Duas notas marginais sobre o Congresso do PSD.

1.) No 'arraial de encerramento' do Congresso do PSD, entre euforias descontroladas e divertimentos retóricos para todos os gostos, ouvimos uma frase que choca frontalmente com os 'sucessos' que foram objecto de festivas comemorações por parte da maioria dos congressistas.
Passos Coelho disse:
Tudo o que fizemos não chega. Precisamos de fazer muito mais. Não é fácil, não é menos exigente…link.
Então como é?
Os tais sacrifícios que ‘valeram a pena’ vão ser substituídos por mais sacrifícios?
 
2.) Neste Congresso os repetidos apelos a uma convergência com o PS atingiram as raias da ‘overdose’. Tornaram-se num massacre, transformaram-se num eco e perderam qualquer credibilidade. Trata-se de um ‘slogan’ eleitoral do PSD que tem de ser transformado naquilo que efectivamente é: um ruidoso ‘soundbite’.
Existe, porém, algumas responsabilidades do PS para que essa lenga-lenga continue a ‘infernizar-nos’. Alguém no PS terá de esclarecer frontalmente que o consenso básico está foi adquirido. Trata-se do tão falado ‘Tratado Orçamental’ link. Daí para a frente – em termos democráticos - só poderá existir uma ampla abertura política para surja (já demora) uma verdadeira oposição.
Terminado o tão falado 'período de protectorado’ e esgotado o tempo do ‘programa de resgate’ que o PS teve (por ‘pressão’ da actual maioria) de solicitar, negociar em conjunto e depois assinar, começa um novo ciclo político em que para cumprir objectivos orçamentais (controlo do défice) e diminuir a dívida pública existirão necessariamente múltiplos caminhos. Nenhum 'tratado' determina que a Europa é um feudo do PPE.
Na verdade, existe um novo facto político no contexto nacional e novas perspectivas. Terminou [terminará em Maio] o tempo das soluções ‘sem alternativas’.  Em Maio o PS adquire a 'carta de alforria' que lhe permitirá [re]encontrar-se com o socialismo (que tem estado residual e arredio) ou com a social-democracia (tão vilipendiada no Congresso do PSD). 
 
A não ser que esteja a ser cozinhado, em conjunto, qualquer coisa de ‘cautelar’…

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