiscalização preventiva, preferiu ocultar, até à data limite, a decisão de o promulgar.

Japão – Acordaram velhos demónios no país onde habita um anacrónico imperador, um semideus. A memória amarga de Hiroxima e Nagasáqui não é suficiente para adormecer ancestrais rivalidades com a China e a Coreia. Que tragédia!

Guiné – O embarque forçado de 74 sírios, com passaportes falsos, num avião da TAP, foi um ato terrorista do cartel da droga, chamado Governo. Só a errática diplomacia de quem chama ex-ultramar às ex-colónias pode admitir insultos deploráveis a Portugal.

António Guterres – A denúncia de discriminação étnica, feita à nova lei de imigração do Reino Unido, atraiu contra si o azedume conservador do Governo de Cameron, mas Guterres continua a referência ética mundial da solidariedade para com os refugiados.

Governo – O ano expira com o 7.º remendo cosido com 3 «ajudantes» de ministro, sem qualquer pompa. Que o novo ano nos traga o contentor para o lixo em que se decompõe.

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