No aniversário do padre António Vieira

N. 6 de fevereiro de 1608 – f. 18 de junho de 1697

Há 406 anos nasceu em Lisboa um dos mais altos paladinos da língua portuguesa. Padre jesuíta, falecido aos 89 anos, uma longevidade invulgar na época, permitida pela bula do papa Inocêncio XI, que o subtraiu à jurisdição da Inquisição, foi o grande vulto literário do século XVII e o expoente máximo da parenética portuguesa de todos os tempos.

Vieira fez do púlpito a tribuna em que defendeu os índios e combateu a escravatura. Os seus sermões são um património imperecível da inteligência, da cultura e da ética, num português cuja perfeição realçava a consistência do pensamento e atingia a culminância da perfeição.

O idioma teve nele o seu expoente máximo, e os índios o defensor corajoso e lúcido que redimiu a cumplicidade da sua Igreja. O estilista e humanista legou-nos um monumento de inigualável valor na forma como cinzelou a frases e esculpiu a língua nos sermões e cartas com que fez refulgir o idioma materno.

Lembrar Vieira é prestar homenagem à língua que nos une, ao património literário cuja influência é notória no maior orador parlamentar desta segunda República, António de Almeida Santos, e na beleza dos textos do nosso mais genial ficcionista, Saramago.

É na herança de Camões e do padre António Vieira que descobrimos os alicerces da língua que serve de ferramenta a uma plêiade de escritores que continuam a enriquecer o património literário da pátria comum.  

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